Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 6
138 pág.

Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 6


DisciplinaCurso416 materiais336 seguidores
Pré-visualização43 páginas
atualização da lista de
doenças de notificação com-
pulsória.
30
 Saúde Coletiva
Outras importantes fontes de dados e de notificação são os siste-
mas nacionais de informação. Quando os profissionais ou a população
não notificam as doenças ou agravos aos serviços de saúde (centros ou
postos de saúde), o banco de dados pode ser alimentado por outras
fontes e documentos como boletins de produção ambulatorial, atesta-
dos de óbito, declarações de nascidos vivos, prontuários dos clientes
ou autorizações para internação hospitalar, por exemplo. Tais docu-
mentos irão contribuir para a avaliação de alguns indicadores de saúde
da população, sendo fundamentais para a determinação das priorida-
des assistenciais.
No Brasil, além do Sistema Nacional de Agravos de Notifi-
cação (SINAN) - que reúne todas as informações relativas aos agra-
vos de notificação, alimentado pelas notificações compulsórias -
existem outros sistemas de informações de interesse para a vigilân-
cia epidemiológica, dentre os quais se destacam:
! Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) \u2013 reúne os
dados relativos aos óbitos ocorridos. Alimentado pelos ates-
tados de óbito emitidos, possibilita o conhecimento da distri-
buição dos óbitos por faixa etária, sexo, causa e outras infor-
mações \u2013 variáveis de acordo com o interesse da consulta;
! Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC)
\u2013 permite conhecer quantas crianças nascem por ano e por
região, bem como as características ligadas à saúde da mãe
(idade gestacional, por exemplo) e do recém-nascido (pre-
sença de malformações congênitas ao nascer), apontando que
necessidades assistenciais devem ser atendidas na região dos
nascimentos para melhorar a qualidade da assistência pré-
natal e à criança;
! Sistema de Informações Hospitalares (SIH) \u2013 reúne in-
formações sobre a assistência prestada pelos hospitais. É ali-
mentado principalmente pelos dados contidos nas autoriza-
ções de internações hospitalares e pelos relatos contidos nos
prontuários dos pacientes. É importantíssimo para a defini-
ção do perfil epidemiológico da população assistida, pois mui-
tos doentes hospitalizados não chegam a ser assistidos nas
unidades básicas de saúde, principal fonte de notificação dos
serviços de epidemiologia locais;
! Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA) \u2013 reúne as
informações obtidas com os atendimentos ambulatoriais, seja
em unidades básicas de saúde, seja em hospitais. Permite,
entre outros dados, verificar se todos os atendidos em um
ambulatório são moradores da região, indicando a falta de
serviços voltados para o atendimento das necessidades dos
moradores que se deslocam de muito longe para obter servi-
ços de saúde;
31
PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF
! Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN)
\u2013 permite conhecer o perfil das condições nutricionais. As
informações disponíveis possibilitam constatar a ocorrência
de desnutrição e sua distribuição, permitindo, assim, a deter-
minação de medidas que controlem e previnam sua ocorrên-
cia. Com o aumento dos casos de doenças não-transmissíveis,
assume importância na vigilância sobre a obesidade, fator
determinante de risco cardiovascular;
! Sistema de Informações sobre Ações Básicas (SIAB) \u2013 cria-
do mais recentemente, esse sistema destina-se a reunir infor-
mações acerca das atividades desempenhadas em nível de aten-
ção básica. É utilizado para medir o impacto das ações básicas
desenvolvidas, auxiliando na determinação das prioridades e
avaliação do que já foi feito pelas equipes dos Programas Saú-
de da Família e Agentes Comunitários de Saúde (PSF e PACS).
3.1 Medidas de controle e prevenção
em vigilância epidemiológica
As ações de vigilância epidemiológica são hierarquizadas,
ou seja, cada nível assume responsabilidades para com o plane-
jamento e execução das medidas e ações a serem empreendidas.
