Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 6
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 6


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sociais. Em nenhuma hipótese este documento deve ficar retido
pelos profissionais, pois sua guarda é responsabilidade dos pais
ou responsáveis da criança.
De grande importância, o Cartão da Criança (Anexo III) possi-
bilita a identificação de distúrbios no crescimento pondero-estatural
(ganho de peso e altura) através do método gráfico da \u201ccurva de cres-
cimento\u201d. Quando há alguma alteração na curva, pode-se detectar a
ocorrência de distúrbios nutricionais como baixo peso para a idade,
desnutrição calórico-protéica ou sobrepeso, o que contribui sobre-
maneira para o planejamento e implementação de ações que visem
controlar estes problemas.
O preenchimento do Cartão da Criança, no gráfico da curva de
crescimento de acordo com a idade, segue as seguintes regras básicas:
\u2013 o primeiro peso a ser registrado deve ser o peso ao nascer;
\u2013 a pesagem periódica da criança deve ser realizada em uma ba-
lança adequada à sua idade;
\u2013 o peso da criança será registrado diretamente no gráfico atra-
vés de um ponto (·), com a localização relacionada à idade da
criança;
\u2013 com as sucessivas pesagens, os pontos são ligados uns aos ou-
tros, formando o desenho da curva do crescimento.
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A interpretação da curva é feita de acordo com a forma que ad-
quire com o passar do tempo: se a curva está subindo, significa que a
criança está ganhando peso e crescendo adequadamente; se a curva
não sobe nem desce, o ganho de peso pode estar estacionado, requeren-
do a identificação de fatores relacionados a este fato e que intervenção
deve ser feita junto à família; se a curva está descendo, a criança pode
estar caminhando para uma desnutrição ou sofrendo algum agravo que
necessita abordagem imediata, encaminhamento e, às vezes,
hospitalização.
Logo abaixo do gráfico de ganho de peso, nos campos onde de-
vemos preencher a idade da criança quando realizamos a pesagem, há
espaço para o registro da ocorrência de outras doenças no período
antecedente ao atendimento na unidade de saúde ou em outros espa-
ços sociais, como o domicílio, por exemplo. Assim, caso outros pro-
fissionais interessem-se por estas informações poderão obtê-las com
facilidade.
Podemos também identificar a situação vacinal da criança me-
diante avaliação do calendário vacinal.
12- SAÚDE DO ADOLESCENTE
O Estado brasileiro não pode ignorar o espírito ino-
vador e construtivo da juventude, nem tampouco a impor-
tância de sua contribuição para o desenvolvimento do país,
o que exige, como um todo, a especial atenção e mobilização
dos vários setores de políticas públicas e da sociedade civil
para que os jovens tenham acesso a bens e serviços que pro-
movam sua saúde e educação, melhorando, assim, a sua qua-
lidade de vida.
A importância demográfica do grupo de adolescentes,
indivíduos na faixa etária de 10 a 19 anos, e sua
vulnerabilidade aos agravos de saúde, bem como às questões eco-
nômicas e sociais nas suas vertentes de educação, cultura, trabalho,
justiça, esporte, lazer e outros determinam a necessidade de aten-
ção mais específica e abrangente.
No entanto, os serviços que prestam assistência adequada às ne-
cessidades destes jovens são insuficientes, com acesso restrito, gerando
uma demanda reprimida.
Para tentar superar esta situação e estabelecer a assistência ade-
quada às necessidades dos jovens, é necessário conhecer seus proble-
É muito importante orientar os
responsáveis para que tratem
o Cartão da Criança como um
documento e o levem para ser
utilizado pelas equipes de
saúde, seja nas unidades
básicas de saúde, escola,
hospitais ou domicílios.
Um adolescente de 13 anos,
com 1,70 de altura, deve ficar
internado na pediatria ou na
clínica médica? E em uma
unidade básica de saúde,
que atendimento receberá?
