Profissionalização de Aux. de Enfermagem -  Caderno 7
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Profissionalização de Aux. de Enfermagem - Caderno 7


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e férias), de acordo com a natureza das atividades;
! período de descanso durante a jornada cotidiana, destinados
também a permitir a preservação da atividade mental autôno-
ma. Tais intervalos deverão ser em número e duração suficientes
para tais finalidades, em conformidade com as necessidades de-
terminadas pela carga de trabalho exigida em cada posto, evitan-
do as patologias do tipo lesões por esforços repetidos (LER);
! em se tratando de atividades reconhecidas como especialmen-
te desgastantes do ponto de vista psíquico, diversificar estas
atividades;
! para a prevenção da fadiga mental será obrigató-
ria, sempre que solicitada pelos trabalhadores - através
de seus sindicatos, comissões de fábricas, Comitê de Saú-
de ou Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA)
- a formação de grupos de avaliação dos condicionantes
de fadiga e tensão psíquica. Tais grupos deverão ser cons-
tituídos de forma igual entre os pares, por técnicos
especializados e trabalhadores do local, devendo, neces-
sariamente, ao final dos estudos, formular sugestões para
modificações - cuja implantação deverá ser acompanha-
da pelos trabalhadores, em todas as suas etapas;
! os prazos e as alternativas de modificação das condições
organizacionais e ambientais deverão ser objeto de negociação
entre empresas e trabalhadores;
! a duração normal do trabalho, para os empregados que traba-
lham em regime de turnos alternados e para os que trabalham em
horário fixo noturno, não poderá exceder 35 horas semanais;
! a preservação do emprego aos trabalhadores alcoolistas,
drogaditos e portadores de transtornos mentais deve ser asse-
gurada com garantia de estabilidade no emprego por 12 meses
após o retorno ao trabalho, penalizando-se as empresas e em-
pregadores que desrespeitarem a lei e garantindo-se que ne-
nhuma outra dependência cause exclusão do trabalho5
Pode-se perceber a categoria de enfermagem incluída nos itens
acima, principalmente no que diz respeito à exposição deste traba-
lhador a condições de fadiga e de tensão, vivenciada diariamente
pela equipe de enfermagem. Quando a pessoa só tem um emprego,5 Relatório da 2ª Conferência de Saúde
Mental, 1994, p. 51-54
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a carga horária é normalmente de 40 horas semanais, sendo
duplicada quando este trabalhador possui outro emprego. Conside-
rando que esta equipe é formada predominantemente por mulheres,
essa jornada pode ser tripla, com as atribuições domésticas (casa,
filhos, marido).
Além da jornada excessiva de trabalho, a equipe de enfermagem
vive em constante nível de estresse, pois seu objeto de trabalho é o
cuidar do outro com o seu sofrimento, com as lesões que transfiguram o
corpo, com os seus resíduos (urina, fezes e sangue), o que leva ao des-
gaste emocional do profissional.
Desta forma, é comum que se encontre nos corredores dos hos-
pitais profissionais em crise, alcoolistas, drogaditos e portadores de trans-
tornos mentais. São pessoas que estão doentes, se sentem doentes, mas
não podem ficar doentes por depender mensalmente daquele pequeno
salário para o sustento de sua família. Talvez a efetivação desta propos-
ta no âmbito legal e a criação de um serviço de saúde mental para aten-
der os profissionais de saúde, em particular os de enfermagem, pela
natureza de seu trabalho, já seria um solução.
Como pode-se perceber, o projeto-de-lei de autoria do deputado
Paulo Delgado demorou a ser sancionado no parlamento, o que não
impediu que, na prática, mudanças na estrutura dos serviços de atendi-
mento ao cliente em sofrimento psíquico fossem conquistadas. A
mobilização de familiares, usuários, gestores e profissionais de saúde
pela aprovação das propostas nos conselhos de saúde é que vem pressi-
onando as autoridades municipais e estaduais a investirem em atos con-
cretos que apontam para a ressocialização desta clientela.
Finalizando, você há de perguntar: e os pacientes que estão há
longo tempo hospitalizados, sem perspectiva de integração, que desti-
no terão? Essa também é a preocupação dos familiares destes doentes.
