Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 7
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 7


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boca seca, queimação no estô-
mago, ou ainda diarréia, náuseas, vômito, tonturas, turvação na vista.
Ansiedade está intimamente ligada às situações de mudança, uma
vez que teremos de sair do ritmo com o qual estamos acostumados, o
que mexe com nossa segurança. Por isso, todos nós experimentamos
ansiedade em vários momentos de nossas vidas. Ansiedade é uma
emoção normal, como a tristeza ou a alegria, e até um certo ponto
desejável, visto que pode estimular a inteligência e a criatividade, além
de nos impulsionar para mudanças necessárias.
Podemos dizer que a ansiedade torna-se um transtorno quando
mantém seu grau elevado por um período mais prolongado do que, por
exemplo, alguma situação de crise que estejamos passando, e/ou quan-
do se torna incapacitante, dificultando ou impossibilitando nossas ati-
vidades cotidianas.
5.3.2 Por falar em crise...
Crise é uma palavra das mais usadas atualmente. O país está em
crise, a saúde está em crise, o local onde trabalhamos geralmente está pas-
sando por uma crise, o paciente \u201cteve uma crise\u201d, nós estamos em crise.
Mas o que quer dizer crise dentro da Saúde Mental?
Existem coisas que acontecem uma vez ou outra em nossas vi-
das, e que podem nos parecer agradáveis ou desagradáveis, tais como
ter um filho, ficar doente, perder o emprego etc. Essas situações
muitas vezes nos pegam de surpresa e exigem que a gente busque
uma forma de se adaptar. Costumamos chamá-las de crise, um con-
ceito muito importante para quem procura compreender a pessoa
com transtorno mental.
O termo crise foi inicialmente empregado em Psiquiatria em 1963,
por Caplan e Lindemann, para descrever as reações de uma pessoa a
situações traumáticas, tais como uma guerra, desemprego, morte de
alguém querido.
Eric Erikson usou o mesmo termo para descrever as diversas
etapas normais do desenvolvimento de uma pessoa, momentos nos
quais ela teria que passar por mudanças. Ele identificou essas crises
que ocorrem na vida de todos nós desde o nascimento até a morte
(passando pela infância, adolescência, idade adulta e velhice) como
crises evolutivas. Ele também nomeou as crises imprevisíveis, anteri-
ormente descritas, como crises acidentais.
Em geral, na ansiedade tam-
bém podem ser observadas
reações comportamentais
como irritabilidade, dificulda-
des em conciliar o sono, difi-
culdades em ficar parado,
roer unhas, alterações de
apetite, aumento no uso de
álcool, cigarros e outras dro-
gas ansiolíticas.
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E qual é a importância de saber esse conceitos para quem vai
trabalhar com Saúde Mental?
Acontece que verificou-se que muitos pacientes com transtornos
mentais haviam tido seus sintomas intensificados após atravessarem
um período de crise. Outros tiveram seu primeiro episódio relativo ao
transtorno mental em questão durante ou após o período de crise. E
outros ainda sofreram alterações importantes de personalidade ao en-
trar em um período de crise, fosse ela evolutiva ou acidental.
Isso quer dizer que devemos estar atentos não só ao que já acon-
teceu ao paciente (história da doença atual), mas também ao que vem
acontecendo, que possa estar gerando um nível maior de tensão. Muitas
vezes o auxiliar de enfermagem é sentido como mais próximo pelo pa-
ciente do que os \u201cdoutores\u201d, e este sente-se mais à vontade em contar-
lhe das dificuldades atuais que possam estar gerando alterações em seu
quadro mental.
Outro ponto importante é procurarmos não \u201cminimizar\u201d a crise
alheia, com palavras como: \u201cAh! É só um período de crise, isso logo
passa.\u201d Crise é crise e, para cada pessoa, tem um peso diferente. Se
ficarmos usando os nossos parâmetros para medir o sofrimento do ou-
tro, perderemos o que há de mais importante no atendimento em Saúde
Mental (e em geral): o contato com o paciente e a percepção real do
transtorno em sua vida.