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 Saúde Coletiva
mas e suas especificidades evolutivas, discutindo estratégias que se
constituam como um conjunto de ações, integradas e intersetoriais,
voltadas para o diagnóstico precoce, tratamento e recuperação e pro-
moção à saúde, que lhes garantam uma assistência de forma integral,
satisfatória e com resolubilidade.
12.1 O profissional de saúde e o cliente
adolescente
Para entendermos os adolescentes, faz-se necessário saber que
\u201ca adolescência é uma fase da vida do ser humano de profundas trans-
formações físicas psicológicas e sociais. Conceitualmente, entende-se
como adolescência a segunda década da vida, momento em que se es-
tabelecem novas relações do adolescente com ele mesmo, nova ima-
gem corporal, novas relações com o meio social, com a família e com
outros adolescentes\u201d26.
Nesta fase da vida ocorre a definição dos valores, resultando na
tomada de decisões que influenciarão o resto da vida (manifestação
sexual, carreira a seguir, projeto de vida, perspectivas, etc.). Conside-
rando-se tal fato, para auxiliar as futuras opções dos adolescentes faz-
se necessário colocar à sua disposição informações que contribuam
positivamente para escolhas saudáveis, de modo que possam, entre
outros adolescentes, tornar-se multiplicadores destas informações.
Além disso, é preciso estimular a sua inserção nos serviços de saúde e
em outros serviços de caráter intersetorial com a educação, esporte,
lazer, por exemplo.
Geralmente, há nos serviços de saúde um despreparo profissio-
nal e institucional para oferecer atendimento às necessidades específi-
cas dessa clientela, além da falta de priorização dos adolescentes en-
quanto usuários. Conseqüentemente, as iniciativas de atenção ao ado-
lescente restringem-se a um atendimento assistencialista/curativo, e
não-educativo participativo.
12.2 A assistência à saúde do adolescente
Para tentar modificar estas distorções no modelo de prestação de
assistência, muitos avanços foram alcançados pelos profissionais e ins-
tituições de saúde. O maior deles foi a criação, em 1989, do PROSAD,
o Programa de Atenção à Saúde do Adolescente, que propôs as altera-
ções necessárias para o enfrentamento da problemática que atinge esse
segmento populacional.
As diretrizes do Programa de Saúde do Adolescente procuram
atender as principais demandas desta parcela da população, com um
enfoque integral as ações serão promovidas e efetuadas dentro do con-
ceito de saúde proposto pela OMS como o \u201ccompleto estado de bem-
26 Takiuti, 1988.
27 Estatuto da Criança e do Adolescente,
1990.
Quem são os adolescentes?
Que grupo é este que, no Bra-
sil, estima-se corresponder a
aproximadamente 32 milhões
de pessoas, ou seja, 21,84%
da população?
Art. 4º - É dever da família, da
comunidade, da sociedade
em geral e do poder público
assegurar, com absoluta prio-
ridade, a efetivação dos direi-
tos referentes à vida, à saúde,
à alimentação, à educação,
ao esporte, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à li-
berdade e à convivência fami-
liar e comunitária27.
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estar biopsíquico e social, e não apenas a ausência de enfermidades ou
doenças\u201d, constituindo-se como um conjunto de ações, integradas e
intersetoriais, voltadas para o diagnóstico precoce, tratamento e recu-
peração e promoção à saúde para a melhoria dos níveis de saúde da
adolescência e juventude.
É importante dispor de uma equipe sensibilizada quanto à pro-
blemática dos adolescentes, se possível composta por profissionais de
várias áreas, os quais devem trabalhar buscando reunir seus esforços,
com objetivos comuns a serem atingidos. Os profissionais de saúde pre-
cisam estar capacitados a lidar com esta clientela, para realizar aborda-
gens adequadas e que possibilitem um trabalho contínuo de educação em
saúde, no qual o adolescente esteja envolvido não apenas como ouvinte
mas também possa intervir com sua criatividade e reflexão crítica e, as-
sim, assimilar melhor os conteúdos.
No quadro a seguir, são listados os principais problemas perti-
nentes