Na Lei nº 10.216 de 2001, isto está previsto no artigo 6º, que diz: \u201cO
paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize
situação de grave dependência institucional, decorrente de seu quadro
clínico ou de ausência de suporte social, será objeto de política especí-
fica de alta planejada e reabilitação psicossocial assistida, sob respon-
sabilidade da autoridade sanitária competente e supervisão de instân-
cia a ser definida pelo Poder Executivo, assegurada a continuidade do
tratamento quando necessário\u201d.
Outra referência é a Carta de Direitos dos Usuários e Familia-
res de Serviço de Saúde Mental (Anexo II), que contém, como o pró-
prio nome indica, os direitos destes usuários e sua família. Esta foi
elaborada durante o III Encontro Nacional de Entidades de Usuários
e Familiares de Saúde Mental, realizado em Santos em 1993, sendo
uma importante conquista para os usuários dos serviços de saúde
mental em nosso país.
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 Saúde Mental
4 - EPIDEMIOLOGIA DA SAÚDE MENTAL
4.1 Você gostaria de integrar
uma equipe de saúde
mental?
Com freqüência, a idéia de trabalhar com
\u201cdoentes mentais\u201d pode ser assustadora para al-
guns profissionais de saúde, mas encantadora para
outros. Apesar do desenvolvimento de programas
relativos à Saúde Mental, a imagem de alguém
agressivo, desprovido de senso crítico, de limites
e de padrões éticos e morais ainda costuma perse-
guir esse tipo de clientela.
Mas se esta imagem se forma em mentes
teoricamente mais esclarecidas para a área de saúde, como não haveria
de se propagar para a população?
Pesquisas realizadas demonstram que uma em cada três pessoas
terá pelo menos um episódio de transtorno mental no decorrer da vida,
e, no período de um ano, um entre cinco indivíduos encontra-se em fase
ativa da doença. No entanto, a prática aponta o período de resistência
pelo qual as pessoas passam antes de se sentirem \u201cobrigadas\u201d a procurar
ajuda, ressaltando-se o fato de que algumas jamais a procuram.
Freqüentemente ouve-se colocações do tipo: \u201cVim procurar aju-
da porque não agüentava mais\u201d; ou: \u201cHá muitos anos sinto isso, mas
tinha medo de me tratar\u201d; ou ainda: \u201cFicava pensando no que os meus
amigos iriam dizer se soubessem que me trato aqui...\u201d O medo de \u201cen-
louquecer\u201d ou de ser \u201ctaxado como louco\u201d ainda é o causador de uma
enorme demanda reprimida, que dificulta qualquer análise numérica
mais exata. Isso sem se falar no estigma do próprio tratamento, seja ele
medicamentoso ou psicoterápico.
Em nível de Brasil, principalmente em algumas áreas carentes, tor-
na-se ainda mais difícil se obter estatísticas, pois ainda são poucos os locais
onde o Programa de Saúde Mental está implantado de forma satisfatória.
Apesar de tudo isso, a demanda nesse setor vem aumentando a
cada dia, causando muitas vezes a impressão errônea de que hoje as
pessoas apresentam mais transtornos mentais que antigamente. É co-
mum ouvirmos nossos pais ou avós afirmando que \u201cestão todos enlou-
quecendo\u201d, ou que \u201cantigamente não tinha nada disso\u201d. É verdade que
o ritmo da vida de hoje é capaz de causar maior tensão nas pessoas e
com isso desencadear episódios de transtornos mentais; no entanto,
outros fatores podem estar influenciando no aumento desta demanda:
Demanda reprimida - É um
contingente de pessoas com
necessidades de atendimento
e que tem seu acesso aos
serviços de saúde impedidos
por algum motivo: falta de
vagas, do serviço ou de infor-
mações, questões culturais
entre outras. Neste caso espe-
cífico, os fatores principais são
o medo e o estigma, além da
falta de informações.
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1 A introdução de um programa de Saúde Mental ocasionou um
número maior de unidades assistenciais.
2 A conscientização da necessidade do acompanhamento psico-
lógico para os