DIREITO INTERNACIONAL   TECNOLÓGICOS

DIREITO INTERNACIONAL TECNOLÓGICOS


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garantido como um direito fundamental e resguardado pela Carta Maior, 
devendo o mesmo sempre ser mantido em equilíbrio e harmonia, não podendo ser 
agredido em face das ações desmedidas do ser humano. É importante ressaltar que 
a associação do meio ambiente ao direito fundamental se dá em virtude da seguinte 
ideia, em havendo lesão a esse, logo, ter-se-á lesão ao indivíduo, uma vez que a subsis-
tência da espécie depende do funcionamento sadio da natureza. Vale a transcrição do 
Artigo 5.º, inciso LXXIII, da Constituição, que consagra esse princípio:
Art. 5.º [...]
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise anular ato lesivo ao 
patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio 
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ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de 
custas judiciais e do ônus da sucumbência.
Com redação do referido artigo, é possível perceber que a Constituição Federal se 
preocupou em seguir a tendência internacional, que estabeleceu regras para garantir 
o direito das futuras gerações, apresentando aos indivíduos a sua responsabilidade em 
face do planeta no qual vivem.
Princípio democrático
O Brasil é um país democrático que assegura aos cidadãos a possibilidade de es-
colha de seus governantes e a participação em atos das políticas públicas. Esse tema, 
aliado à questão ambiental, é facilmente identificado quando há audiências públicas 
para alguma tomada de decisão. Nesse caso, é convocada a população local para que 
participe no assunto e se manifeste de forma positiva ou negativa quanto à possibi-
lidade, por exemplo, de instalação de uma usina termelétrica na região. Mesmo que 
as pessoas daquele local não tenham conhecimento técnico para julgar a viabilidade 
e danos que possam ser causados pela referida obra, lhes é dada a oportunidade de 
manifestação e representação, a qual pode ser realizada também por intermédio de as-
sociações, representantes de classe ou organismos não governamentais. Dessa forma, 
pode ser percebido que, mesmo sendo necessária a evolução para que se aplique de 
forma mais efetiva esse princípio, o mesmo está presente na discussão ambientalista, 
prevendo a interação dos indivíduos com as questões que lhes afetam diretamente.
Princípio da precaução
Para que o meio ambiente seja conservado e esteja em harmonia para recepcio-
nar as futuras gerações, faz-se necessária a precaução das ações humanas, em especial 
aquelas que visam a degradação ambiental. Ao longo do tempo, observou-se que o ser 
humano interferiu na natureza de forma tão gravosa, a ponto de modificar as condi-
ções climáticas do globo. O efeito estufa nada mais é do que o reflexo da intervenção 
equivocada do ser humano no meio ambiente, gerando desequilíbrio e instabilidade, 
a ponto de elevar a temperatura e provocar o degelo das calotas polares. Esse fato é 
meramente ilustrativo, a fim de mostrar que é necessário tomar atitudes que sejam 
de precaução aos problemas já estabelecidos pelo homem. É salutar avaliar que, por 
muitas décadas, o indivíduo está depredando o meio em que vive, e as consequências 
dessas ações aparecerão nos próximos anos. Em razão disso, é preciso investir em pes-
quisa e estudos para que sejam minimizados esses efeitos, pois os mesmos aparecerão. 
Vale esclarecer que o princípio da precaução é aplicado quando o dano já ocorreu e 
necessita de ajuste para que o efeito não tome dimensão sem controle.
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Princípio da prevenção
Embora a prevenção esteja associada à precaução, os princípios não são os 
mesmos, pois a precaução atua no dano já evidenciado e a prevenção visa evitar o 
dano. Dessa maneira, a prevenção é associada aos trabalhos preventivos que são ado-
tados para que não se tenham riscos ao meio ambiente. Visando a aplicação do prin-
cípio no cotidiano, a legislação ambiental adotou algumas medidas para colocar em 
prática essa questão, entre elas, determinou que alguns ramos de atividades, como 
a indústria petrolífera, devem realizar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) antes da 
solicitação dos licenciamentos junto ao órgão regulador. O EIA nada mais é do que 
um laudo técnico que deve ser elaborado pelo empreendedor antes da implantação 
do seu negócio. A sua função é realizar um estudo multidisciplinar para que se previ-
nam os danos socioambientais do projeto que está sendo proposto. Após a elaboração 
do EIA, é necessário que o empreendedor realize o Relatório de Impactos Ambientais 
(RIMA), o qual apresentará os pontos críticos levantados no EIA e sugerirá soluções viá-
veis e econômicas para minimizar os impactos e viabilizar a implantação do projeto.
Princípio da responsabilidade
Esse princípio estabelece a responsabilidade objetiva para aquele que causar 
danos ao meio ambiente. Essa previsão está devidamente expressa no parágrafo 3.º, 
do Artigo 225, da Constituição Federal, como se verifica na transcrição que segue. 
Art. 225. [...]
§3.º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, 
pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação 
de reparar os danos causados.
Esse princípio visa minimizar a degradação ambiental e, consequentemente, 
punir aqueles que cometeram danos ao meio natural. É possível identificar no princí-
pio da responsabilidade um caráter preventivo, haja vista que estabelece sanções para 
os agentes que agredirem a natureza. É importante destacar que a fixação da respon-
sabilidade e o estabelecimento de penas também estão aliados ao princípio da edu-
cação, uma vez que, em certa medida, os indivíduos se sentem inibidos ao cometerem 
um ato em face da natureza, pois sabem que serão penalizados.
Princípio do poluidor pagador
Esse princípio é decorrente do princípio da responsabilidade e considera que 
aquele que polui o meio ambiente deve pagar pelo dano que causou. Essa questão 
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está devidamente expressa no Artigo 4.º, inciso VII, da Lei 6.938/81, a qual dispõe 
que:
Art. 4.º A Política Nacional do Meio Ambiente visará:
[...]
VII - à imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os 
danos causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins 
econômicos.
É importante ressaltar que o meio ambiente possui recursos escassos e, se degra-
dados, podem levar muitos anos para a recuperação, ou, até mesmo, não se recupe-
rarem. Portanto, aquele que cometeu o ato de esgotar o recurso natural, deve ser res-
ponsabilizado pelos danos que causar, até mesmo porque utilizou gratuitamente de 
um bem coletivo, aproveitando-se de algo que não era somente dele. Além disso, não 
apenas utilizou indevidamente, como também causou danos e, por tudo isso, deve ser 
penalizado. A sanção do poluidor pagador ocorre nas três esferas, quais sejam: a res-
ponsabilidade civil, responsabilidade penal e responsabilidade administrativa.
Princípio do usuário pagador
Na mesma linha de raciocínio, há o princípio do usuário pagador, o qual prevê 
que aquele que utiliza os recursos da natureza deverá arcar com os seus custos. A fun-
damentação desse princípio está na tentativa da conscientização daqueles que uti-
lizam os recursos naturais, uma vez que, pelo seu