Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 7
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 7


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por não o saberem, queixam-
se apenas de acordar freqüentemente à noite. Nesse caso, o uso de hip-
nóticos pode agravar o quadro.
Vale ressaltar que o sono induzido não é igual ao sono fisiológico
e que, com o tempo de uso de hipnóticos, estes tendem a diminuir seu
Estas são drogas que nem
sempre são usadas com
prescrição médica ou para
tratamento de transtornos,
sendo comum o seu uso
indevido.
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 Saúde Mental
efeito devido a tolerância. Ao tentar se suspender a medicação, a insô-
nia pode surgir mais acentuada que antes do uso da droga. A esse efeito
chamamos \u201crebote\u201d.
Freqüentemente há queixas de acordar na manhã seguinte com
uma sensação de torpor e sonolência (ressaca). Isso pode resultar da
falta do sono fisiológico ou dos resíduos da droga, ainda não elimina-
dos do organismo. Por isso são contra-indicadas, para quem faz uso
de hipnóticos, atividades que exigem maior concentração, como dirigir
um automóvel por exemplo.
Drogas ansiolíticas são capazes de aliviar os sintomas de ansie-
dade sem interferir excessivamente em outras funções cerebrais. O tra-
tamento medicamentoso de ataques de pânico e das fobias é diferente
dos demais tipos de ansiedade.
Embora já existam uma diversidade de ansiolíticos disponíveis,
o termo \u201cansiolítico\u201d, ainda é utilizado mais especificamente para
benzodiazepínicos, como DiazepanR, LorazepanR, BromazepanR,
CloxazolanR e outros, por serem os preferidos para distúrbios da maior
parte das ansiedades. Nos casos em que a depressão acompanha a ansi-
edade e em muitos ataques de pânico, também se utilizam
antidepressivos associados.
Existem outras importantes indicações dos benzodiazepínicos que
são como medicação pré anestésica, antiepiléticos nas crises convulsivas
e no combate a crise de abstinência alcóolica.
A administração oral dos benzodiazepínicos é bastante eficaz e
seu efeito atinge o auge de 1 a 4 horas de sua administração. Ao ser
administrado por via endovenosa, exige uma infusão lenta e
monitorizada devido ao risco de parada respiratória. Não se recomenda a
sua utilização por via intramuscular, principalmente em casos de emer-
gência, pois há relatos que por esta via acontece uma má absorção.
Os benzodiazepínicos são metabolizados no fígado (com exce-
ção do OxazepanR e LorazepanR), por isso são contra-indicados para
pacientes com disfunção hepática ou idosos.
Os efeitos colaterais dos benzodiazepínicos não são numerosos
e traduzem-se em sonolência e perda de coordenação, podendo surgir
também fadiga, lentidão ou confusão mental. O que contra-indica seu
usuário para atividades que exigem concentração. É importante que as
mulheres usuárias sejam orientadas ao planejamento familiar, pois há
relatos de mal formações fetais quando utilizados durante a gravidez,
assim como de sua passagem no leite materno.
Os benzodiazepínicos podem causar tolerância e dependência,
podendo induzir a vícios e produzir reação de abstinência. Esta é a
razão porque não se recomenda mais normalmente tratamentos pro-
longados com essas drogas. Após um longo período de tratamento, as
Quando uma criança está
utilizando um medicamento, é
essencial o controle por parte
de todos os responsáveis. O
profissional de saúde deve
orientar quanto aos sinais de
efeitos colaterais que nem
sempre a criança informa
espontaneamente.
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doses devem ser gradualmente diminuídas, antes de serem completa-
mente suspensas.
Os neurolépticos ou antipsicóticos reúnem um grupo de dro-
gas com propriedades terapêuticas e farmacológicas comuns, em espe-
cial no tratamento de transtornos psicóticos como a esquizofrenia. Po-
rém, sua associação com formas dirigidas de psicoterapia parece me-
lhorar ainda mais o prognóstico em relação ao funcionamento global e
à adaptação social de pacientes crônicos. Transtornos psicóticos não
esquizofrênicos associados ou não a distúrbios orgânicos, deficiências
mentais e transtornos afetivos com sintomas psicóticos, também res-
pondem a esta classe de drogas.
