Radiofármacos Parte I  2017 1
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Radiofármacos Parte I 2017 1


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do radiofármaco metabolizado pelo organismo seja eliminada. Descreve o decaimento biológico de um dado radionuclídeo num tecido em particular ou num órgão.
No sistema biológico, a eliminação do radiofármaco ocorre pelo decaimento físico do radionuclídeo e eliminação biológica do radiofármaco. A combinação dos dois é denominada de Meia Vida Efetiva (tempo necessário para um radionuclídeo em um organismo diminuir sua atividade pela metade como um resultado combinado da eliminação biológica e do decaimento radioativo). 
CRITÉRIO DE ESCOLHA DO RADIOFÁRMACO:
O radiofármaco ideal é aquele que tem um tempo de meia-vida efetiva suficientemente curto para minimizar a exposição do paciente à radiação, mas suficientemente longo para permitir a realização das imagens. Deve haver uma compatibilidade entre o tempo necessário para o radiofármaco se concentrar no tecido alvo (tumor) e a meia vida efetiva do radiofármaco (tempo de absorção e eliminação). 
 	A utilidade clínica de um radiofármaco é determinada pelas propriedades físicas do radionuclídio (radiação, energia e meia vida). 
O radiofármaco deve ter afinidade pelo órgão ou sistema que se deseja analisar sendo também desejável localização rápida no órgão alvo, metabolização e excreção eficiente, de modo a aumentar o contraste da imagem e reduzir a dose de radiação absorvida pelo paciente. 
	A maioria dos radioisótopos utilizados é administrada sob a forma de compostos químicos aos quais está incorporado o átomo radioativo. Por exemplo, o iodo-131 é utilizado sob a forma de NaI131 líquido para a realização do exame de captação de iodo pela glândula tireóide. O cromo-51 é usado sob a forma de Na51CrO (cromato de sódio) para a pesquisa de hemorragias ocultas. A vitamina B-12 pode ser marcada com diversos isótopos radioativos do cobalto, para o estudo quantitativo de sua absorção e excreção. Devido à grande sensibilidade do método isotópico, em geral as quantidades absolutas do elemento químico administradas são muito pequenas e não alteram o metabolismo normal do organismo. A atividade do radioisótopo deve ser elevada para não haver mistura entre o composto radioativo e o não radioativo, prejudicando a detecção do primeiro.
	É necessário que o órgão/tecido em estudo capte o radiofármaco em maior concentração do que o tecido circunvizinho. Por exemplo, a tireóide capta Iodo em taxa mais elevada do que os outros órgãos. O fósforo radioativo (32P) distribui-se por diferentes tecidos, mas tem concentração mais elevada no tecido ósseo.
DOSAGEM:
As dosagens dos radiofármacos serão diferentes para pacientes diferentes e dependerão do tipo de teste e do tipo de tratamento. 
Na Medicina Nuclear a dose de um radiofármaco necessária a um exame é muito mais baixa do que a dose de agentes de contraste utilizada em outras técnicas de diagnóstico, tais como a radiografia( Raio X) e a ressonância magnética nuclear (RMN), ou seja, a massa dos agentes de contraste que se introduz no organismo quando se utiliza um radiofármaco é mínima, não provocando quaisquer problemas de alergia ou toxicidade. Por isso os exames de medicina nuclear, apresentam menor resolução em relação aos detalhes anatómicos que as outras técnicas diagnósticas como a RMN e a radiografia. Mas, em contrapartida, as imagens de medicina nuclear apresentam alto contraste porque os radiofármacos localizam-se bem no órgão de interesse permitindo assim obter imagens que proporcionam a avaliação funcional dos órgãos.
A quantidade que exprime o grau de radioatividade ou o potencial de produção de radiação de uma determinada quantidade de material radioativo é expressa pela unidade Atividade. A unidade de Atividade é o Curie (Ci). A unidade de Atividade no Sistema Internacional (SI) é o Bequerel (Bq). É a quantidade de material radiativo em que um átomo se transforma por segundo. 1 Ci = 37 G Bq. 
