Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 7
124 pág.

Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 7


DisciplinaCurso416 materiais336 seguidores
Pré-visualização40 páginas
Durante o período de uma crise, o indivíduo tem a oportunidade
de desenvolver mecanismos que o ajude a controlar suas ações e rea-
ções ou passar por ela com uma total desorganização da compreensão
de sua essência. Ele pode tornar-se mais vulnerável e psicologicamen-
te instável, ou pode retomar sua vida normal, tendo o controle da sua
natureza. A compreensão e delimitação da fase que o cliente está
vivenciando requer que a intervenção seja precisa, coordenada e em
tempo adequado de restaurar os mecanismos de defesa do indivíduo.
Mas quem são os indivíduos mais vulneráveis à crise?
Geralmente são: desempregados, subempregados ou não satis-
feitos com sua ocupação; usuários de drogas lícitas e ilícitas; indivídu-
os que não conseguem lidar com seus próprios problemas, com baixa
estima que alimentam excessivamente os sentimentos de insegurança;
pessoas com história de crises mal resolvidas; indivíduos que subutilizam
os recursos de apoio social ou não acessam o sistema de apoio, como
família, amigos, igreja; pessoas que cultivam o sentimento de isola-
mento ou são impulsivas em excesso.
A suscetibilidade à crise normalmente é precipitada a partir de
eventos que popularmente as pessoas dizem ser a \u201cgota d\u2019água\u201d \u2013 como
a morte de um ente querido, mudança de status, casamento, separação,
gravidez especialmente fora do casamento ou indesejada, doença físi-
ca, perda de emprego, mudança nas condições de trabalho, aposenta-
doria, climatério, violência sexual, desastres naturais (enchentes, que-
das de barreiras).
Após contornada a crise, pensar no retorno deste indivíduo ao
meio social deverá ser a principal meta dos profissionais de saúde. A
intervenção a ser adotada é o diálogo direto, ativo, dirigido para os
sintomas e para o real acontecimento. Auxiliar o indivíduo a retornar
sua vida normal depois da crise é garantir sua permanência com o mes-
mo grau de importância nos espaços antes ocupados por ele, ou seja,
no trabalho, na escola, na família e na comunidade.
Para tal, as pessoas da equipe responsáveis em fazer a primeira
abordagem, de forma geral devem ter capacidade de escutar e ser des-
providas de preconceitos para melhor conhecer o mundo de inserção
deste indivíduo. Pode-se sugerir um modelo básico de seis etapas a ser
utilizado para intervenção em crise:
! Explorar e definir o problema com base na perspectiva do paci-
ente, prestando atenção nas mensagens não-verbais - Nem tudo
o que o indivíduo fala é o que sente. Os gestos, o olhar, o corpo
Essência - O que constitui a
natureza íntima das coisas, o
seu modo de ser, ou seja, a
própria existência.
103
PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF
podem indicar emoções que nem sempre são expressas em pa-
lavras. Um paciente pode pedir a você que o deixe sozinho en-
quanto chora e segura firmemente sua mão.
! Demonstrar de modo verbal e não-verbal que você se importa
com ele - O olhar, o tom de voz, a expressão são itens indispen-
sáveis para que o paciente confie no profissional de saúde.
! Providenciar segurança ao paciente, avaliando o grau de risco
para a segurança física e psicológica do mesmo e de terceiros.
Não se trata de fazer ameaças, mas sim de alertar o paciente
das conseqüências de atitudes impensadas, dialogando sobre
alternativas para comportamentos destrutivos impulsivos.
! Auxiliá-lo a buscar alternativas de escolhas disponíveis, faci-
litando a busca por apoio situacional (família e amigos), me-
canismos de defesa/adaptação e padrões construtivos de pen-
samento.
! Construir junto com o paciente planos realistas de curto prazo
que identifiquem recursos disponíveis e mecanismos de adap-
tação bem definidos. Isso só pode se efetuar através do hábito
de ouvir e conversar com o paciente. Mas é muito importante
que o profissional não se veja como um conselheiro e resolva
decidir as questões da vida do indivíduo.
