23035A Literatura Portuguesa. MOISES  Massaud
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23035A Literatura Portuguesa. MOISES Massaud


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por Vieira, 
especialmente na sua obra incompleta História do 
Futuro, tem um lado prático: obter o regresso a Por-
tugal dos judeus fugidos e seus capitais. 
 
 Sua imaginação verbal, e o estilo de pensar, com 
os seus paradoxos, aproximam o Padre Antonio 
Vieira de Fernando Pessoa, que o considerava seu 
mestre e \u201cimperador da língua portuguesa\u201d. 
 
D. FRANCISCO MANUEL DE MELO 
 
 Deixou uma obra vastíssima em português e em 
castelhano, repartida por todos ou quase todos os 
gêneros cultivados na época, até agora só parcial-
mente publicados. Suas poesias são em parte cas-
telhanas, em parte portuguesas, ao gosto gongóri-
co. 
 
 Escreveu, ainda, nas duas línguas tratados mo-
rais, o mais célebres dos quais é a Carta de Guia de 
Casados, muito apreciada em Portugal, porque é a 
expressão mais completa de um certo modelo por-
tuguês de vida conjugal. Deu a sua contribuição ao 
teatro com O Fidalgo Aprendiz, ao gosto vicentino, 
mas com personagens suas contemporâneas. So-
bre o Brasil escreve: \u201cparaíso de mulatos, purgató-
rio de brancos e inferno de negros\u201d. 
Apostilas Solução - Professor Educação Básica \u2013 PEB II 
 
 
Bibliografia para Língua Portuguesa 101 
PADRE MANUEL BERNARDES 
 
 Nasceu em Lisboa e compôs sua obra no silên-
cio claustral. Sua existência e sua obra opõem-se 
às do Padre António Vieira. Era um contemplativo e 
místico por natureza, e as obras que escreveu, re-
fletem essa condição e sua fé inquebrantável: \u201ces-
creveu suas obras com os olhos voltados para o 
plano transcendente, embora não se esquecesse 
de os dirigir igualmente para os seus semelhantes, 
dentro e fora dos mosteiros\u201d. 
 
 Deixou Nova Floresta (5 vols), Pão Partido em 
Pequeninos, Luz e Calor, Exercícios Espirituais, 
Últimos Fins do Homem, Armas da Castidade, Ser-
mões e Práticas (2 vols, 1711), Estímulo prático 
para seguir o bem e fugir o mal. 
 
 Segundo Moisés, o Padre Manuel Bernardes 
tornou-se um autêntico modelo da prosa literária 
seiscentista através da linguagem, conceptista, ele-
gante, espontânea e precisa. 
 
A HISTORIOGRAFIA. 
A HISTORIOGRAFIA ALCOBACENSE 
 
 Observa-se nítida regressão na historiografia 
seiscentista. É o que se nota claramente no caso da 
"historiografia alcobacense", assim chamada por ser 
escrita por algumas gerações de sacerdotes do 
Mosteiro de Alcobaça. 
 
 Na obra coletiva, intitula-se Monarquia Lusitana, 
está presente uma concepção medieval e imaginosa 
da História, pois \u201cseus autores não temeram incluir 
tudo quanto era fábula e mitologia relacionada com 
a história de Portugal, a começar de Adão e Eva, ao 
mesmo tempo que davam por verdadeiros docu-
mentos apócrifos, ou inventavam-nos quando ne-
cessários ao panorama que pretendiam oferecer\u201d. 
 
FREI LUIS DE SOUSA 
 
 Antes de entrar para a vida religiosa, chamava-
se Manuel de Sousa Coutinho. Nasceu em Santa-
rém, por volta de 1555, e faleceu em 1632. Depois 
de prestar serviços a Filipe II em Espanha, regressa 
a Portugal e casa-se com D. Madalena de Vilhena, 
viúva de D. João de Portugal, desaparecido em 
Alcácer-Quibir com D. Sebastião. Anos mais tarde, 
quer a lenda que um peregrino vem ter a Lisboa 
para dizer a D. Manuel que o primeiro marido de D. 
Madalena ainda é vivo em Jerusalém. A morte da 
filha do casal apressa a execução dum propósito 
anterior, e ambos tomam hábito, ele no Convento de 
S. Domingos de Benfica, onde assume o nome por 
que é conhecido, e ela, no do Sacramento. Essa 
história inspirou Garrett na composição de sua tra-
gédia Frei Luís de Sousa, obra-prima no teatro ro-
mântico. Escreveu: Vida de D. Frei Bartolomeu dos 
Mártires, História de São Domingos Particular do 
Reino, Conquistas de Portugal e Anais de D. João 
III. 
 
