ESTRATEGIAS COMERCIAIS DAS FILIAIS BRASILEIRAS DE
29 pág.

ESTRATEGIAS COMERCIAIS DAS FILIAIS BRASILEIRAS DE


DisciplinaEconomia Internacional A66 materiais493 seguidores
Pré-visualização9 páginas
1997 Exportações 10.817,1 52.985,85 20,42%
Importações 11.980,9 61.358,35 19,53%
Saldo (1.163,8) (8.372,51) 13,90%
Var. 89/97 X 93,41% 54,11%
Var. 89/97 M 400,43% 235,96%
Var. 89/97 S (136,38%) (151,94%)
Fonte: NEIT/IE/Unicamp, a partir de dados da Secex
123Célio Hiratuka \u2013 Estratégias comerciais das filiais brasileiras...
entre 1989 e 1997, bastante superior inclusive ao crescimento verificado no
total da economia. No caso das importações, observa-se o mesmo fenôme-
no. Enquanto as importações totais cresceram 236%, as da amostra cresce-
ram 400,4%. O maior crescimento das importações em relação às exporta-
ções acabou por resultar em saldos negativos tanto para a economia como
para as empresas da amostra, embora para estas últimas de maneira menos
acentuada.
Classificando essas empresas por setor de atuação, é possível perceber
que, dentro desse resultado geral, existem diferenças importantes nos de-
sempenhos dos diferentes setores, como fica claro nas tabelas a seguir.
Analisando as exportações, é possível notar que apenas as empresas de
dois setores tiveram um desempenho exportador em 1997 pior do que o
desempenho de 1989. Entre estas, destaca-se o setor de mineração com uma
queda de 21,8%. O setor de máquinas e equipamentos mecânicos apresen-
tou uma queda ainda mais acentuada (35%), embora em termos de valor
esse setor seja menos importante do que o setor de mineração.
Entre as empresas que apresentaram desempenho positivo e participa-
ção relativa elevada no total da amostra em 1997, destacam-se as filiais per-
tencentes aos setores de alimentos, autopeças, equipamentos de transpor-
te e fumo. O setor automobilístico, embora seja o mais importante em ter-
mos relativos, teve desempenho positivo, porém pouco abaixo da média da
amostra. Os setores de higiene e limpeza, não-metálicos, equipamentos pa-
ra telecomunicações e máquinas e equipamentos elétricos experimentaram
crescimento acima da média da amostra, mas continuaram tendo participa-
ção relativa baixa em 1997.
Em alguns setores onde o país tradicionalmente apresenta bom desem-
penho exportador, como siderurgia e papel e celulose, as empresas estran-
geiras da amostra tiveram um aumento abaixo da média da amostra e bas-
tante próximo ao desempenho do total das exportações.
Quanto às importações, ocorreu um aumento significativo em quase to-
dos os setores, embora também se possam destacar diferenças setoriais im-
portantes. Apenas as empresas dos setores de minerais não-metálicos, hi-
giene e limpeza e autopeças apresentaram um aumento nas importações
menor do que o aumento verificado nas exportações para o período em
questão.
124 R. Econ. contemp., Rio de Janeiro, 4(2): 113-141, jul./dez. 2000
Ta
b
el
a 
2:
 E
vo
lu
çã
o
 d
as
 e
xp
o
rt
aç
õ
es
 e
 im
p
o
rt
aç
õ
es
 d
as
 e
m
p
re
sa
s 
d
a 
am
o
st
ra
p
o
r 
se
to
r 
d
e 
at
iv
id
ad
e 
(1
98
9,
 1
99
2 
e 
19
97
)
Ex
po
rt
aç
õe
s
Im
po
rt
aç
õe
s
Se
to
r
19
89
19
92
19
97
Pa
rt
. r
el
. 1
99
7
V
ar
. 8
9/
97
19
89
19
92
19
97
Pa
rt
. r
el
. 1
99
7
V
ar
. 8
9/
97
A
lim
en
to
s
43
4,
6
32
1,
4
1.
26
2,
3
11
,7
%
19
0,
4%
 7
2,
7
60
,2
 5
09
,8
4,
3%
60
1,
4%
A
ut
om
ob
ilí
st
ic
o
1.
66
4,
9
2.
11
5,
4
3.
21
5,
5
29
,7
%
93
,1
%
39
5,
2
1.
07
1,
5
3.
68
0,
3
30
,7
%
83
1,
2%
A
ut
op
eç
as
32
6,
4
63
2,
2
1.
05
6,
7
9,
8%
22
3,
7%
24
4,
2
25
0,
0
70
5,
7
5,
9%
18
8,
9%
El
et
ro
el
et
rô
ni
ca
/
in
fo
rm
át
ic
a
32
3,
0
39
5,
2
42
4,
6
3,
9%
31
,5
%
41
2,
7
42
4,
4
1.
