Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 6
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 6


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ulcerações. Essas ulcerações, que
surgem quase sempre nas regiões de dobras e na região perianal, apre-
sentam odor fétido, aspecto vermelho vivo e fácil sangramento.
O diagnóstico baseia-se no quadro clínico e na realização de pes-
quisa pelos corpúsculos de Donovan, em material coletado através de
biópsia. O tratamento é feito com a utilização de antibióticos.
Assim como nos casos de outras DST, é importante que o
cliente receba orientações quanto à higiene cuidadosa da genitália
e se abstenha de manter relações sexuais durante o tratamento
da doença.
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8.10 Candidíase (monilíase)
É uma das DST mais freqüentes, identificada nos relatos de
muitas mulheres e homens. É causada por um fungo chamado
Candida albicans, que habita a mucosa vaginal, sem causar sintomas
em 10% a 20% das mulheres, e se manifesta mediante condições de
desequilíbrio da flora vaginal, como gravidez, diabetes, Aids, uso
de medicação imunossupressora e hábitos de higiene inadequados,
dentre outras. A presença dessas condições permite que o fungo se
multiplique e, com sua superpopulação, produza os sintomas de
candidíase.
Suas principais manifestações clínicas incluem prurido vulvar,
ardor ou dor ao urinar, vermelhidão e edema da vulva e corrimento
branco, sem cheiro e espesso.
O diagnóstico pode ser feito através dos sinais e sintomas apre-
sentados e também com a realização de exames laboratoriais, como
a citologia. O tratamento é real izado com a uti l ização de
antifúngicos. Compete à equipe de enfermagem participar do trata-
mento, dando orientações de medidas de higiene que dificultarão a
proliferação do fungo e auxiliarão a prevenção de novos episódios
da doença.
Tais medidas compreendem passar a ferro o forro das roupas ín-
timas, utilizar apenas sabonetes neutros na higiene íntima, não enxugar
a vulva com rispidez após usar o vaso sanitário, não compartilhar roupas
íntimas, não manter relações sexuais enquanto estiver em tratamento,
encaminhar os parceiros sexuais para tratamento.
8.11 Tricomoníase
A tricomoníase é muito mais freqüente nas mulheres do que nos
homens. É causada por um protozoário chamado Trichomonas vaginalis,
que atinge a mucosa genital após relação sexual com indivíduo porta-
dor, assintomático ou não.
O doente apresenta corrimento amarelado, espesso, de odor féti-
do, dor no ato sexual (dispareunia), ardência e prurido na região genital.
No entanto, afirma-se que mais de 50% das mulheres portadoras são
assintomáticas.
Assim como em muitas DST, o diagnóstico pode ser realizado
através dos sinais e sintomas apresentados e também com a realiza-
ção de exames laboratoriais. O tratamento é feito à base de
antifúngicos.
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8.12 Pediculose genital
A pediculose genital, também chamada de \u201cchato\u201d ou ftiríase,
nada mais é que a infestação de piolhos nos pêlos da região genital,
especialmente na região do púbis, sendo de uma espécie diferente
daqueles que infestam os cabelos e o corpo. Hábitos de higiene ina-
dequados, como compartilhar roupas íntimas, de cama e toalhas, e a
convivência estreita em locais com más condições de higiene, como
presídios e casas de prostituição, favorecem o aparecimento da
pediculose pubiana.
O Phtirus pubis, agente da pediculose genital, também causa in-
tenso prurido, o que pode provocar até ulcerações na pele sob os pêlos
e conseqüente infecção destas pelas bactérias presentes nas mãos/unhas
e nos próprios piolhos.
Para diagnosticar a pediculose, basta verificar a distribuição
do prurido, concentrada nos pêlos, e não na vagina ou pênis, em-
bora os piolhos circulem livremente e possam causar prurido tam-
bém nessas regiões, quando se fixam na pele para sugar o sangue
do indivíduo.
O tratamento é feito com uso de sabonetes especiais à base
de permetrina, enfatizando-se a higiene íntima, procurando-se re-
tirar os piolhos e lêndeas dos pêlos, das roupas íntimas, de cama
e de banho utilizadas, que devem ser trocadas constantemente e
fervidas.
