Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 7
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 7


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ao mundo e que, portanto,
necessitará de recursos espe-
ciais, no caso a educação
especializada.
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 Saúde Mental
c) Fatores peri-natais
Peri-natal é tudo aquilo que acontece \u201cdurante\u201d o nascimento do
bebê. Em algumas situações o bebê pode sofrer danos neurológicos
devido a traumatismos ou falta de oxigenação do tecido cerebral. Nes-
ses casos, dependendo da gravidade desses danos, a criança poderá
desenvolver problemas neurológicos (como, por exemplo, a epilepsia
ou diversos tipos de atraso de desenvolvimento) que podem formar a
base para futuros transtornos psiquiátricos.
d) Fatores neuro-endocrinológicos
O sistema endócrino, que é responsável pela regulação do equilí-
brio de nosso organismo, faz isso através da produção de hormônios
pelas glândulas endócrinas (pituitária, tireóide). Acontece que esse sis-
tema tem estreita ligação com o sistema nervoso central, havendo uma
influência recíproca entre eles, isto é, o que acontece em um causa
reações no outro e vice-versa.
Muitos estudos recentes têm mostrado a ligação entre mecanis-
mos neuro-endocrinológicos e reações cerebrais. As mudanças
hormonais podem influenciar nosso estado de humor e deflagrar até
mesmo estados psicóticos como é o caso da psicose puerperal ou da
tensão pré-menstrual (TPM).
e) Fatores ligados a doenças orgânicas
O transtorno mental pode também aparecer como conseqüência
de determinada doença orgânica, tal como infecções, traumatismos,
vasculopatias, intoxicações, abuso de substâncias e qualquer agente
nocivo que afete o sistema nervosos central.
5.1.2. Fatores Ambientais
Você acorda pela
manhã e percebe que o
tempo mudou. O sol
que havia ontem não
apareceu hoje, faz frio e
cai forte chuva. Ao se
preparar para sair, com
certeza você buscará
roupas mais quentes e
procurará se proteger
com capa ou guarda chuva. Estamos, assim, procurando nos ajustar aos
fatores ambientais (nesse caso, climáticos).
Na verdade, estamos o tempo todo procurando formas de nos
adaptarmos, o melhor possível, ao que acontece à nossa volta. Tantos
Psicose puerperal - É um esta-
do psicótico que pode ocorrer
na mulher após o parto.
Por ambiente podemos definir
tudo aquilo que está \u201cfora do
indivíduo, que não é inerente
a ele, mas que está o tempo
todo à sua volta\u201d. Não há
como não estabelecer trocas
com o ambiente em que vive-
mos, estamos o tempo todo
interagindo com ele. Como
você interage e se adapta ao
ambiente em que você mora
ou trabalha?
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são os estímulos que sofremos que acabamos desenvolvendo maneiras
características de reagir, muitas vezes supervalorizando as informações
que nos chegam, outras vezes tornando-nos apáticos a elas. Que sensa-
ção você experimenta quando entra em contato com as constantes (e
massacrantes!) notícias de violência via rádio e televisão? As pessoas
costumam ter diferentes reações: algumas tornam-se apáticas a elas,
outras fazem uso do humor para digeri-las, outras tornam-se excessiva-
mente medrosas, e assim por diante. Como exemplo, uma paciente pas-
sou a pensar na possibilidade de fazer algum mal à sua pequena filha a
partir de noticiários de rádio que relatavam maus tratos e até homicídi-
os materno-infantis.
Os fatores ambientais exercem forte e constante influência sobre
nossas atitudes e nossas escolhas diárias, tanto externa quanto interna-
mente, isto é, como nos sentimos e enxergamos a nós mesmos. As rea-
ções a cada estímulo ambiental se darão de acordo com a estrutura
psíquica de cada pessoa, e essa estrutura psíquica estará intimamente
ligada às experiências que a pessoa teve durante a vida. Assim se esta-
belece uma relação circular entre todos os fatores geradores de trans-
torno mental onde um ocasiona o outro.
Para melhor compreensão, podemos dizer que os fatores
ambientais podem ser sociais, culturais e econômicos.
