23035A Literatura Portuguesa. MOISES  Massaud
47 pág.

23035A Literatura Portuguesa. MOISES Massaud


DisciplinaLiteratura Portuguesa1.208 materiais6.069 seguidores
Pré-visualização34 páginas
sozinhos 
gostam mais de ver TV que as meninas. Estas gos-
tam tanto de ver TV quanto de ouvir música. 
 
- Os pais interferem pouco sobre o tempo de ex-
posição da criança à TV. Aumenta um pouco em 
relação ao tipo de programa assistido. Esse controle 
é exercido proporcionalmente à idade da criança: os 
menores e as meninas são mais controlados, espe-
cialmente sobre cenas de terror e sexo muito mais 
do que sobre cenas de violência, tiros, brigas, ex-
plosões, etc. 
 
- A TV opõe e ratifica, aos olhos infantis, uma 
ação masculina (que envolve força) a uma expres-
são feminina (à base de sensibilidade e comunicabi-
lidade). 
 
Apostilas Solução - Professor Educação Básica \u2013 PEB II 
 
 132 Bibliografia para Língua Portuguesa 
- A forma como a criança decodifica o discurso 
adulto na TV é muito afetada pela decodificação do 
discurso dos pais. Segundo a autora, mães passi-
vas em relação às propagandas de TV estimulam os 
filhos a uma alta predisposição ao consumo. 
 
 Segundo a autora, a recepção infantil do mundo 
da televisão indica que diante desta não existe ape-
nas um receptor infantil, mas uma célula familiar 
que afeta todas as condições de recepção. 
 
 Contra a TV, é dito que o contínuo de imagens 
seguidas \u2013 novela seguida de noticiário, noticiário 
seguido de novela, etc. \u2013 confunde as crianças e 
elas constroem imagens desconexas por isso. Pes-
quisas mostram que a criança decodifica essa gama 
de imagens, aparentemente desarticuladas, segun-
do uma lógica própria. Notícia, por exemplo, sinaliza 
a predominância da \u201cmá-notícia\u201d. 
 
 A análise do discurso publicitário reforça e/ou 
ilustra pontos dessa lógica infantil, pois as crianças, 
sobretudo as menores, tendem a interpretações 
literais, mas lidam muito bem com simbolismos que 
sejam de fácil compreensão e que sejam intrínsecos 
e adequados àquilo que determinada propaganda 
está querendo comunicar.A criança precisa de men-
sagens claras e enredos pertinentes. Ela é crítica: o 
qu e não é verdadeiro, ela rejeita. 
 
 Segundo a autora, outros pontos importantes: 
 
- A criança gosta de informação; 
- A criança gosta de se divertir à custa do mundo 
dos adultos; 
- A criança gosta do produto ou da propaganda 
que a faça sentir-se mais velha. 
 
 Enfim, a criança gosta do discurso adulto, na TV 
ou não, capaz de respeitá-la como ela é. 
 
\u201cTem gente que trata a gente como gente gran-
de. Eu gosto de ser tratada como criança. Por-
que é verdade.\u201d (Daniela \u2013 9 anos) 
 
 
MINHA TERRA TEM PANTANAL 
ONDE CANTA O TUIUIÚ... 
A GUERRA DE AUDIÊNCIA NA TV BRASILEIRA 
NO INÍCIO DOS ANOS 90 
ANA MARIA BELOGH 
 
 Neste texto, Ana Maria Belogh faz uma análise 
da novela Pantanal com relação a outros produtos 
midiáticos da época. A autora credita as causas do 
sucesso da novela Pantanal, em detrimento da re-
paginação que os outros canais fizeram para atrair o 
público, às inovações nos elementos narrativos e 
discursivos, na abordagem da temporalidade da 
saga, no enredo, na locação, nos recursos técnico-
expressivos empregados e na seleção de atores, 
entre outros. 
 
 Fazendo uma análise bem detalhada, a autora 
descreve o sucesso da novela Pantanal (1990, TV 
Manchete, 21h30), escrita por Benedito Ruy Barbo-
sa e dirigida por Jayme Monjardim, que resgata as 
paisagens incríveis, a beleza bucólica e idílica do 
Pantanal Mato-grossense, tudo filmado num plano 
cinematográfico que encantados abandonam o SBT 
e a Globo, após anos de hegemonia da segunda. 
 Está detonada a guerra por audiência mais feroz 
da história da televisão brasileira. 
 
 A Globo permaneceu na liderança absoluta por 
mais de vinte anos, exceto por momentos pontuais 
(Dona Beija \u2013 Manchete e Pássaros Feridos \u2013 SBT), 
com os maiores índices de audiência da história. 
 
