Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 6
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 6


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à adolescência e as prioridades de ação dentro do Sistema Único
de Saúde (SUS), na tentativa de solucioná-los.
12.3 Atenção ao crescimento e
desenvolvimento
Nas unidades de saúde, as atividades de acompanhamento do cres-
cimento precisam de alguns elementos para serem desenvolvidos:
\u2013 conjunto de impressos adequado ao seu acompanhamento -
como poucas unidades de saúde possuem atendimento especí-
fico para adolescentes, os prontuários terminam sendo adapta-
dos para serem utilizados por estes clientes. É importante que a
Principais problemas Prioridades de ação
Violência (sexual, doméstica, Vigilância, informação contínua e ações educativas para
homicídios, uso de drogas) adolescentes, famílias e sociedade
Mortes por causas externas Adolescentes como promotores de saúde, agentes multiplicadores
(acidentes de trânsito, principalmente) (ações integradas com a educação e serviços de trânsito)
Gravidez não-planejada Orientação sexual (descoberta do corpo, novos sentimentos
(de risco e precoce), DST/AIDS e prazeres, métodos contraceptivos, relacionamento interpessoal
e familiar, auto-estima e relações de gênero), acesso facilitado
e continuidade na dispensação de métodos contraceptivos, com
ênfase na dupla proteção, integração com a educação para ações
educativas em sexualidade e saúde reprodutiva
Baixa escolaridade e inserção precoce Inclusão na escola, capacitação profissional, intervenções
no mercado de trabalho no processo de exclusão do mercado competitivo de trabalho:
sua origem na infância desvalorizada, detecção e tratamento
de agravos à saúde decorrentes de trabalhos insalubres
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 Saúde Coletiva
equipe exercite sua criatividade e, dentro das ações prioritárias
para os adolescentes, elabore instrumentos mais adequados à
identificação dos aspectos a serem observados, relevantes para
determinar suas condições de vida e saúde;
\u2013 conteúdo padronizado de atividades relativas ao adolescente
- com a implantação do PROSAD, espera-se que os serviços
de saúde que prestam assistência ao adolescente trabalhem
com prioridades semelhantes, adequando-se ao perfil
epidemiológico dos adolescentes atendidos, e estruturem seus
serviços de forma a atender oportunamente as necessidades
dessa clientela.
Os procedimentos realizados devem envolver os esforços de toda
a equipe, de modo a garantir a obtenção regular de dados sobre o cres-
cimento e desenvolvimento; o registro das informações, interpretadas
segundo parâmetros estabelecidos; busca de fatores causais para even-
tuais distúrbios detectados; e manutenção das atividades de forma a
intervir, quando necessário, sobre os fatores capazes de atingir o cres-
cimento e desenvolvimento.
12.4 Sexualidade e saúde reprodutiva
Na adolescência, ocorrem as mudanças físicas que transfor-
mam a menina em mulher e o menino em homem. Este fenômeno
se chama puberdade e ocorre, em geral, entre os 10 e 14 anos, no
sexo masculino, e entre os 9 e 13 anos, no feminino. Nesta fase, o
corpo desenvolve plenamente os órgãos que garantirão suas fun-
ções reprodutivas.
O despertar para a sexualidade intensifica-se na adolescência,
com a descoberta do próprio corpo e de novos sentimentos como amor
e paixão, carinho, beijos e toques e a descoberta do outro como impor-
tante e significativo. O início do ciclo menstrual e da primeira
ejaculação, associados a todas as mudanças percebidas pelos adoles-
centes, geram uma série de sensações e dúvidas. Portanto, neste perío-
do é importante estabelecer o diálogo, oferecendo informações que es-
clareçam todas estas transformações e ações educativas que propi-
ciem aos adolescentes participação ativa nas reflexões e discussões so-
bre o que lhes acontece. Caso contrário, podem desenvolver sua se-
xualidade com culpa, medo ou vergonha.