Como sociais podemos compreender todas as interações que te-
mos com o outro, nossas relações pessoais, profissionais e com outros
grupos. Estudos falam da importância das pessoas significativas em
nossa infância e de como ficam marcadas em nós as suas formas de
pensar e agir, assim como as reações que passamos a ter influenciam o
nosso comportamento diante de outras pessoas. Se, com as pessoas
importantes de nossa infância, aprendemos que existem pessoas que
não são confiáveis e que devemos estar sempre atentos para não ser-
mos enganados, possivelmente teremos dificuldades em confiar em al-
guém mesmo em nossa vida adulta.
Entre os fatores ambientais culturais podemos lembrar de todo
o sistema de regras no qual estamos envolvidos. Este sistema varia de
país para país, de estado para estado, de grupo para grupo, e também de
acordo com a época. Ou seja, noção de certo e errado, de bom e mau
varia muito dependendo do local e época em que estamos. Os mitos, as
crenças, os rituais que nos cercam, nos dão as noções de bem e mal que
são aceitas pelos grupos aos quais pertencemos, seja ele o nosso país, o
nosso grupo religioso, a nossa escola ou mesmo a nossa família.
Outro grupo de fatores ambientais que podemos perceber como
exercendo influência sobre nós são os econômicos. Nesse tópico tan-
to podemos nos referir à nossa possibilidade mais direta de aquisição
de bens, ou seja, \u201cnosso bolso\u201d, quanto às atuais condições sociais,
onde a miséria, aliada à baixa escolaridade, pode levar ao aumento da
criminalidade e esta ao aumento de tensão em nosso dia-a-dia.
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 Saúde Mental
Vale observar que todos estes grupos de fatores ambientais es-
tão presentes tanto em meios menos extensos, como a família, quanto
em meios mais amplos, como a própria humanidade.
5.1.3. Fatores emocionais ou psicológicos
Continuamos tentando compreender o que, afi-
nal de contas, torna as pessoas diferentes umas
das outras. O que faz com que se comportem
de uma maneira e não de outra. Já abordamos
os aspectos físicos e os ambientais e, não por
acaso, deixamos para abordar os aspectos
emocionais depois de bem compreendidos os
anteriores. Isso porque, como já foi visto an-
tes, os fatores influenciam-se entre si, mas no
caso dos aspectos emocionais estamos falan-
do de formação de identidade, que se inicia jus-
tamente com a conjugação dos aspectos físicos
e ambientais.
Cada pessoa vem a este mundo como ser
único, diferente de todos os outros. Cada um de
nós apresenta, mesmo ao nascer, uma forma de interagir com o mundo
que influencia o comportamento de quem está à nossa volta e é influ-
enciado por ele. Não é incomum as mulheres que possuem mais de um
filho afirmarem que foram bebês totalmente diferentes: um dormia mais,
outro chorava o tempo todo, ou estava sempre doente.
Também devemos lembrar que, quando nascemos, já trazemos
conosco uma \u201chistória de vida\u201d. Se fomos desejados ou não, se somos
o primeiro filho ou o décimo, se nossa estadia na barriga foi tranqüila
ou cheia de altos e baixos, se a mamãe fez uso de algum medicamento
ou droga que tenha nos deixado mais agitados ou mais apagados, se
tivemos ou não dificuldades maiores no parto, se fomos bem atendidos
e fomos logo para perto da mamãe, ou se tivemos que ficar mais tempo
longe (indo para uma UTI neonatal, por exemplo), se a mamãe ficou
bem após nosso nascimento (disponível para gente) ou se teve, por
exemplo, uma depressão puerperal.
Bom, estes são só alguns exemplos que mostram que nós já \u201cbota-
mos o pé na vida\u201d com algumas características que nos são indivi-
duais e que as interações que vamos estabelecer com o mundo, a
partir de nosso nascimento, serão formadoras de um modo de ser
caracteristicamente nosso, mais ou menos ajustado, ao qual chama-
mos personalidade.
Pois bem, voltemos a pensar um pouco no \u201cnosso bebê\u201d...
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Ao nascer, o bebê não tem ainda consciência de si mesmo e do
mundo à sua volta. Não consegue diferenciar suas sensações