23035A Literatura Portuguesa. MOISES  Massaud
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como símbolos. 
2. As personagens são quase sempre coletivas, 
grupos antagônicos constituídos, de um lado, por 
representantes do capital e, de outro, por conjuntos 
de trabalhadores agrícolas e de operários oprimidos 
pelo capital, localizados em zonas bem determina-
das: o regionalismo alentejano, temas citadinos e 
outros ligados à burguesia rural (O Dia Cinzento de 
Mário Dionísio, Anúncio de Alves Redol, Casa da 
Duna e Pequenos Burgueses de Carlos de Oliveira, 
Fuga de Faure da Rosa). 
3. As personagens são tipos de uma classe. Se há 
um protagonista que merece destaque, é por ser o 
mais atingido entre a multidão ou por refletir as rea-
ções do todo. Diante dos fatores materiais e das 
forças sociais que as bloqueiam, as personagens 
neo-realistas não esboçam qualquer atitude de espi-
ritualidade. 
4. O autor observa as situações com neutralidade, 
coloca os protagonistas em seu ambiente, deixa-os 
agir e viver uma vida real. Depois faz jornalismo, 
reportagem, entretanto analisa e interpreta fatos 
escolhidos em virtude de determinado objetivo. 
Apostilas Solução - Professor Educação Básica \u2013 PEB II 
 
 
Bibliografia para Língua Portuguesa 113 
5. Os neo-realistas minimizam o cuidado da forma, 
colocando na fala das personagens a linguagem 
popular regional. Leva o diálogo muitas vezes a 
assumir funções narrativas. Emprega frases curtas, 
bem adaptadas ao pensamento conciso que o do-
mina, tende para a substantivação do real, usa mo-
deradamente o adjetivo. 
 
XV \u2013 SURREALISMO (1947-1974) 
 
 Surgido de um grupo de poetas liderados por 
André Bretón, na França, o surrealismo torna-se um 
movimento artístico que defendia a volta a um primi-
tivismo infantil. É um movimento que pretendia ma-
nifestar espontaneidade de ordem racional ou mo-
ral. Pretendeu definir uma prática artística alternati-
va à tradicional. 
 
 Este movimento pretendia também que os artis-
tas mostrassem o pensamento de maneira livre, 
espontânea e irracional, levado além da realidade 
(fantasia, sonho). 
 
 A pintura pode ser considerada a principal mani-
festação artística do surrealismo. 
 
 O movimento divide-se em duas vertentes. Uma 
mantém o caráter figurativo, mas produz formas 
inusitadas a partir da distorção ou justaposição de 
imagens conhecidas. É comum figuras que \u201cflutuam\u201d 
no quadro ou que estabelecem uma nova proporção 
entre objetos e pessoas. Um exemplo é \u201cA persis-
tência da Memória\u201d, de Salvador Dali. Os artistas da 
outra vertente radicalizam o automatismo psíquico, 
para que o inconsciente se expresse livremente, 
sem controle da razão. O surrealismo atrai alguns 
escultores. 
 
 Em Portugal, o Surrelismo é concepção de litera-
tura baseada nos conteúdos oníricos e do inconsci-
ente, predomina a \u201cescrita automática\u201d - automatis-
mo verbal e escrito, ilogismo, livre associação de 
idéias e de palavras, além da modificação das estru-
turas da realidade. 
 
 Massaud Moisés destaca alguns representantes 
do Grupo Surrealista de Lisboa: Antônio Pedro, 
José Augusto França, Alexandre O\u2019Neill, Mário Ce-
sariny de Vasconcelos e outros como Natália Corre-
a, Henrique Rasques Pereira, Artur do Cruzeiro 
Seixas, Antonio José Forte, Fernando Alves dos 
Santos e Isabel Meyrelles. 
 
XVI \u2013 TENDENCIAS CONTEMPORÂNEAS I \u2013 
(1950-1970) 
 
 
 Massaud Moisés destaca alguns escritores que, 
embora não filiados a nenhum grupo, são influenci-
ados pelas tendências em voga (Neo-realismo, Sur-
realismo e às tendências contemporâneas). Ressal-
ta a importância das revistas literárias, em torno das 
quais se congregaram algumas das vozes literárias 
da atualidade. 
 