Muitos pacientes esquizofrênicos usam antipsicóticos continua-
mente para evitar recaídas ou devido à permanência de sintomas resi-
duais. Uma das principais causas de recidivas em pacientes
esquizofrênicos é a interrupção da medicação.
Grande parte da melhora clínica ocorre de seis a oito semanas do
início do tratamento, podendo este prazo estender-se de 12 a 18 sema-
nas. Essas drogas não causam tolerância, dependência ou síndrome de
abstinência associadas ao seu uso.
O ajuste da dose é variável de acordo com o paciente, sendo
muitas vezes necessária a associação de neurolépticos orais durante os
primeiros dias de tratamento, até que a dose de equilíbrio seja
estabelecida.
Os neurolépticos utilizados no controle da agitação psicomotora
em geral são administrados por via intramuscular.
Os efeitos colaterais dos neurolépticos são inúmeros, porém só
alguns deles se desenvolvem em dado paciente. É importante que você
os conheça para comunicar ao médico ou enfermeira assim que detectá-
los, evitando assim seus agravos ou mesmo a morte de usuários.
A escolha medicamentosa no caso destas drogas se dá muito mais
pelo perfil de efeitos colaterais e riscos que causam, que por sua ação
terapêutica, muito semelhante em todas elas.
Os efeitos colaterais dos antipsicóticos que ocorrem ao nível do
Sistema Nervoso incluem:
! Efeitos oculares:
A retinite pigmentosa é causada pelo depósito da droga na reti-
na, provocando um processo inflamatório, que pode levar ao prejuízo
da visão e até à cegueira.
O bloqueio que esta droga causa no Sistema Nervoso Autônomo
(SNA) periférico pode dificultar a acomodação do cristalino, fazendo
com que a visão de objetos próximos fique borrada, podendo chegar ao
glaucoma nas situações mais graves. Aparece no início do tratamento e
pode vir acompanhada de fotofobia decorrente de midríase.
Quando um tratamento é in-
terrompido, podem ocorrer
reações de abstinência que
podem ser confundidas com
uma piora do quadro de ansi-
edade. Por isso, o auxiliar de
enfermagem deve estar aten-
to e relatar caso tenha perce-
bido qualquer sinal ou sinto-
ma que a indique, como: an-
siedade, tremores, cefaléia,
insônia, anorexia e, em casos
mais graves, febre, convul-
sões e psicose.
Muitas vezes, observa-se no
paciente que utiliza
neurolépticos a Síndrome
Parksoniana, também cha-
mada de impregnaçãoimpregnaçãoimpregnaçãoimpregnaçãoimpregnação,
caracterizada por tremor devi-
do à ação do medicamento
no sistema nervoso central.
Por isso constantemente asso-
cia-se drogas antiparkso-
nianas no controle dos sinto-
mas de impregnação.
Quem já trabalhou em Saúde
Mental sabe que não é raro
receber comunicados de que
usuários de antipsicóticos tive-
ram uma \u201cmorte súbita\u201d.
Glaucoma \u2013 Aumento da
pressão intraocular
Fotofobia -Dificuldade de en-
xergar em locais iluminados.
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 Saúde Mental
! Efeitos hematológicos:
- Agranulocitose (taxa de neutrófilos é menor que 500/mm3) - Deve-
se a ação tóxica desses medicamentos na medula óssea, ocorrendo no iní-
cio da oitava a décima segunda semana do uso da droga com alta taxa de
mortalidade. Seu início pode ser súbito, com febre, mal estar e infecção.
! Efeitos gastrointestinais:
- Xerostomia \u2013 É a secura excessiva da boca, sendo uma fonte
freqüente de queixas devido ao desconforto que traz no início do trata-
mento. O bloqueio no SNA que o antipsicótico faz ocasiona a inibição
da secreção da saliva ocasionando a boca seca, amargor, aftas, dificul-
dade para mastigar e aparecimento de cáries.
- Disfagia - É a dificuldade de deglutição, podendo ser causada
por alterações no peristaltismo esofágico ou por discinesias (alterações
com movimentos involuntários) da boca e língua. O paciente pode as-
pirar os alimentos, o que pode resultar em infeções pulmonares e asfi-
xia. Pode ainda ocasionar a perda