8.13 Giardíase e amebíase
A giardia e a ameba são protozoários freqüentemente presentes
no trato intestinal, onde tanto podem passar sem causar qualquer sinto-
ma como podem levar à ocorrência de distúrbios diarréicos severos e
importantes, sendo mais freqüentes entre as mulheres.
Se, após a evacuação, a mulher portadora desses microrganismos
realizar uma higiene incorreta, trará restos de fezes para a mucosa genital,
transportando os parasitas. A presença destes ocasionará infecção vagi-
nal ou uretral, que pode ser transmitida através das relações sexuais.
Sua transmissão também pode ser facilitada pela realização de sexo
anal, seguido de sexo vaginal, sem utilização ou troca de preservativos.
A prática de sexo anal seguida de sexo oral favorece o processo de
transmissão da giardíase e amebíase.
O diagnóstico é feito com base nos sintomas apresentados ou
mesmo pela detecção dos parasitas após a realização de exame pre-
ventivo ginecológico. A pesquisa dos parasitas nas fezes é essencial
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para determinar a escolha correta do tratamento, que é feito utilizan-
do-se antibióticos bastante potentes, disponíveis na rede básica de ser-
viços de saúde.
8.14 Ações de atenção básica frente
às DST/Aids
Com vistas a alcançar o controle das DST/Aids, o Ministério da
Saúde estruturou programas cujas ações se baseiam na prevenção da
ocorrência de novos casos, na detecção precoce e no tratamento opor-
tuno para os portadores de DST/Aids e seus parceiros.
Na rede básica de saúde, essas ações são concretizadas atra-
vés da realização de várias atividades. Na unidade de saúde ou na
comunidade, os esforços dos profissionais de saúde devem estar
comprometidos com trabalhos de educação em saúde que estimu-
lem os indivíduos à reflexão sobre como as condutas sexuais por
eles adotadas podem estar influenciando o aumento do risco de se
contrair DST/Aids.
No nível das ações de atenção básica, é importante realizar:
\u2013 busca de portadores assintomáticos de DST durante a realiza-
ção de atividades ligadas à discussão da sexualidade, e seu en-
caminhamento para o atendimento adequado;
\u2013 atividades de educação em saúde e aconselhamento pré-teste
anti-HIV para todos os portadores de DST e gestantes;
\u2013 encaminhamento das gestantes ao pré-natal , para
rastreamento com o teste VDRL, com vistas à eliminação
da sífilis congênita;
\u2013 triagem e referência dos pacientes com DST e seus parceiros às
unidades básicas de saúde, para manejo adequado.
Durante todo o processo que envolve desde a captação até a
assistência a um portador de DST/Aids, é necessário que os profis-
sionais estejam preparados para realizar uma forma de abordagem
denominada aconselhamento, que pode ser individual ou em grupo.
Para o aconselhamento, faz-se necessário que os profissionais
estejam devidamente capacitados pois este consiste em apoio emocio-
nal e educativo, constante discussão sobre a redução de riscos para
DST/Aids e adoção de práticas sexuais seguras. O aconselhamento,
desde que bem conduzido, é capaz de reduzir o estresse do cliente e
melhorar os índices de adesão ao tratamento.
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8.15 O que podemos fazer
para auxiliar a prevenção
de DST/Aids?
A melhor arma na defesa contra as DST/Aids é a informação.
Considerando tal fato, todas as oportunidades que surgirem para a rea-
lização de atividades junto à população exposta ao risco de contrair e/
ou transmitir essas doenças devem ser aproveitadas.
Devemos desmistificar a idéia de que apenas alguns grupos
populacionais, como homossexuais, profissionais do sexo ou usuários
de drogas injetáveis, estão expostos às DST/Aids. Também não é ver-
dade que uma pessoa não possa ter DST mais de uma vez.
Algumas condutas devem ser recomendadas, por serem seguras e
proporcionar a prevenção das DST/Aids:
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