59
9,
1
13
,3
%
28
7,
4%
Eq
ui
p.
 d
e 
tr
an
sp
or
te
50
0,
0
84
8,
0
1.
06
0,
1
9,
8%
11
2,
0%
25
0,
2
25
4,
3
1.
05
3,
8
8,
8%
32
1,
2%
Fa
rm
ac
êu
tic
o
21
,1
12
,0
36
,8
0,
3%
74
,9
%
92
,4
16
1,
6
58
0,
4
4,
8%
52
7,
9%
Fu
m
o
20
2,
3
37
4,
1
83
4,
3
7,
7%
31
2,
4%
5,
6
42
,9
22
7,
3
1,
9%
3.
93
0,
7%
H
ig
ie
ne
 e
 li
m
pe
za
15
,0
14
0,
8
10
9,
4
1,
0%
63
1,
9%
54
,1
81
,2
31
4,
2
2,
6%
48
1,
4%
M
áq
ui
na
s 
e 
eq
ui
p.
el
ét
ric
os
56
,7
12
4,
8
16
2,
3
1,
5%
18
6,
4%
81
,6
11
6,
3
35
0,
0
2,
9%
32
8,
8%
M
áq
ui
na
s 
e 
eq
ui
p.
m
ec
ân
ic
os
14
8,
2
44
,4
95
,4
0,
9%
(3
5,
6)
%
20
,7
26
,4
49
,7
0,
4%
13
9,
8%
M
in
er
aç
ão
70
4,
8
62
1,
1
55
1,
3
5,
1%
(2
1,
8)
%
12
,9
21
,3
54
,3
0,
5%
32
1,
1%
N
ão
-m
et
ál
ic
os
28
,9
36
,4
72
,6
0,
7%
15
1,
0%
18
,3
27
,0
10
,5
0,
1%
(4
2,
4)
%
Pa
pe
l e
 c
el
ul
os
e
29
2,
9
26
9,
8
43
8,
1
4,
0%
49
,6
%
9,
7
9,
2
49
,9
0,
4%
41
4,
8%
Q
uí
m
ic
a
33
0,
0
46
7,
1
54
1,
8
5,
0%
64
,2
%
51
1,
6
66
3,
1
1.
23
5,
7
10
,3
%
14
1,
5%
Si
de
ru
rg
ia
/
m
et
al
ur
gi
a
48
4,
7
68
6,
0
76
5,
9
7,
1%
58
,0
%
93
,8
12
1,
2
35
4,
1
3,
0%
27
7,
3%
Te
le
co
m
un
ic
aç
õe
s
59
,3
57
,5
18
9,
9
1,
8%
22
0,
0%
11
8,
3
23
4,
6
1.
20
6,
2
10
,1
%
91
9,
7%
To
ta
l
5.
59
2,
7
7.
14
5,
9
10
.8
17
,1
10
0,
0%
93
,4
%
2.
39
4,
1
3.
56
5,
0
11
.9
80
,9
10
0,
0%
40
0,
4%
Fo
nt
e:
 F
on
te
: N
EI
T/
IE
/U
ni
ca
m
p,
 a
 p
ar
tir
 d
e 
da
do
s 
da
 S
ec
ex
125Célio Hiratuka \u2013 Estratégias comerciais das filiais brasileiras...
As empresas do setor de telecomunicações partiram de um volume de
importações de US$ 118 milhões em 1989 e atingiram US$ 1,2 bilhões em
1997, totalizando um aumento de 920%. Apenas as empresas de fumo apre-
sentaram crescimento maior, apesar de continuarem tendo um volume to-
tal de importações relativamente pequeno. Cabe ainda destacar as empresas
do setor automobilístico, que em 1997 responderam por cerca de 30% do
total importado pelas empresas da amostra. O crescimento das importações
dessas empresas atingiu 831%. As empresas de alimentos, farmacêutica e
higiene e limpeza também tiveram aumento de importações expressivo.
Agregando as informações sobre as vendas das empresas estrangeiras foi
possível analisar também os coeficientes de exportação e importação da
amostra2 nos anos de 1989 e 1997. Esses dados são importantes, porque per-
mitem ter uma visão mais aprofundada da importância das importações e
exportações em relação ao volume de vendas das filiais brasileiras.
Um primeiro fato que chama atenção a partir dos coeficientes de comér-
cio das empresas estrangeiras é que, apesar de grande parte das filiais da
amostra terem aumentado o volume absoluto de exportações, quando com-
paradas com a evolução do faturamento, é possível observar uma queda do
coeficiente de exportação para o total da amostra de 12,1% para 11,4%.
Novamente verificam-se diferenças setoriais importantes.