Os profissionais que realizam atendimento aos adolescentes de-
vem conhecer os fatores associados à expressão da sexualidade e à ocor-
rência de problemas nesta área. Assim, será possível planejar ações
junto aos adolescentes, na unidade de saúde ou na comunidade (asso-
ciações de moradores, escolas, clubes, igrejas), desenvolvendo ativi-
A sexualidade é uma forma
de expressão de sentimentos,
muito particular em cada indi-
víduo, que não depende ape-
nas de fatores biológicos
(sexo) e deve ser respeitada.
Suas várias formas de mani-
festação são influenciadas
pelos costumes, cultura, pres-
sões sociais e preconceitos,
gerando dúvidas e ansiedade
para o adolescente.
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dades educativas que busquem esclarecer as dúvidas mais comuns
relativas aos aspectos da adolescência (sexualidade, trabalho, estudo,
relacionamento com os pais, alimentação, cuidados com o corpo, etc.),
para que esta fase não resulte em repercussões negativas, físicas ou
psicossociais.
Há algumas décadas, levantamentos realizados vêm apon-
tando diminuição nas taxas de fecundidade em todas as faixas
etárias. A única exceção ocorre entre as adolescentes, com maior
percentual entre aquelas que têm de 15 a 19 anos de idade \u2013 o que
talvez possa ser explicado pelo fato de que apenas 54,1 destas jo-
vens utilizam algum método contraceptivo, e que muitas o façam
de forma incorreta.
Entre 1993 e 1998, observou-se um aumento de 31% no
percentual de parto de meninas de 10 a 14 anos atendidas na rede do
SUS. Em 1998, mais de 50 mil adolescentes foram atendidas em hospi-
tais públicos para curetagem pós-aborto, sendo que quase três mil delas
tinham de 10 a 14 anos28 .
É bem verdade que nem sempre as gestações na adolescên-
cia são indesejadas, o que indica outra questão a ser enfrentada.
Muitas jovens engravidam em função de um problema social, que
é a falta de perspectiva de vida, baixa auto-estima e problemas
familiares, como se a gestação pudesse lhes tornar adultas e inde-
pendentes mais cedo.
Em todo o mundo diariamente, mais de sete mil jovens \u2013 cinco
por minuto \u2013 são infectados pelo HIV, perfazendo um total de 2,6
milhões por ano, o que representa a metade de todos os casos
registrados. Estima-se que 10 milhões de adolescentes vivem hoje
com o HIV ou estão propensos a desenvolver a Aids nos próximos
anos. Aproximadamente, 80% das transmissões do HIV decorrem do
sexo desprotegido; e sabemos que o adolescente preocupa-se mais em
evitar a gravidez do que em prevenir as DST/Aids. O ideal seria que
sempre usassem o preservativo (masculino ou feminino), que lhes
proporciona essa dupla proteção.
Os profissionais de saúde devem estar preparados e sensibili-
zados para prestar aconselhamentos a adolescentes de ambos os se-
xos, de forma que a manifestação da sexualidade seja discutida de
modo responsável e amadurecido. Se nessa discussão for detectado
algum distúrbio físico ou psicológico, deve-se proceder o encami-
nhamento dos jovens aos serviços que atendem adolescentes - sob
as diretrizes do PROSAD - e, se necessário, aos serviços ligados ao
Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM) ou aos
serviços de DST/Aids.
28 Cannon, 1999.
A gravidez na adolescência é
considerada um fator que
pode desviar os adolescentes
do seu projeto de vida; mas
nem sempre é indesejada.
Estudos realizados na Santa
Casa de São Paulo aponta-
ram que 47,1% das 384 ado-
lescentes primigestas, quando
indagadas, responderam que
desejaram ficar grávidas.
Assim sendo, torna-se im-
prescindível reexaminar as
concepções implícitas nas
abordagens convencionais de
prevenção da gravidez na
adolescência e reavaliar o
processo de aumento da ma-
ternidade/paternidade entre
os adolescentes - gravidez
essa que para alguns adoles-
centes faz parte do seu projeto
de vida, não sendo nem irres-
ponsável, nem acidental.
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 Saúde Coletiva
12.5 Saúde do escolar adolescente
A entrada do adolescente no mercado de trabalho ocorre cada
vez mais cedo. Há cerca de 10 anos, em torno de 17% dos jovens entre
10 e 14 anos e 57%