 Contrariamente aos processos empregados em 
Alcobaça, Frei Luís de Sousa compõe sua obra com 
rigor e severidade na interpretação dos fatos e do-
cumentos. Linguagem castiça, fluente, plástica, 
evitou os excessos barrocos, procurou a sobriedade 
na variedade, e acabou sendo um modelo da me-
lhor prosa do século XVII. 
A EPISTOLOGRAFIA 
 
 Durante o século XVII, a epistolografia ganhou 
fisionomia literária autônoma, como exercício literá-
rio, onde o epistológrafo imaginava um destinatário 
qualquer ou dirigia-se a uma audiência fictícia. 
 
SÓROR MARIANA ALCOFORADO 
 
 Nasceu em Beja e ingressa no Convento de 
Nossa Senhora da Conceição em sua cidade natal. 
Conhece e enamora-se por Chamilly, oficial Fran-
cês servindo em Portugal durante as guerras da 
Restauração e quando ele volta para a França tro-
caram correspondência e suas cartas são publica-
das como \u201cLettres Portugaises\u201d, sem declarar o 
nome do destinatário e o tradutor. 
 
 No texto das cartas vinha o nome da remetente: 
Mariana. 
 
 As cartas retratam segundo Moisés, \u201ca sincera, 
franca e escaldante confissão duma mulher que se 
desnuda interiormente para o amante cínico, ingrato 
e ausente, com fúria de fêmea abandonada, sem 
qualquer rebuço ou pudor. (...) As Cinco Cartas de 
Amor, escritas por uma mulher, que alcança dizer 
com rara precisão os seus transes íntimos (via de 
regra mantidos ocultos ou disfarçados pelo comum 
das mulheres), ganham maior relevo ainda como 
documento "humano" e literário precisamente por-
que não visavam à publicação nem a ser encaradas 
como peça literária (...)\u201d. 
 
A POESIA BARROCA 
 
 A poesia barroca corresponde mais ao culto da 
forma, do verso, que da essência, do conteúdo, do 
sentimento, da emoção lírica, ao contrário da litera-
tura doutrinária e moralista. 
 
 A poesia barroca em Portugal apresenta-se em 
poetas isolados e em antologias organizadas com 
idêntico espírito ao que presidiu à compilação dos 
cancioneiros medievais. 
 
 A "Fenix Renascida" e o "Postilhão De Apolo" 
são as duas antologias mais importantes da poesia 
seiscentista em Portugal. 
 
 
O TEATRO DO SÉCULO XVIII 
 
 Após Gil Vicente, o teatro português decai, ape-
sar das obras e do empenho de alguns escritores 
como o Fidalgo Aprendiz, de D. Francisco Manuel 
de Melo, voltando a brilhar com o surgimento de 
Antônio José da Silva, alcunhado "o judeu". 
 
 Nascido no Rio de Janeiro em 1705, criou um 
novo tipo de teatro. Sua primeira peça, A Vida do 
Grande D. Quixote de la Mancha e do Gordo San-
cho Pança. 
 
 Em \u201cGuerras do Alecrim e Manjerona\u201d, ele critica 
e satiriza \u201cos fidalgos pretensiosos que galanteiam 
as primas aperaltadas no rebuscado estilo gongóri-
co enquanto de caminho apalpam os braços roliços 
das criadas\u201d. Antonio José satiriza o costume e, 
através dele, a sociedade lisboeta nos começos do 
século XVIII. 
Apostilas Solução - Professor Educação Básica \u2013 PEB II 
 
 102 Bibliografia para Língua Portuguesa 
 Escreveu ainda: Esopaida ou Vida de Esopo, 
Encantos de Medéia, Anfitrião ou Júpiter e Alcmena, 
Labirinto de Creta, Precipício de Faetonte, além de 
outras peças que lhe tem sido atribuídas, como a 
Ninfa Siringa, e a novela O Diabinho da Mão Fura-
da. 
 
 Suas peças recebem o nome de óperas, pois 
eram acompanhadas de música e de canto. 
 
 
ARCADISMO (1756-1825) 
 
 As primeiras manifestações anti-barrocas vem de 
longe: já na Fénix Renascida começaram a apare-
cer notas satíricas contra alguns exageros barrocos 
e em 1756 é fundada a Arcádia Lusitana (símile da 
Arcádia Romana, fundada em Roma, em 1690), por 
iniciativa de Antonio Dinis da Cruz e Silva, Manuel 
Nicolau Esteves Negrão e Teotónio Gomes de Car-
valho. A Arcádia Lusitana vigora até 1774. 
 
 Seu lema - inutilia truncat - desejam testemunhar 
seu repúdio às "coisas inúteis" que adornavam pe-
sadamente a poesia barroca, o objetivo é restaurar 
a autêntica poesia clássica. Assim, empreendem 
uma espécie de