! Obtenha do cliente o compromisso de seguir os passos neces-
sários, possíveis e aceitáveis para correção do problema.
Tentativas de auto-extermínio são crises. A conduta inicial é ava-
liar se o cliente apresenta risco de tentar novamente o suicídio. Em
geral, quanto mais agressivos, mais distantes da ideação suicida estarão.
A equipe de saúde deve ter consciência desta agressividade para abor-
dar, se possível, a questão com o cliente, trazendo-o para a realidade.
O risco de suicídio está relacionado com o seguinte perfil: idade
acima de 45 anos; sexo masculino; não casado; desempregado; instabi-
lidade nas relações interpessoais; tentativas anteriores de suicídios; ca-
sos de suicídio em família (principalmente dos pais); ser portador de
doença crônica ou dor crônica; história de depressão; psicose; abuso de
substâncias; distúrbios de personalidade; pouco acesso a tratamento
por razões sociais; idéias suicidas intensas, freqüentes; prolongado de-
sejo de morte e auto-punição; e isolamento social.
De uma forma geral, o cuidado de um indivíduo em situações de
crise tem como objetivo o resgate dele como dono de sua vida,
responsável pelo seu rumo, tendo em vista as opções oferecidas pela
realidade. O difícil é auxiliar o paciente a perceber que o controle
das opções em sua vida depende, entre outras coisas, da sua vonta-
de em superar a crise.
Dizer ao paciente que, se não
se comportar, será contido,
não é alertá-lo para riscos,
pois a contenção deve ser
sempre vista como um recurso
para evitar que o paciente se
exponha a riscos.
Ideação suicida \u2013 É o pensa-
mento ou idéia de morte.
104
 Saúde Mental
11.2. Avaliação Primária na Emergência
Psiquiátrica
Junto com o tratamento de emergência que segue as normas de
preservação das funções vitais do homem, é útil realizar uma avaliação
padronizada e inicial do estado psíquico de cada cliente.
A enfermagem deve estar preparada para dar início a esta avalia-
ção, já que é responsável, em casos de agitação psicomotora, por técni-
cas de contenção, sejam medicamentosas ou físicas, nas quais o conta-
to físico é inevitável. Além disso, geralmente é este grupo que circula
com o paciente nas dependências da unidade hospitalar, quando este
submete-se a exames complementares.
Geralmente os pacientes agitados portadores de transtornos men-
tais são excessivamente sedados, e podem necessitar emergencialmente
de proteção de vias aéreas por conta dos riscos de depressão respirató-
ria. Por outro lado, quando recebem medicações psicoativas, a despei-
to de terem se alimentado, correm o risco de broncoaspirar, se não
forem colocados em decúbito dorsal ou com a cabeceira elevada e a
cabeça lateralizada. Outra preocupação é com os sinais vitais, pois al-
guns psicofármacos podem ocasionar diminuição da pressão arterial.
Essas precauções de segurança, fruto da avaliação primária, evitam
agravos e complicações administrativas.
A avaliação primária realizada pela equipe de enfermagem nas
emergências psiquiátricas deve ter como base questionamentos e ob-
servações que sirvam como instrumentos do cuidar, considerando os
seguintes aspectos:
! Aparência - O paciente está extremamente limpo, sujo, agita-
do, calado? Olha nos olhos das pessoas que conversam com
ele? A atividade psicomotora está aumentada, diminuída ou
assume posturas bizarras. Está cheirando a álcool ou tem as
pupilas dilatadas (midríase) por uso de cocaína ou anfetaminas?
Interage com aqueles que lhe trouxeram à emergência ou recu-
sa a presença destas pessoas?
! Consciência - Está confuso e/ou sonolento? Compreende o
que está se passando ao redor? Apresenta distúrbios
neuropsicológicos como linguagem, memória e atenção preju-
dicadas? Conhece as pessoas que lhe trouxeram?
! Pensamento - Pensa e fala muito rápido, como em quadros de
mania, ansiedade, intoxicações? Está com pensamento lento,
como em depressão? É estranho e incompreensível, como em
psicoses? Vê vultos, insetos nas paredes, como no caso de
Delirium tremens? Escuta vozes, como