O nível central (Governo Federal/Ministério da Saú-
de) é o grande responsável pela determinação e regulamentação
nacional das ações de vigilância epidemiológica. Nele, as ações são
discutidas para, somente após, serem recomendadas a todos os
estados da Federação. Detém as bases de dados dos sistemas de
informação da vigilância epidemiológica - que reúnem todas as in-
formações referentes à saúde e às doenças no Brasil.
Ao plano regional, correspondente aos estados da Fe-
deração (Secretarias de Estado de Saúde), cabe coordenar as
ações de vigilância desenvolvidas pelos municípios, procu-
rando estabelecer prioridades de acordo com as informa-
ções obtidas, prestando consultoria.
As centrais estaduais de regulação de transplante de ór-
gãos são exemplo de ação de vigilância diretamente desenvolvi-
da pelo nível de gestão regional. Por seu intermédio as secretari-
as estaduais de Saúde controlam o número de doadores, os pacientes
para os quais o transplante é prioritário, a localização dos possíveis doado-
res e que hospitais dispõem de estrutura para realizar a intervenção cirúrgi-
ca necessária. Assim, é possível conhecer as necessidades relacionadas a
um problema de saúde específico e intervir diretamente sobre ele, estabele-
cendo uma rede de comunicação entre as unidades locais coordenadas pe-
las centrais.
32
 Saúde Coletiva
Ao nível local, traduzido na figura do município (Secretarias
Municipais de Saúde) e sua região administrativa (Distritos Sanitários),
cabe executar as práticas de vigilância, desenvolvendo as ações mais
diretamente relacionadas aos indivíduos, por meio dos serviços
assistenciais oferecidos. Neste nível, principalmente, faz-se necessário
que os serviços de saúde estejam informados da ocorrência das doen-
ças de notificação compulsória para que possam, assim, planejar e
implementar as medidas de promoção, prevenção e controle adequa-
das às necessidades da população local \u2013 o que chamamos \u201cinforma-
ção para a ação\u201d.
As ações de vigilância epidemiológica variarão de acordo com
os objetivos pretendidos, contribuindo para o controle e preven-
ção de determinada doença ou agravo - entretanto é sempre impor-
tante considerar em seu planejamento e adoção que o sucesso de-
penderá diretamente da proximidade com os determinantes causa-
dores da doença ou agravo sobre os quais se pretende intervir. Al-
gumas medidas de vigilância epidemiológica são mais conhecidas
pelos profissionais devido à freqüência com que são recomendadas
e executadas, o que se explica pelo fato de, atualmente, as ações de
vigilância epidemiológica estarem centradas no controle e preven-
ção de doenças transmissíveis. Dentre as mais freqüentemente reco-
mendadas, destacamos:
\u2013 a investigação epidemiológica \u2013 processo que permite acom-
panhar a ocorrência de uma doença ou agravo nos indivíduos,
operacionalizada mediante um inquérito epidemiológico, ou
seja, pelo preenchimento de ficha de investigação que reúne as
informações sobre as condições relacionadas ao adoecimento
do indivíduo, com vistas a implementar o máximo de medidas
necessárias para garantir a prevenção e controle. Nessa ficha, o
profissional de saúde relata a conduta adotada em relação ao
indivíduo acometido ou a seus comunicantes - em muitas loca-
lidades, é comum o auxiliar de enfermagem também ajudar nesta
investigação.
A investigação epidemiológica deve ocorrer sempre que for
notificado um caso suspeito de alguma doença. Significa que mes-
mo que o diagnóstico não esteja confirmado deve-se realizar a inves-
tigação e executar as medidas de controle e prevenção da transmis-
são, recomendadas pelos serviços de epidemiologia e padronizadas
pelo nível central (Ministério da Saúde);
\u2013 a busca de casos e visita domiciliar \u2013 quando os serviços
locais de epidemiologia, ao receberem notificações de doen-
ças de clientes atendidos, procuram localizá-los por meio de
aerograma, telefonema ou visita ao domicílio para realizar a
investigação epidemiológica;
Um indivíduo