Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 6
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 6


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assistência objetivando prevenir alterações no orga-
nismo. É bem mais freqüente buscarmos atendimento apenas quan-
do da existência de algum sintoma ou sinal preocupante. E essa
demanda serve como parâmetro aos serviços de saúde para a avalia-
ção do perfil epidemiológico da população, procurando, assim, man-
ter uma vigilância constante. Portanto, vigiar as doenças e agravos é
importante para conhecermos o seu modo de manifestação, que in-
divíduos têm maior facilidade para contraí-las, qual a faixa etária mais
atingida, em que época do ano ocorrem com mais freqüência, que
localidades apresentam maior número de casos de determinada doença
e sobre quais determinantes faz-se necessário intervir para atender às
necessidades de saúde da população.
A vigilância epidemiológica (VE) é um serviço que reúne um
conjunto de ações que permite acompanhar a evolução das doenças
na população. Funciona como um \u201ctermômetro\u201d, um indicador de
que ações devem ser priorizadas no planejamento da assistência à
saúde. Se, por exemplo, for detectado o aparecimento de muitos
casos de sífilis congênita em uma maternidade localizada na área X,
tal fato indica ser necessário que os gestores realizem maiores inves-
Grupos suscetíveis \u2013 são grupos
populacionais que, pelo com-
portamento ou condições de
vida, se encontram expostos a
determinada doença ou agra-
vo. Os fumantes constituem um
grupo suscetível ao câncer de
pulmão, por exemplo.
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 Saúde Coletiva
timentos em assistência pré-natal naquela área, visando controlar a in-
cidência de casos.
Entretanto, para que a vigilância epidemiológica possa pro-
por ações de prevenção e controle a partir do estudo do comporta-
mento das doenças e agravos à população, é importante seguir algu-
mas etapas:
! coleta de dados \u2013 consiste em buscar junto às fontes de dados
(população, imprensa, serviços de saúde, escolas, creches, pre-
sídios e indústrias) as informações relevantes que possam cola-
borar na identificação de situações de risco. Os dados podem
ser agrupados como demográficos e ambientais, de morbidade
e mortalidade. As informações obtidas sobre casos de doenças,
agravos e epidemias devem ser consideradas somente após pré-
via investigação para confirmar ou descartar o caso, pois mui-
tas vezes sua divulgação, além de assustar a população, tem
origem duvidosa;
! processamento dos dados \u2013 significa reunir todos os dados
coletados e agrupá-los de acordo com seu grau de importân-
cia e relevância. As informações são organizadas em gráfi-
cos, quadros e tabelas, para permitirem melhor visualização
dos problemas e seus determinantes. Geralmente, são orde-
nadas em ordem de ocorrência e separadas por mês, bairro
de moradia do doente, unidade que notificou a suspeita do
caso e região do município, estado e país;
! análise dos dados \u2013 busca interpretar as informações
coletadas, procurando estabelecer as relações causais. Sua
realização permite que os responsáveis pela vigilância
epidemiológica relacionem os determinantes de doenças e
agravos. Por exemplo, ao se estudar o período de maior re-
gistro de doentes com câncer de pele, estabeleceu-se relação
com o verão, época em que as pessoas permanecem mais
tempo expostas ao sol, e com as profissões que, para seu
desempenho, exigem exposição ao sol forte: lavradores e ven-
dedores ambulantes na praia, entre outras;
! recomendação de medidas de controle e prevenção \u2013
aponta que precauções podem ser recomendadas no con-
trole e prevenção da ocorrência da doença. As campanhas
de vacinação, as campanhas educativas disseminadas pela
televisão e na escola, a campanha de controle do diabetes
são exemplos de medidas empregadas com esse fim;
! promoção das ações de controle e prevenção \u2013 consiste
em planejar e executar ações como vacinações, tratamento
dos doentes, controle do ambiente, divulgação de informa-
ções sobre precauções para transmissão de doenças;
Os laboratórios também re-
presentam uma fonte de da-
dos. Os resultados de exames
laboratoriais solicitados na
rotina da vigilância
epidemiológica são importan-
tes para complementar o dia-
gnóstico e possibilitar a confir-
mação diagnóstica, devendo
ser repassados para os siste-
mas de vigilância.