 O autor destaca a obra e acrescenta minibiogra-
fias dos poetas Rui Cinatti, José Blanc Portugal, 
Tomaz Kim e António Ramos Rosa, Raul de Carva-
lho, Sebastião da Gama, Albano Martins, Fernando 
Guimarães, Fernando Echevarria, Alberto de Lacer-
da, Luís Amaro, José Terra e Hélder Macedo. 
XVI \u2013 TENDENCIAS CONTEMPORÂNEAS \u2013 
(GERAÇAO DE 70) 
 
 A denominada geração de 70 é a prova cabal da 
efervescência cultural que dominou a Literatura 
Portuguesa permitindo o surgimento de uma conste-
lação de poetas e prosadores inspirados, provavel-
mente em função dos ares de liberdade política 
trazidos pela revolução de abril de 1974, que pôs 
fim a um regime fascista que durava desde os anos 
20. 
 
 O autor destaca vários autores, tanto a poesia 
como a prosa de ficção, dentre os quais na poesia 
experimental, figuras como E.M. de Melo e Castro, 
Ana Hatherly e Salette Tavares. 
 
 Simultaneamente às correntes de vanguarda, 
Moisés não deixou de assinalar a presença nos 
anos 60 de uma nova onda neorrealista, reunindo 
nomes bem conhecidos como Fernando de Assis 
Pacheco, José Carlos de Vasconcelos e Manuel 
Alegre. 
 
 Moisés enfatiza o nome de Vasco Graça Moura, 
poeta erudito, estudioso das formas da poesia, ro-
mancista, autor de ensaios e peças teatrais, cuja 
obra transita com facilidade pelas formas tradicio-
nais como a sextina e o soneto, assim como prática 
à intertextualidade, dialogando com poetas canoni-
zados como Camões, Dante, Shakespeare entre 
outros. 
 
AGUSTINA BESSA-LUÍS 
 
 Agustina Bessa-Luís é um dos nomes consagra-
dos na Literatura Portuguesa contemporânea. 
 
 Estreou-se como romancista em 1948, com a 
novela Mundo Fechado, tendo desde então mantido 
um ritmo de publicação pouco usual nas letras por-
tuguesas, contando até ao momento com mais de 
meia centena de obras. 
 
 Consagrada internacionalmente, representa Por-
tugal junto a diversos órgãos culturais em diversos 
países. 
 
 A consagração vem em 1954, com o romance A 
Sibila. Agustina é senhora de um estilo absoluta-
mente único, paradoxal e enigmático. Sua obra, de 
caráter pessoal, possui grandeza e luz próprias, 
alheia a influências estrangeiras ou mesmo portu-
guesas de caráter introspectivo, marcada por uma 
imaginação fecunda e pelo senso de observação e 
análise. 
 
 Empreende a fusão entre o regionalismo e o 
universalismo na análise psicológica das persona-
gens, cujas peculiaridades desvenda aos poucos. 
 
 Vários dos seus romances foram já adaptados 
ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira, de 
quem é amiga e com quem tem trabalhado de perto. 
Estão, neste caso, Fanny Owen ("Francisca"), Vale 
Abraão e As Terras do Risco ("O Convento"), para 
além de "Party", cujos diálogos foram igualmente 
escritos pela escritora. É também autora de peças 
de teatro e para televisão.Em 2004, recebe, aos 81 
anos, o Prêmio Camões, o mais importante prêmio 
literário da língua portuguesa. 
Apostilas Solução - Professor Educação Básica \u2013 PEB II 
 
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 Principais obras: Os incuráveis; A muralha; O 
Sermão do Fogo; As relações humanas; Os quatro 
rios; Canção diante de uma porta fechada; A dança 
das espadas, com destaque para A sibila, sua obra-
prima. 
 
JOSÉ DE SOUSA SARAMAGO 
 
 José de Sousa Saramago nasceu em 1922, em 
Azinhaga, autodidata, possui apenas o curso indus-
trial. Iniciou-se na literatura como poeta, em 1966, 
mas cultivou também a crônica e o teatro, além da 
prosa de ficção (romance), o melhor de sua obra. 
 
 No plano político-social, ideologicamente ligado à 
esquerda militar em defesa dos trabalhadores, con-
tra a opressão capitalista e identificação com as 
camadas populares. Recebeu em 1998, o Prêmio 
Nobel de Literatura, o primeiro para um autor da 
língua portuguesa. É escritor, roteirista, jornalista, 
dramaturgo e poeta. Também ganhou o Prêmio 
Camões, o mais importante prêmio literário da lín-
gua portuguesa. 
 
 Saramago é considerado o responsável pelo 
efetivo reconhecimento internacional da prosa em 
língua portuguesa,