DIREITO INTERNACIONAL   TECNOLÓGICOS

DIREITO INTERNACIONAL TECNOLÓGICOS


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uso, deverão pagar. Por exemplo, 
todo cidadão que utiliza a água, por ela deve pagar. Se deixar a torneira aberta sem 
necessidade, a sua conta de água ficará mais cara. Assim, presume-se que o usuário 
se conscientize que fechando a torneira pagará menos pelo seu uso, e também estará 
preservando esse recurso da natureza.
Princípio do equilíbrio
Esse princípio também é designado como relação custo e benefício, já que devem 
ser consideradas todas as intervenções no meio ambiente, e visando solucioná-las por 
meio da adoção de medidas que gerem resultados positivos para a coletividade. Em 
verdade, esse princípio objetiva avaliar os danos causados ao meio ambiente e com-
pensá-los por meio de ações paliativas. Por exemplo, se haverá o desvio de um rio 
para a construção de uma usina, a Administração Pública deverá adotar medidas que 
compensem os danos que serão causados tanto para a coletividade, vegetação nativa, 
quanto para a população local.
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Princípio da função social
A função social deve ser exercida por meio da preservação da natureza, eis que 
essa é considerada o bem maior da coletividade. Portanto, a ideia da função social da 
propriedade prevista na Constituição Federal, deve ser alinhada à concepção prevista 
para a relação com o meio ambiente, ou seja, utilizar a terra sem degradá-la e em prol 
de uma sociedade justa, garantindo que as gerações futuras possam usufruir de um 
meio ambiente equilibrado.
Princípio da cooperação
Esse princípio estabelece que todos os cidadãos devem participar e cooperar 
para a manutenção do meio ambiente, construindo valores sólidos que implementem 
a conscientização do tema para a população em geral. Deve ser frisado que a partici-
pação da Administração Pública, escolas, entidades não governamentais, entre outros, 
são relevantes para que se construa a ideia de cooperação coletiva. Ademais, cabe ao 
Estado a obrigação de fiscalizar e punir os indivíduos que descumpram as normas am-
bientais e poluam o meio ambiente.
Princípio do desenvolvimento sustentável
Esse princípio inclui a proteção do meio ambiente de forma geral, já que o conside-
ra como parte do todo. Em outras palavras, o meio ambiente não é visto como um item 
isolado, mas como um bem coletivo que, se não for preservado, terá implicação na vida 
das pessoas em um futuro próximo. A proposta desse princípio é incluir políticas públi-
cas que possam garantir a sustentabilidade do planeta, ou seja, que o meio ambiente 
seja considerado um valor social e econômico colocado em pauta nas discussões go-
vernamentais. A preservação do meio ambiente não pode ser vista como algo simples, 
já que envolve outras gerações, assim, é preciso que sejam avaliados todos os impactos 
das ações de hoje e os seus reflexos no futuro. Além disso, deve-se propor soluções 
para que o crescimento econômico, o aumento populacional e os impactos ambientais 
sejam minimizados e não agridam a natureza e os homens nos próximos séculos.
Princípio da ubiquidade
Esse princípio visa garantir a tutela da qualidade de vida e do meio ambiente, o 
qual é adotado de forma conjunta com o princípio da dignidade da pessoa humana 
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previsto na Constituição Federal. Portanto, como a vida é o bem maior e esse é aliado 
à natureza para que ocorra a sua subsistência, faz-se necessário o devido respeito e 
planejamento de ações que possam resguardá-la. Diante disso, atitudes dos cidadãos 
em conjunto com o Estado incorporam a proteção do bem da vida, mantendo-o para 
que toda a sociedade possa usufruí-lo nas próximas décadas.
Princípio da intervenção do Estado
A intervenção do Estado no meio ambiente se faz necessária, pois é seu dever 
zelar pelo equilíbrio e harmonia entre a natureza e as ações do homem. A sua atuação 
ocorre por meio dos órgãos e agentes designados para esse fim, como, por exemplo, 
o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) e o Ministério do Meio Ambiente, os 
quais promovem a sua defesa. É necessário lembrar que a atuação do Estado é rele-
vante para manter viável a estabilidade do meio natural, pois é a partir desse que são 
criadas as normas, fiscalizadas as atuações das pessoas jurídicas e físicas e, consequen-
temente, aplicadas as penalidades, quando necessárias.
A competência material do Direito Ambiental
A Constituição Federal de 1988 dispõe, no Artigo 23, inciso III, que:
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
[...]
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os 
monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;
Dessa forma, pode ser percebido que é necessária uma organização interna da 
União e dos seus entes para que assumam a responsabilidade no tocante a legislar, 
fiscalizar e proteger a natureza, já que é impossível que apenas um deles assuma in-
tegralmente essa função. Vale salientar que, em caso de omissão ou conflitos entre os 
entes da União, é possível a criação de leis complementares que assegurarão a prote-
ção ambiental. Essa ideia está devidamente registrada no parágrafo único, do Artigo 
23, da Carta Magna1, como se observa na transcrição que segue.
Art. 23. [...]
Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, 
o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar 
em âmbito nacional.
1 Constituição Federal de 1988.
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A defesa do meio ambiente
O meio ambiente é protegido pelos princípios gerais que devem ser seguidos 
tanto pela sociedade como pelo legislador, ao qual compete elaborar normas para a 
preservação desse bem, que tem caráter coletivo. Diante disso, é necessário esclarecer 
que, para a garantia e defesa do meio ambiente, é preciso que sejam adotadas algu-
mas medidas judiciais, pois, muitas vezes, a mera ação administrativa não é suficiente.
Pela redação do Artigo 5.º, inciso LXXIII, da Constituição Federal, é possível con-
cluir que, se um cidadão se sentir lesado porque houve algum dano ao meio ambiente, 
lhe é conferido o direito de ingressar em juízo e promover uma demanda para que seja 
sanado esse problema. Salienta-se que para ingressar com a ação popular é necessária 
a presença de um advogado. O ingresso da ação civil pública se dá pelo Ministério Pú-
blico, o qual se encarrega de dar andamento à demanda que é decorrente de práticas 
e atos ilegais dos órgãos públicos da União, Estado e Municípios.
O licenciamento ambiental
É uma regra imposta pelo Poder Público e que deve ser seguida por todos aqueles 
que pretendem implementar algum negócio que possa ser nocivo ao meio ambiente. 
A fim de preservar e garantir a natureza, foi criado o licenciamento ambiental, o qual é 
fixado em etapas a serem cumpridas pelas partes interessadas e devem ser apresenta-
das ao Poder Público para a devida aprovação. É considerado um processo complexo, 
eis que exige o cumprimento de várias exigências para que compatibilizem o empre-
endimento e a preservação da natureza. Vale salientar que o licenciamento ambiental 
tem caráter preventivo e não punitivo, já que o pressuposto é a preservação do meio 
ambiente e não a penalização do empreendedor. O licenciamento ambiental é dividi-
do em três espécies:
Licença prévia
Essa licença é a primeira a ser concedida ao interessado e, portanto, é considerada 
preliminar. Ela ocorre no momento em que se planeja