Só para encerrar a crise, ou melhor, o assunto, é interessante sa-
ber que, no vocabulário chinês, crise aparece como a fusão de duas
palavras: perigo e oportunidade. Vale pensar sobre isto, pois se as crises
nos trazem sofrimentos por vezes profundos, também nos trazem as
melhores oportunidades de mudança e crescimento pessoal.
5.3.3 Ansiedade... crise... e estresse são a
mesma coisa?
Hoje em dia, todo mundo se diz estressado. Estresse virou sinô-
nimo de irritação, cansaço, nervosismo, ansiedade, raiva e as mais di-
versas sensações e emoções.
Na verdade o estresse foi conceituado, em princípio, como um
conjunto de reações fisiológicas, comandadas pelo sistema nervoso
autônomo, possivelmente desenvolvidas em nossa longa história de adap-
tação ao mundo. Tais reações têm o objetivo de preparar nosso organismo
para lutar ou fugir diante de uma situação de perigo, que, na época das
cavernas, poderia ser, por exemplo, o ataque de algum animal.
Através dos tempos, o tipo de \u201cperigos\u201d aos quais podemos ser
submetidos foram se modificando (e multiplicando), mas as reações
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 Saúde Mental
fisiológicas permaneceram as mesmas. O estresse é uma resposta de
adaptação do organismo ao meio.
É normal, por exemplo, que ao passarmos à noite por um lugar
escuro e deserto e vendo dois sujeitos estranhos vindo em nossa dire-
ção, nosso coração dispare (para enviar mais sangue aos músculos),
nossas mãos fiquem frias (pois maior aporte sangüíneo está nos gran-
des músculos), nossa pele fique pálida (assim evitamos maior
sangramento, caso soframos algum ferimento), enfim ..., que nosso or-
ganismo, com sua \u201csabedoria\u201d milenar, se prepare para uma emergên-
cia, na qual ele vai precisar reunir energias para lutar ou fugir.
No entanto, não é normal nem desejável que estejamos em cons-
tante estado de alerta, sempre prontos para respostas de emergência,
pois o nosso organismo tem gastos excessivos de energia nesses mo-
mentos e precisa de um tempo para se recuperar.
O problema é que, hoje em dia, multiplicaram-se em milhões as
situações sentidas como perigosas, causadoras de ansiedade e
deflagradoras da resposta de estresse. O que antes era o medo de um
animal feroz, hoje é o trânsito, o chefe difícil, a ameaça de desemprego,
o resultado de algum exame importante, enfim tudo pode concorrer
para nos manter em estado quase constante de estresse.
Tanto o estresse crônico quanto o agudo podem ser precipitadores
de quadros de sofrimento mental, não só pelas inúmeras reações fisio-
lógicas, como também pelas emocionais que provocam.
A crise pode ser entendida como um agente estressor, ou seja,
que leva a respostas de estresse. Como já dito antes, precisamos estar
atentos para os fatores de estresse na vida atual das pessoas a quem
atendemos e também estar atentos para que não imponhamos a eles
mais situações estressantes desnecessárias.
Um indivíduo chega a um centro de saúde ansioso por sua
consulta com o psiquiatra, que havia sido marcada há algumas
semanas. Após alguns minutos é informado pela auxiliar de en-
fermagem que havia um engano na marcação, pois aquele não
era mais o dia do médico na instituição. O paciente, apresentan-
do evidentes sinais de estresse, reafirma em voz alta a sua neces-
sidade de atendimento, ao que a auxiliar de enfermagem respon-
de, com certa irritação, que nada tem a fazer (ignorando os sinais
apresentados). O paciente então perde o controle, começando a
atirar objetos e virar móveis. Enquanto é chamado o reforço da
segurança, outro profissional de enfermagem consegue conver-
sar com Seu João e este, sentindo-se ouvido, informa que possui
epilepsia, faz uso de anticonvulsivantes, os quais acabaram há
duas semanas, expondo sua necessidade urgente de nova receita,
O estresse crônico pode agir
em nossas defesas mais ou
menos como \u201cágua mole em
pedra dura...\u201d, enquanto o
estresse agudo às vezes é
como uma grande quantida-
de de explosivos \u2013 vai pedra
para todo lado.
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já que tem sofrido crises