No caso do teste anti-HIV, os
laboratórios não repassam
seu resultado aos serviços de
saúde por estarem impedidos
em razão do sigilo profissio-
nal ao qual estão sujeitos.
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PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF
! avaliação da eficácia das medidas \u2013 é a análise dos resulta-
dos das ações, visando identificar se as metas propostas fo-
ram alcançadas e avaliar seu impacto na saúde coletiva, por
meio dos indicadores de saúde. Por exemplo: o Programa
Saúde da Família planeja atender um quantitativo de famílias
em determinado território e em um dado período. Ao final
do prazo estipulado, a equipe do PSF deve avaliar se conse-
guiu ou não atingir a meta proposta e que fatores foram res-
ponsáveis pelo alcance ou não da meta;
! divulgação das informações \u2013 objetiva mostrar os resultados
alcançados de forma simples e clara, de modo que todos os
interessados possam compreendê-los. Após a realização de uma
campanha de vacinação, é comum que as secretarias de Saúde
divulguem o número de doses de vacinas aplicadas e de pesso-
as vacinadas, para que se tenha a noção do impacto das medi-
das adotadas.
 Os ambulatórios, unidades básicas de saúde e hospitais repre-
sentam importantes fontes de informação para a realização da vigi-
lância epidemiológica, em virtude de prestarem assistência direta à
maioria da população.
Por esse motivo, realizam com maior freqüência a notifica-
ção, entendida como \u201ca comunicação da ocorrência de determinada
doença ou agravo à saúde, feita à autoridade sanitária por profissio-
nais de saúde ou qualquer cidadão (...)\u201d9.
 A notificação é essencial para o efetivo conhecimento da rea-
lidade vivida pela população assistida, bem como para a adoção de
medidas de intervenção pertinentes, sendo importante seu registro e
divulgação. Apesar desse fato, muitos profissionais desprezam a
importância dessa prática na determinação das condições sanitárias
populacionais, provocando, assim, uma subnotificação \u2014 quando
o número de registros de ocorrência de casos de doenças é menor
do que o realmente ocorrido \u2014, o que impede o poder público atuar
no atendimento às reais necessidades da população.
Visando acompanhar a notificação de doenças de grande im-
pacto coletivo, foi criada uma lista de doenças de notificação obriga-
tória em todo o território nacional, a qual deve ser periodicamente
atualizada. Denominada lista de doenças de notificação compulsória, é
atualmente constituída apenas por doenças transmissíveis, o que é bas-
tante questionável, haja vista o crescente aumento do número de pes-
soas acometidas por doenças crônicas não-transmissíveis e provocadas
por causas externas, gerando doença e morte. No entanto, estados e
municípios podem incluir novas doenças na lista, desde que sejam cla-
ramente definidos o objetivo da notificação, os instrumentos e o fluxo
da informação.
A relação entre o número de
doses aplicadas de uma vaci-
na e o número de pessoas
que se objetivava vacinar é
expressa através de um cál-
culo denominado coberturacoberturacoberturacoberturacobertura
vacinal vacinal vacinal vacinal vacinal - através da qual os
serviços de saúde avaliam o
impacto do programa de
imunização.
9 Ministério da Saúde, 1998.
É comum você observar notifi-
cações feitas por profissionais
que atuam em consultórios
particulares? Que motivo você
identifica para justificar os
números de notificação por
eles realizados?
É bastante freqüente o fato de
muitos profissionais de saúde
não notificarem os acidentes de
trabalho, deixando, assim, de
contribuir com o planejamento
das atividades de educação
continuada das equipes.
A Portaria MS nº 1943, de 18
de outubro de 2001, traz a
última