Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 6
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 6


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ções sexuais, devendo ainda encaminhar o(s) parceiro(s) para tratamento
na unidade de saúde.
8.4 Uretrites não-gonocócicas
As uretrites não-gonocócicas compreendem um conjunto de
uretrites sintomáticas causadas por microrganismos que não o
gonococo. O mais comum desses agentes é a bactéria Chlamydia
trachomatis.
Semelhantemente à gonorréia, há saída de secreção purulenta do
meato uretral no indivíduo acometido pela doença, causando dor e ar-
dência ao urinar, gerando sérios desconfortos. O avanço das uretrites
não-gonocócicas também pode desencadear conseqüências em todo o
corpo, principalmente a doença inflamatória pélvica (DIP) em mulhe-
res, podendo ocasionar infertilidade, através de mecanismo semelhan-
te ao da disseminação do gonococo.
O diagnóstico considera o quadro clínico do portador e a au-
sência de gonococo no exame de amostras uretrais. O tratamento é
feito utilizando-se antibióticos. Os parceiros sexuais também de-
vem ser tratados.
Devido à semelhança entre as manifestações das uretrites não-
gonocócicas e a gonorréia, os cuidados de enfermagem devem com-
preender orientações semelhantes, com ênfase na higiene do indiví-
duo e no correto seguimento do tratamento, inclusive pelo(s)
parceiro(s).
Endocardite - é a inflamação
das válvulas cardíacas. Pode
ser causada por vários agen-
tes, como o gonococo, mas
também pode ocorrer devido
a alguns medicamentos tóxi-
cos, como o Interferon®, utili-
zado no tratamento da hepa-
tite C.
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8.5 Condiloma acuminado
Doença infecciosa causada por um vírus chamado HPV
(papilomavírus humano), também conhecida como crista de galo ou
verruga genital.
Caracteriza-se pelo surgimento de pequenas verrugas nas re-
giões genital anal e perianal, após a multiplicação do HPV nesses lo-
cais, entre 3 e 4 meses após a transmissão, sexual na maioria das ve-
zes. Com o passar do tempo e sem tratamento adequado, essas verru-
gas podem crescer e unir-se umas às outras, adquirindo o aspecto de
uma couve-flor.
É uma doença especialmente perigosa quando afeta a gestante,
pois o crescimento das lesões pode obstruir o canal vaginal, levando à
necessidade da realização de cesariana.
A ocorrência de infecção pelo HPV também aumenta os riscos
de desenvolvimento de câncer de colo uterino. Portanto, as mulheres
que já apresentaram infecção por esse vírus devem ser acompanhadas
regularmente.
O diagnóstico do condiloma acuminado ocorre por exame clíni-
co, podendo ser complementado com biópsia (retirada de pequena quan-
tidade de tecido para análise em laboratório). Seu tratamento é feito em
ambulatório, com cauterização química (por podofilina ou ácido
tricloroacético) ou térmica (criocauterização). Porém, quando a lesão
cresce demasiadamente, pode haver a necessidade de ser retirada cirur-
gicamente.
Deve-se orientar a realização da higiene do cliente com água e
sabonete comum, com o cuidado necessário para não agredir as lesões.
É importante que o auxiliar esteja atento a outras queixas, pois podem
estar presentes outras patologias associadas. O doente não deve man-
ter relações sexuais durante o tratamento, que poderá ser estendido ao
seu parceiro.
8.6 Linfogranuloma venéreo
Também chamada de doença de Nicolas-Favre, é uma doença
infecciosa de transmissão exclusivamente sexual, causada pela bactéria
Chlamydia trachomatis. Sua entrada no organismo ocorre através de le-
sões na genitália, muitas vezes despercebidas, que eliminam a clamídia,
atingindo o parceiro sexual.
Semelhantemente à sífilis, a doença manifesta-se em três diferen-
tes fases.
A lesão primária, chamada de lesão de inoculação, surge cerca de
1 a 4 semanas após a transmissão. É geralmente pequena, indolor, po-
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 Saúde Coletiva
dendo sua localização ser pouco visível nos homens e mulheres e, as-
sim, passar desapercebida. Essa lesão regride espontaneamente.