 Sua fórmula consistia num mosaico de progra-
mação que mantém ofertas e formatos e gêneros 
que quase não se modificaram no decorrer dos a-
nos: novela das seis, novela das sete, Jornal Nacio-
nal, novelas das oito. Cada novela destinava-se a 
um público específico: 
 
 A novela das seis era direcionada a jovens, ido-
sos e donas de casa que presumivelmente não tra-
balhavam fora, trama água com açúcar em doses 
homeopáticas em que as questões amorosas preva-
leciam sobre as sociais. 
 
 A novela das sete jogava com outras linguagens 
e gêneros, alguns previamente adaptados para a TV 
sempre com o tempero do humor. 
 
 A novela das oito direcionava-se ao público adul-
to, trazia temas mais fortes e polêmicos. Neste ho-
rário, não só o aspecto temático era tratado de for-
ma mais contundente como os conflitos entre as 
personagens eram abordados de forma mais densa 
e mais realista. Por exemplo, somente personagens 
de segundo escalão eram punidas, a maioria de 
ricos corruptos escapa ilesa. Em linhas gerais, esse 
era o mosaico da Globo quando Pantanal entra e 
abala sua liderança. 
 
 Como e por que a Manchete consegue tal proe-
za? 
 
 Disputavam a liderança Globo, Manchete e SBT. 
A guerra pela audiência no horário gerava cenas de 
violência e sexualidade exacerbadas para a época e 
Pantanal veio como um alento para abrandar o es-
tado das \u201ccoisas na telinha\u201d. Para retomar a audiên-
cia, a Globo mudou várias vezes sua programação, 
convocou seus profissionais de maior gabarito, (Ra-
inha da Sucata não emplacou como deveria), criou 
novidades de última hora, filmes de violência e a 
nudez parcial de Claudia Raia não altera a situação 
junto ao Ibope. 
 
 Enquanto isso, a Manchete, com o slogan \u201cO 
Brasil que o Brasil não conhece passa pela Manche-
te\u201d continuava na liderança do horário nobre e pre-
para o telespectador para sua futura novela de fic-
ção (Ana Raio e Zé Trovão). 
 
 Considerada do ponto de vista narrativo, Panta-
nal contrapõe um processo brutal de degradação 
com outro de melhoria. Ao contar a história da famí-
lia de José Leôncio e as das famílias com as quais 
ela se relaciona em três gerações sucessivas, se-
gue uma tendência da época (Os Waltons, Bonan-
za, Dinastia e Dallas). 
 
 A novela traz o realismo mágico (Maria e Juma 
Marruá transformam-se em onças, Xeréu Trindade 
tem pacto com o Cramulhão, o Velho do Rio trans-
forma-se em sucuri), os contadores de causos e os 
violeiros cantores de modinha (Sergio Reis e Almir 
Satter). 
Apostilas Solução - Professor Educação Básica \u2013 PEB II 
 
 
Bibliografia para Língua Portuguesa 133 
 Traz também um elenco de experientes atores 
(Claudio Marzo, Jussara Freire e Ângela Leal), jo-
vens e alguns desconhecidos carismáticos e que 
deram certo (Cristiana de Oliveira, Paulo Gorgulho). 
Pantanal cria ainda um micro universo paralelo: a 
volta do paraíso perdido e o mito do bom selvagem. 
A exploração do espaço amplo, belo e exótico do 
Pantanal, as tomadas aéreas cinematográficas, os 
amanheceres e entardeceres, enfim, a superstar de 
Pantanal é a própria natureza, sua fauna, sua flora. 
O tratamento da temporalidade também se diversifi-
ca. A primeira fase da novela, nos anos 40, ocorre 
no Paraná e corresponde às lutas pela terra por 
parte dos posseiros a degradação de Gil e Maria 
Marruá. A edição é rápida. 
 
 A segunda parte da novela se passa nos anos 
90, retrata a melhoria de José Leôncio e corre lenta 
à moda do Pantanal, contrapondo-se ao ritmo frené-
tico e fragmentário das novelas da Globo. 
 
 Além dos elementos narrativos e discursivos e 
dos recursos técnico-expressivos em Pantanal, há 
uma escassez de merchadising na 1ª. fase (aparece 
na 2ª. \u2013 cremes de beleza e insumos e máquinas 
agrícolas). 
 
 Para retomar seu filão no horário nobre, a Globo 
teve de se render a mudanças e inovações, além de 
convocar estrelas e sex-symbols made in Pantanal 
para