A unidade especial para a dose absorvida é o rad (Radiation Absorbed Dose ou Dose Absorvida de Radiação). É a energia depositada por unidade de massa do meio. Exprime a quantidade de energia que uma radiação ionizante comunica a uma determinada quantidade de matéria. No SI (Sistema Internacional) a sua unidade é J/kg a que foi dado o nome de Gray (Gy). 1 Gy = 1 J/kg
A dose equivalente é uma medida da dose de radiação num tecido. Esta grandeza tem maior significado biológico que a dose absorvida, pois permite relacionar os vários efeitos biológicos de vários tipos de radiação. A sua unidade no Sistema Internacional é Sievert (Sv). 1 Sv = 1 J/kg
RISCOS/BENEFÍCIOS:
	O radiodiagnóstico oferece como benefícios a possibilidade de fornecer informação sobre a função do órgão, permite imagem (não invasiva) de todo o corpo, em alguns casos a detecção mais precoce da doença do que com outras modalidades de obtenção da imagem devido à capacidade de visualização de alterações funcionais/metabólicas, são utilizadas pequenas quantidades de substâncias, além de apresentar baixo índice de reações adversas à droga.
É prudente verificar se o paciente é alérgico a substância constituinte do radiofármaco ou se o paciente apresenta qualquer outro tipo de alergia. Apesar de que para a maioria dos radiofármacos a quantidade de radiação usada em um teste diagnóstico seja muito baixa e considerada segura, quando o paciente é criança é conveniente discutir o beneficio contra o risco de expô-la à radiação.
Não se tem muitas informações sobre o uso de alguns radiofármacos em pessoas idosas. Não há informações específicas quanto ao modo de ação em adultos jovens ou se eles causam efeitos colaterais diferentes ou problemas em pessoas mais idosas. Também é prudente conferir a ocorrência de qualquer efeito incomum após o uso do radiofármaco.
Normalmente não é recomendado o uso de radiofármacos durante a gravidez, com o objetivo de evitar expor o feto à radiação. Ao contrário do estudo radiológico tradicional (por exemplo, os raios-X), o feto pode ser protegido por uma blindagem de chumbo sobre o abdome da gestante. Isto não é possível na medicina nuclear, pois não se pode controlar o radiofármaco da corrente sanguínea. Portanto aconselha-se protelar o exame para após o término da gestação. Lactentes apresentam problemas semelhantes, pois alguns tipos de radiofármacos apresentam uma excreção no leite materno. É aconselhável, nesses casos, suspender a lactação por certo tempo (meia vida efetiva), após a realização do exame. Entretanto em alguns casos, sendo inevitável o uso, faz-se necessário uma modificação na dose do radiofármaco para reduzir a dose de radiação ao bebê. Isto é especialmente importante com radiofármacos que contêm iodo, pois este pode ser acumulado na tireóide da criança em quantidades elevadas o bastante para causar dano à glândula. Neste caso também suspender a amamentação por um período de tempo mesmo após o uso do radiofármaco.
9. PREPARAÇÃO DE UM RADIOFÁRMACO	
Alguns fatores muito importantes a serem considerados na preparação de um radiofármaco:
\u2022 Eficiência do processo de marcação: é desejável um elevado rendimento de marcação, embora nem sempre seja fácil de obter.
\u2022 Estabilidade química do composto: diz respeito à ligação química entre o radionuclídeo e o composto ao qual ele está incorporado.
\u2022 Condições físico-químicas da marcação: podem alterar a estrutura ou propriedades biológicas do composto (por exemplo, desnaturação de proteínas por calor excessivo ou valores de pH extremos).
\u2022 Condições de armazenamento: devem ser controladas, pois a temperatura e luz podem levar à degradação do composto radioativo.
\u2022 Radiólise: muitos compostos marcados decompõem-se por ação da radiação emitida pelo próprio radionuclídeo e este efeito aumenta quanto maior for a atividade específica do composto. A radiólise pode provocar a quebra da ligação química entre o radionuclídeo e a molécula, ou pode interagir com o solvente formando radicais livres, que também podem ter efeito nocivo para o composto radioativo, promovendo o aparecimento de impurezas radioquímicas.
\u2022 Prazo de validade: