23035A Literatura Portuguesa. MOISES  Massaud
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res, autor da Verdadeira Informação das Terras do 
Preste João (Abissínia); Fernão Cardim, autor dos 
Tratados da Terra e Gente do Brasil. 
 Fernão Mendes Pinto é o maior representante do 
gênero e autor de uma das obras mais significativas 
do século XVI e de toda a literatura de viagens de 
qualquer tempo: Peregrinação (tudo começa em 
águas Portuguesas continentais, quando a caravela 
em que vai o narrador de Lisboa a Setúbal é aprisi-
onada por piratas Franceses. Daí para frente, se-
gue um rol de complicadas e pitorescas aventuras 
pelo Oriente). 
 
 Fernão Mendes Pinto deixou um relato vivo e 
saboroso duma quase mítica experiência humana 
por terras e gentes da África e Ásia. 
 
O CONTO 
 
 Segundo Massaud Moisés, \u201c(...) o conto, de re-
mota e vaga origem, cujas primeiras manifestações 
se localizam nas Mil e Uma Noites, foi pouco apre-
ciado em Portugal antes do Romantismo\u2019. O primei-
ro nome que merece ser lembrado historicamente é 
o de Gonçalo Fernandes Trancoso, que escreveu 
breves narrativas de fundo moral, logo publicadas 
sob o título de Contos e Histórias de Proveito e E-
xemplo. O êxito que de imediato conheceu não se 
alterou durante o século XVII, inclusive no Brasil, 
especialmente no Nordeste, onde passaram a cha-
mar-se de "estórias de Trancoso" as narrativas po-
pulares de imaginação e exemplo moral. 
 
 Numa prosa desataviada, coloquial, ingênua, 
Trancoso mistura o sobrenatural com o real sem 
medo à inverosimilhança, aproveitando-se da tradi-
ção oral e dos ensinamentos de contistas espa-
nhóis, como D. Juan Manuel, e italianos, como 
Boccaccio, autor do conhecido Decamerone, do 
inglês Geoffrey Chaucer, autor de The Canterbury 
Tales, entre outros. 
 
A NOVELISTICA 
 
 A novelística segue o espírito da cavalaria, que 
ainda teimava em subsistir em Portugal. A matéria 
cavaleiresca, que tinha sido cultivada na Idade Mé-
dia, agora se nacionaliza e se aportuguesa, uma 
vez que surgem novelas de autores portugueses e 
de espírito português. 
 
 Caracteriza-se por tentar manter vivo um ideal de 
vida próprio da Cavalaria medieval, mas adaptada 
ao Renascimento. O individualismo bélico cede 
lugar à guerra coletiva, aos torneios, em flagrante 
concessão ao aprimoramento operado na confecção 
de armas e às novidades em matéria de tática mili-
tar. Já não se considerando como valoroso e digno 
de admiração o cavaleiro que luta mas o que ama. 
 
 Embora de larga circulação na Espanha e Itália, 
em Portugal a novela bucólica e sentimental é re-
presentada por Menina e Moça (ou Saudades, 
1554), de Bernardim Ribeiro. Ao mistério que envol-
ve a vida do escritor, é preciso acrescentar a dúvida 
que ainda paira sobre a identidade da novela. A 
narrativa divide-se em duas partes, a primeira com 
trinta e um capítulos, a segunda com cinqüenta e 
oito. Seu caráter bucólico e sentimental se revela 
pelo tom melancólico e pessimista que varre toda a 
novela. 
 
 Duas são as interlocutoras, a Menina e Moça, 
que funciona como narradora, e a Senhora idosa. 
Apostilas Solução - Professor Educação Básica \u2013 PEB II 
 
 100 Bibliografia para Língua Portuguesa 
 Ao contrário das novelas de cavalaria em que o 
protagonista é sempre o cavaleiro, a narrativa de 
Bernardim tem como centro de interesse a mulher e 
sua psicologia amorosa: evidente prenúncio da psi-
cose romântica. 
 
O TEATRO CLÁSSICO 
 
 O teatro clássico, quando comparado com o 
vigor, o brilho e a espontaneidade do teatro vicenti-
no é secundário. De inspiração clássica (Plauto, 
Terêncio e Sêneca) teve como expoentes: 
Sá de Miranda (Os Estrangeiros, Os Vilhalpandos), 
Antonio Ferreira (A Castro, Bristo e Cioso), Jorge 
Ferreira de Vasconcelos (Aulegrafia, Eufrosina, 
Ulissipo). 
 
 Merece destaque A Castro (Tragédia de D. Inês 
de Castro - publicada em 1587), de Antonio Ferrei-
ra, que é a primeira tragédia clássica em português 
e uma verdadeira obra-prima no gênero. 
 
V \u2013 BARROCO (1580-1756) 
 
 Em 1578, quando Dom Sebastião desaparece na 
batalha de Alcacer-Quibir é chegado o ocaso me-
lancólico da pátria portuguesa. O barroco em Portu-
gal desenvolve-se entre 1580 quando Portugal 
perde sua autonomia política, passando a integrar o 
reino da Espanha e vai até 1756 com a fundação da 
Arcádia Lusitana \u2013 uma academia poética -, e tem 
início um novo estilo: o Arcadismo. 
 
 Moisés afirma que o movimento barroco, iniciado 
na Espanha e introduzido em Portugal durante o 
reinado filipino, corresponde a uma profunda trans-
formação cultural, cujas raízes constituem ainda 
objeto de discussão e divergência. 
 
 Para ele, o Barroco procurou conciliar o espírito 
medieval, considerado de base teocêntrica, e o es-
pírito clássico, renascentista, de essência pagã, 
terrena e antropocêntrica. Entendendo que conhe-
cer é identificar-se com, assimilar o objeto ao sujei-
to, parece evidente que a dicotomia barroca (corpo 
e alma, luz e sombra, etc.) corresponde a dois mo-
dos de conhecimento. cultismo e conceptismo: 
 
1. Cultismo ou gongorismo - valorização de for-
ma e imagem, jogo de palavras, uso de metáforas, 
hipérboles, analogias e comparações. Manifesta-se 
uma expressão da angústia de não ter fé. 
 
2. Conceptismo ou quevedismo - valorização do 
conteúdo/conceito, jogo de idéias através do racio-
cínio lógico. Há o uso da parábola com finalidade 
mística e religiosa. 
 
PADRE ANTONIO VIEIRA 
 
 Nasceu em Lisboa e viveu no Brasil. Adquiriu 
prestígio junto à Corte por ser o confessor real. Per-
seguido pela Inquisição por defender os judeus, 
volta ao Brasil onde passa a combater a escravidão 
dos indígenas e, com outros jesuítas, é expulso do 
Maranhão. 
 
 Preso pela Inquisição, é proibido de pregar e 
condenado à prisão domiciliar. Sua atuação política, 
intimamente associada à sua obra, centralizou-se 
na defesa dos judeus, negros e índios. 
 A obra do padre Vieira compreende: 
 
a) Cartas, sermões e obras de profecia (de inte-
resse documental), Vieira trata de diversos assuntos 
relacionados à sua atuação e à questões políticas 
do momento em que vivia no Brasil). 
 
b) Sermões. O sermão consistia em interpretar o 
texto sagrado citado à cabeça do sermão. Segundo 
a exegética tradicional, o texto tinha quatro sentidos: 
o sentido literal ou histórico, o alegórico (maneira 
velada de manifestar uma verdade da fé), o moral 
(ensinamento sobre como se comportar na vida), o 
anagógico, relativo à outra vida. 
 
 Os sermões vieirianos seguem a estrutura clás-
sica tripartida: Intróito (ou exórdio), em que o orador 
declara o plano a utilizar na análise do tema em 
pauta: desenvolvimento (ou argumento), em que se 
apresentam os prós e os contras da proposição e os 
exemplos que os abonam; peroração, em que o 
orador finaliza a prédica conclamando os ouvintes à 
prática das virtudes que nela se enaltecem. 
 
 Dono de uma linguagem dramática, ainda hoje a 
leitura dos sermões demonstram o autor e ator 
cheio de vigor e que surpreende a cada passo pelas 
respostas paradoxais que dá às perguntas que ele 
próprio faz ao texto pregado e a si mesmo. 
 
 Uma das virtudes da eloqüência de Vieira é a 
chamada \u201cpropriedade\u201d, ou a arte de encontrar as 
palavras mais próprias para o que se quer significar. 
A mais famosa criação da sua imaginação é a teoria 
do quinto império do mundo, sob a égide do rei de 
Portugal, que seria inaugurado com a segunda vin-
da de Cristo a Terra e com a chegada do messias 
dos judeus: \u201cseria D. João IV, quem estava destina-
do a derrotar definitivamente os turcos e reconduzir 
os judeus dispersos no mundo à sua terra de ori-
gem, a Palestina.\u201d O quinto império tem a ver com a 
crença na missão providencial dos Portugueses 
(equivalente à dos Hebreus no seu tempo). A dou-
trina do quinto império, tal como é tratada