Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 6
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 6


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a abordagem sobre o exercício responsável do seu direito
reprodutivo, como forma de vivenciar sua sexualidade e ter liberdade
sobre a escolha de tornar-se mãe ou não.
O Programa de Planejamento Familiar, do Ministério da Saú-
de, responsável pelo desenvolvimento das ações referentes ao ci-
clo reprodutivo, orienta-se especificamente por ações preventivas
e educativas e pela garantia de acesso igualitário a informações,
meios, métodos e técnicas disponíveis para a regulação da
fecundidade, inclusive a esterilização voluntária - permitida tanto
para homens como para mulheres com mais de 25 anos, ou pelo
menos com dois filhos, ou quando há risco de vida à saúde da
mulher ou do concepto.
As ações básicas previstas neste Programa preconizam, ainda,
que sejam repassadas informações sobre a anatomia e fisiologia do cor-
po feminino, métodos anticoncepcionais, seu funcionamento, vanta-
gens e desvantagens \u2013 tudo isto realizado através de metodologia de
práticas educativas e acesso a todos os métodos, para que a mulher
possa fazer a opção que a ela melhor se adeque.
A assistência à mulher durante as fases do ciclo gravídico-puerperal
compreende todas as ações previstas no Programa de Assistência Pré-
Natal \u2013 o qual deve ser estruturado com ações clínicas e educativas
que visem garantir a saúde da mulher e de seu filho. Para operacionalizar
essa assistência, há uma divisão pautada nas fases do ciclo: pré-natal
(gestação), parto e puerpério (período até 6 semanas após a gestação).
O objetivo destas atividades relaciona-se à redução das compli-
cações durante a gestação, que podem resultar em óbito materno e/ou
fetal. No Brasil, os coeficientes de morte materna são considerados
incompatíveis com o nível de desenvolvimento do país. Anualmente,
cerca de 3.000 mulheres morrem em alguma fase do ciclo gravídico-
puerperal, o que reflete desvalorização e desrespeito à vida, e baixa
qualidade dos serviços de saúde.
No puerpério, a mulher deve receber atendimento clínico e escla-
recimentos sobre o retorno à vida sexual, planejamento familiar, incen-
tivo ao aleitamento materno, práticas de puericultura e direitos previs-
tos em lei para as mães que trabalham ou contribuem com a Previdên-
cia Social.
Embora recente, a utilização de estratégias voltadas para a assis-
tência no puerpério devem ser rotineiramente implementadas, pois neste
período há uma concentração de morbimortalidade para a mãe, expres-
sa em distúrbios psíquicos, infecção vaginal, mastite e doenças circula-
tórias obstrutivas, entre outros sintomas.
A assistência à saúde da mulher no climatério, visando promover
uma vida digna nesta faixa etária, passou a ser uma necessidade devido
O Brasil é o segundo país em
mortalidade materna.
Direito reprodutivo \u2013 é o direito
do ser humano em decidir
sobre seu papel quanto à re-
produção: se irá ou não ter
filhos, quantos serão e que
métodos utilizará para não ter
gestações indesejadas, con-
forme dispõe a Lei no 9.263, de
12 de janeiro de 1996, que
regula o parágrafo 7 do art.
226 da Constituição Federal -
que trata do planejamento
familiar, estabelece penalida-
des e dá outras providências.
Em 1996, 21% das mulheres
que optaram pela
laqueadura tubária como
método contraceptivo tinham
idade inferior a 25 anos.
Após o nascimento de uma
criança, a mãe que contribui
com a Previdência Social tem
o direito, garantido em lei, de
cumprir licença-maternidade
de 120 dias para cuidar de
seu bebê, recebendo normal-
mente seus vencimentos. Em
alguns casos, é também con-
cedida uma licença para
amamentação. O pai tam-
bém tem o direito a 5 dias
úteis de licença-paternidade,
normalmente utilizados para
registrar o bebê e ajudar a
mãe a dele cuidar.
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 Saúde Coletiva
ao aumento da expectativa de vida da população brasileira como um
todo - para 75 anos de idade, em média.