Após alguns dias, a clamídia alcança os gânglios e o portador
desenvolve uma linfadenopatia regional (lesão secundária), ou seja, há
um aumento dos gânglios na região ingüinal., dependendo do local da
lesão de inoculação. Geralmente, atinge apenas um lado, causando dor,
febre e artralgias. Sobre a região aumentada, há a abertura de lesões,
com saída de secreção purulenta e vários orifícios.
A terceira fase caracteriza-se pelo desenvolvimento de seqüelas.
As quais ocorrem principalmente quando o linfogranuloma afeta a re-
gião anal, podendo levar à obstrução do ânus e à formação de fístulas
e causar infecção disseminada por outros órgãos e tecidos pélvicos e
abdominais.
O diagnóstico considera o quadro clínico, podendo ser auxiliado
com a realização de exames complementares, como a cultura da clamídia
e o exame bacteriológico direto. O tratamento é feito utilizando-se an-
tibióticos.
8.7 Cancro mole
Doença causada por uma bactéria chamada Haemophilus ducrey,
de contágio exclusivamente sexual. Sua principal característica é o
surgimento de várias lesões, entre 2 e 5 dias após o contágio - que
ocorre pelo contato com a secreção que sai das lesões do parceiro se-
xual. Tal secreção contém vários hemófilos, o que torna tão fácil a
transmissão.
As lesões são dolorosas, de fundo irregular coberto de secre-
ção fétida e amarelada, e com facilidade para o sangramento. Po-
dem levar ao desenvolvimento de linfadenopatia ingüinal unilateral
(bubão), quando o hemófilo atinge os gânglios, e ao aparecimento
de lesões sobre os bubões, agravando o quadro clínico de seu porta-
dor. É também comum surgirem lesões nas coxas dos homens doen-
tes, por auto-inoculação, ou seja, quando a lesão da glande encosta-
se à coxa torna-se capaz de transportar a bactéria, surgindo uma
nova lesão.
Seu diagnóstico é feito a partir do quadro clínico e exame de
esfregaço da lesão. O tratamento é realizado com antibióticos, po-
dendo-se fazer a drenagem dos linfonodos para proporcionar alívio
da dor.
Os cuidados de orientação aos clientes incluem abstenção de
relações sexuais, higiene cuidadosa da genitália, estímulo à adesão
ao tratamento e encaminhamento do parceiro à consulta na unidade
de saúde.
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8.8 Herpes genital
Doença causada pelo Herpes simplex vírus (HSV), dos tipos I e II.
Embora possa provocar lesões em qualquer parte do corpo, acomete
principalmente os órgãos genitais, cerca de 3 a 14 dias após o contágio,
que pode ser sexual ou por contato com fômites.
O HSV, ao multiplicar-se na pele ou mucosa da genitália, cau-
sa pequenas lesões vesiculosas (em forma de bolhas), agrupadas,
que se rompem dando origem a úlceras e, depois, a crostas. Ante-
riormente ao surgimento das lesões, pode haver sensação de ardor e
prurido local.
As lesões regridem espontaneamente e o vírus permanece no or-
ganismo em estado de latência. Ao ser reativado, o quadro clínico mos-
tra-se semelhante ao da primeira infecção, porém mais brando. As
recorrências de ativação do vírus estão ligadas ao estresse do portador,
exposição à radiação ultravioleta (luz do sol), febre e imunodepressão,
entre outros fatores.
O diagnóstico é feito basicamente através do exame clínico. Como
a herpes não tem cura, o tratamento é voltado para o alívio dos sinto-
mas, com a drenagem das lesões e o uso de antivirais tópicos, até que o
episódio acabe. Podem ser usados antibióticos, no caso de complica-
ções como a infecção das lesões por bactérias. Alguns médicos prescre-
vem vacinas específicas para estimular a defesa do organismo, o que
dificultaria a reativação do vírus.
8.9 Donovanose
É uma DST pouco freqüente, mas encontrada em países de cli-
mas tropical e subtropical, como o Brasil. É causada por uma bactéria
denominada Calymmatobacterium granulomatis, transmitida pelo contato
com as ulcerações presentes no doente.
Caracteriza-se pelo aparecimento de nódulos subcutâneos,
indolores, múltiplos ou únicos, e por