23035A Literatura Portuguesa. MOISES  Massaud
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23035A Literatura Portuguesa. MOISES Massaud


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aproxima-se da música usando aliterações. 
 
 Além disso, podemos destacar as seguintes 
característica do Simbolismo: 
 
Misticismo e espiritualismo: Os simbolistas ne-
gam o espírito científico e materialista dos realis-
tas/naturalistas, valorizando as manifestações místi-
cas e mesmo sobrenaturais do ser humano. 
 
Subjetivismo: Os simbolistas terão maior interesse 
pelo particular e individual do que pelo geral e uni-
versal. A visão objetiva da realidade não desperta 
mais interesse, e sim a realidade focalizada sob o 
ponto de vista de um indivíduo. 
 
Tentativa de aproximar a poesia da música: para 
conseguir aproximação da poesia com a música, os 
simbolistas lançaram mão de alguns recursos, como 
a aliteração, por exemplo. 
 
Expressão da realidade de maneira vaga e im-
precisa. 
 
Ênfase na sugestão: Um dos princípios básicos 
dos simbolistas era sugerir através das palavras 
sem nomear objetivamente os elementos da reali-
dade. Ênfase no imaginário e na fantasia; 
 
Percepção intuitiva da realidade: Para interpretar 
a realidade, os simbolistas se valem da intuição e 
não da razão ou da lógica. 
 
 
INTRODUÇÃO E EVOLUÇÃO DO SIMBOLISMO 
EM PORTUGAL 
 
 A introdução do Simbolismo em Portugal deveu-
se a Eugénio de Castro e à publicação de seu pri-
meiro livro de poesia, Oaristos, em 1890. Compu-
nha-se de 15 poemas, antecedidos de um manifesto 
em forma de prefácio sobre a nova tendência. 
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Bibliografia para Língua Portuguesa 109 
 De suma importância, esse prefácio constitui a 
plataforma doutrinária do Simbolismo português, 
definindo forma e conteúdo. O vocabulário dos Oa-
ristos é escolhido e variado, apresentando inclusive 
vocábulos raros. 
 
 Os poetas portugueses receberam o nome de 
"nefelibatas" (pessoas que andam nas nuvens) e o 
nefelibatismo tornou-se uma espécie de adaptação 
Portuguesa do Decadentismo e do Simbolismo 
Francês. 
 
EUGÊNIO DE CASTRO 
 
 Sua obra recebe influência de sua estada na 
França, inaugura o Simbolismo português com Oa-
risto, cuja técnica é baseada na poesia de Paul Ver-
laine. 
 
 Segundo Massaud Moisés, apesar de fazer uso 
de prefácios polêmicos e agressivos para inserir os 
pressupostos da estética simbolista em seus livros, 
revela uma tendência inata para o equilíbrio clássi-
co, para a contenção e para o formalismo de tradi-
ção. Essa tendência vai substituindo de forma gra-
dativa a postura simbolista. 
 
 A produção literária de Eugênio de Castro apre-
senta versos livres, vocabulário erudito, pessimismo 
e ambigüidade nos temas trabalhados (blasfêmias-
liturgia; ocultismo-catolicismo). Suas principais obra 
são: Oaristo (1890), Horas (1891), Silva e Interlúdio 
(1894). 
 
ANTÔNIO NOBRE 
 
 Publica sua obra mais importante, Só, uma cole-
tânea de poemas em que utiliza uma linguagem 
coloquial, para voltar ao passado, à infância. Res-
taura uma hipersensibilidade, um forte sentimento 
de tristeza e de completa inadaptação ao mundo. 
Suas descrições são preenchidas por ambientes 
vagos ou nebulosos, razão pela qual é chamado de 
\u201cpoeta crepuscular\u201d, isto é, voltado para as horas de 
recolhimento. 
 
 A produção literária de Antônio Nobre apresenta 
vocabulário simples, temas coloquiais, apego a ter-
ra, às raízes populares, descrição de seu exílio pari-
siense e egocentrismo. Suas principais obras são: 
Só (1892), Despedidas (1902), Primeiros Versos 
(1921) e Alicerces (1983). 
 
CAMILO PESSANHA 
 
 Pessanha, estudioso da civilização chinesa, mor-
reu em Macau. É considerado o maior simbolista 
português. 
 
 Alguns de seus poemas foram publicados na 
revista Centauro em 1916, graças ao interesse e 
esforço de João de Castro Osório. Mais tarde, em 
1920, conseguindo outras composições às quais 
reuniu as já publicadas, publicou Clepsidra. O nome 
da obra significa relógio movido à água. 
 