Esta fase do ciclo vital feminino indica que a mulher passou da
fase reprodutiva, o que não significa o fim de sua sexualidade. É um
período de transformações e ocorre entre os 40 e 65 anos. O climatério
inicia-se gradualmente e está associado a uma série de alterações em
decorrência da perda de atividade dos ovários, causando mudanças
metabólicas (modificações das lipoproteínas), hormonais (queda pro-
gressiva dos níveis de estrogênio), genitais (ressecamento da mucosa
vaginal) e psicológicas (depressão), por exemplo.
Normalmente, não se faz necessário qualquer tratamento para a
menopausa, mas sim acompanhamento às situações que possam ofere-
cer algum risco à mulher ou impliquem perda de sua autonomia e/ou
comprometimento de sua integridade física (como a predisposição à
osteoporose) e emocional (baixa auto-estima, receio de \u201cnão ser mais
mulher como era antes\u201d).
Como o climatério é um período de transição, é importante res-
saltar a atenção que deve ser dada às questões reprodutivas pelo me-
nos até um ano após a menopausa - pois uma gestação nessa fase se
caracterizaria em risco de vida tanto para a gestante como para o
concepto.
Nesta faixa etária deve-se atentar para o aumento da ocorrên-
cia de DST/Aids. Por não mais se preocupar com a hipótese de uma
possível gravidez, a mulher sente-se mais livre para os relaciona-
mentos sexuais, ficando exposta a adquirir uma DST/Aids caso não
adote comportamento seguro. Outro aspecto é o fato de a mulher
viver um relacionamento duradouro e estável, o que a faz acreditar
que não corre o risco de adoecer. Orientá-la nesta fase é sempre um
desafio, pois suas opiniões já estão formadas, sendo mais difícil
mudá-las.
A assistência à mulher vítima de violência sexual tornou-se
uma necessidade devido ao aumento, tanto nos espaços urbanos
como nos rurais, da violência contra homens, mulheres e crianças.
A segurança, assim como a saúde, é dever do Estado, mas há muitas
barreiras para enfrentar tal problema, cujas causas residem princi-
palmente nas condições de desigualdade social e falta dos recursos
necessários para reduzir as desigualdades, e de investimentos na
segurança propriamente dita.
Dentre todas as formas, a violência contra a mulher, tanto física
quanto sexual, vem se destacando. Muitas vezes, ocorre dentro de sua
própria casa, realizada por alguém conhecido (pai, marido, irmão, na-
morado, etc.).
Ao ser procurado por uma mulher que sofreu violência, o pro-
fissional de saúde deve estar capacitado nos programas especiais de
A mulher vítima de violência
sexual está mais propensa a
uso de drogas, prostituição,
depressão, suicídio, doenças
ginecológicas e sexualmente
transmissíveis e distúrbios da
sexualidade, pois a violência
gera um impacto psicológico
negativo, capaz de
desestruturar totalmente uma
pessoa24 .
24 Ministério da Saúde, 1998.
Osteoporose \u2013 é a doença
que atinge os ossos, caracte-
rizada pela perda de massa
óssea decorrente de uma
baixa absorção de cálcio
pelos ossos.
A principal alteração do
climatério é a menopausa, ou
seja, a suspensão permanen-
te do ciclo menstrual, que
ocorre em média entre 48 e 50
anos de idade.
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PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF
atenção, para garantir que o abuso por ela sofrido gere o mínimo
de medo, culpa e baixa auto-estima, seja nos aspectos físicos seja
nos psicológicos. Além disso, o serviço de acompanhamento gine-
cológico e obstétrico das unidades de saúde deve estar estruturado
para realizar as condutas e os encaminhamentos necessários.
Durante o atendimento, é importante que os profissionais
de saúde envolvidos sejam sensíveis às dificuldades que a mu-
lher apresenta para relatar o acontecido, havendo inclusive recu-
sa em ser assistida por profissionais do sexo masculino. Cabe neste
momento reforçamos a necessidade de que seja prestado um aten-
dimento humanizado, valorizando as questões subjetivas expres-
sas pela mulher (sentimentos, medo, dúvidas, incertezas), procu-
rando proporcionar-lhe algum conforto para que possa sentir-se