 Suas composições trabalham temas sentimen-
tais, apresentam uma musicalidade marcante e uma 
postura de resignação diante da adversidade. Esse 
quadro compõe imagens fugidias, carregadas de 
pessimismo, e transitoriedade da vida. 
X \u2013 SAUDOSISMO (1910-1915) 
 
 
 No ano de 1910 surgiu, em Portugal, a revista 
mensal "A Águia", dirigida por Teixeira Pascoaes. O 
objetivo dessa revista era ressuscitar a Pátria Por-
tuguesa a partir do saudosismo, ou seja, por uma 
espécie de retomada das tradições do País. Movi-
mento literário, essencialmente poético, introduzido 
através do movimento "Renascença Portuguesa", 
fundada por Jaime Cortesão, Álvaro Pinto, Teixeira 
de Pascoaes e Leonardo Coimbra, cujo órgão de 
divulgação foi a revista "A Águia". 
 
 Pascoaes (mentor do grupo), afirmou que "o 
movimento da Renascença Portuguesa se realizaria 
dentro da Saudade revelada, dentro dela Portugal, 
sem deixar de ser Portugal, poderá realizar os maio-
res progressos de qualquer natureza." 
 
 Assim, o Saudosismo foi encarado como uma 
atitude perante a vida que definia a "alma nacional" 
em todo o seu idealismo transcendentalista. 
 
 Pascoaes, apoiado por Leonardo Coimbra, pre-
conizou um Portugal agrário, uma organização mu-
nicipalista e uma Igreja independente, e identifica o 
Saudosismo como sendo um Sebastianismo escla-
recido, revelado pelos novos poetas. 
 
 Fernando Pessoa, colaborador da "A Águia", 
afirma que os poetas saudosistas anunciam o pen-
samento da "futura civilização européia", que cor-
responderia à "civilização lusitana", e é neste clima 
de exaltação sebastianista que escreve "Mensa-
gem". 
 
 António Sérgio e Raul Proença acusam Pascoa-
es de "utópico e passadista, fechado num lusitanis-
mo xenófobo, provinciano, incompatível com o mo-
derno espírito europeu", gerando bastante polêmica 
no seio do grupo. 
 
 Quanto ao tipo de linguagem, os Saudosistas 
preferem uma expressão mais tradicional e clássica 
("verso escultural" de Pascoaes), não se preocu-
pando muito com a análise do subconsciente. 
 
 Por ser um momento de transição, uma vez que 
em 1915 surge a revista "Orpheu", marco inicial do 
Modernismo português, esse período também pode 
ser classificado como Pré-Modernismo. 
O Modernismo em Portugal é difícil de ser estrutu-
rado. 
 
 Massaud Moisés adota a seguinte divisão: Pri-
meiro Momento ou Orphismo e Segundo Momento 
ou Presencismo. As duas outras fases são classifi-
cadas como Neo-realismo e Surrealismo. 
 
 Os escritores da fase Neo-realista repudiam a 
literatura psicológica e propõem uma literatura de 
caráter social, muito próxima à praticada pelos auto-
res Realistas. 
 
 Já os escritores da fase Surrealista são influen-
ciados pelas teorias de Andre Breton, idealizador do 
Surrealismo. Devido a todas estas circunstâncias, o 
ano de 1940, quando o grupo da Presença se desin-
tegrou, é considerado o término do período Moder-
nista em Portugal. 
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 110 Bibliografia para Língua Portuguesa 
XII \u2013 ORFISMO (1915-1927) 
 
 O Modernismo em Portugal tem início oficial no 
ano de 1915, quando um grupo de escritores e artis-
tas plásticos, (Mário de Sá-Carneiro, Raul Leal, Luís 
de Montalvor, Almada Negreiros, o brasileiro Ronald 
de Carvalho e Fernando Pessoa) lança o primeiro 
número da "Orpheu", revista trimestral de literatura. 
 
 Esses jovens artistas, também conhecidos como 
Orfistas, foram influenciados pelo Futurismo de Ma-
rinetti, pelos ensinamentos de Martin Heidegger, 
que colocava a existência individual como determi-
nação do próprio indivíduo e não como uma deter-
minação social. 
 
 Os objetivos principais dos orfistas eram: 
 
- Chocar a burguesia com sua obra irreverente (po-
esias sem metro, exaltando a