1º Boletim de Geração de Energia Elétrica
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1º Boletim de Geração de Energia Elétrica


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da matriz nacional e abastece 6 
milhões de residências. 
 De acordo com o Conselho Global de Energia Eólica, o Brasil tem a 10ª 
maior capacidade de geração do mundo e, em 2014, foi o quarto que mais ampliou 
esse potencial, atrás de China, Alemanha e Estados Unidos. 
 Essa transformação fez do Nordeste o polo da energia eólica no Brasil: a 
região responde por 75% da capacidade de produção nacional (o restante se 
concentra no Sul do país) e 85% da energia gerada de fato no país por essa fonte. 
Dos cinco maiores Estados produtores, quatro são da região: Rio Grande do Norte, 
Ceará, Bahia e Piauí - o Rio Grande do Sul completa a lista. 
 
 
Projetos inovadores de turbinas gêmeas para pontes e viadutos prometem diminuir o custo das 
instalações. [Imagem: José Antonio Peñas/Sinc] 
Nordeste eólico 
 O que torna o Nordeste tão atraente para esse tipo de atividade? 
 Trata-se de uma vocação natural da região, segundo o ministro de Minas e 
Energia, Eduardo Braga, opinião compartilhada por especialistas. 
 "O vento brasileiro está predominantemente localizado na parte setentrional 
do Nordeste, com potencial identificado de 300 gigawatts," disse Braga à BBC 
Brasil. "Esse potencial tem-se revelado cada vez mais eficiente, levando a um 
investimento significativo nessa região.\u201d. 
 Élbia Gannoum, presidente da Abeeólica, explica que, enquanto a média de 
produtividade de um gerador eólico é de 28% a 30% no mundo e supera 50% no 
Brasil, este índice atinge picos de 83% no Nordeste. 
 "Além de ter uma velocidade bem superior à necessária para geração de 
energia, o vento na região é unidirecional e estável, sem rajadas. Isso significa que 
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a energia é produzida o tempo todo," afirma Gannoum. "Este tipo de vento vem do 
Atlântico e chega a mais três outros países: Etiópia, Venezuela e Somália. Mas eles 
não têm parques eólicos para aproveitá-lo." 
 
 
Em regiões de menos ventos, a saída pode ser o uso de turbinas eólicas voadoras. [Imagem: Altaeros 
Energies] 
 Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 
que é vinculada ao Ministério de Minas e Energia, afirma que a produção eólica faz 
do Brasil e, por consequência, do Nordeste, um "caso de sucesso em energia eólica 
no mundo" que seria estudado "por países da Europa, como a Alemanha, e outros da 
América Latina". 
 "Fui convidado para integrar a mesa de abertura do seminário da associação 
europeia de energia eólica. Será emblemático ter um brasileiro participando de um 
evento feito por europeus e para europeus. Isso mostra o interesse do mundo por 
nós," disse Tolmasquim. 
Tecnologia eólica 
 Avanços tecnológicos também contribuíram para tornar o processo mais 
competitivo no Brasil. Nos últimos dez anos, as torres de geradores ficaram mais 
altas, passando de 50 metros para os 100 a 120 metros atuais, o que permite captar 
ventos mais velozes. Ao mesmo tempo, a potência das máquinas triplicou, 
alcançando 3 megawatts. 
 
\uf0b7 Maior turbina eólica do mundo tem 154 metros 
 
 Os geradores mais eficientes reduziram o custo da energia eólica. Hoje, o 
preço médio é 45% menor do que há dez anos, fazendo com a eólica seja a segunda 
energia mais barata no país, só atrás da hidrelétrica. 
 
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A estrutura do maior gerador eólico do mundo equivale a dois apartamentos de três quartos - cada um 
com um pé-direito de 8 metros. [Imagem: Vestas] 
Ventos contrários 
 Especialistas apontam, no entanto, problemas e desafios para a expansão da 
geração de energia eólica no Nordeste. Jorge Antônio Villar, coordenador do 
Centro de Energia Eólica da PUC-RS, alerta ser preciso ter atenção aos prejuízos 
ambientais que ela pode causar. 
 "Estudos realizados no Ceará mostram que os parques instalados no Estado 
desestruturaram a dinâmica ambiental e ecológica de dunas locais, além de 
privatizarem áreas localizadas entre comunidades litorâneas e as praias sobre as 
quais elas tinham direito natural", afirma Villar. "O crescimento da atividade 
deveria contar com uma maior preocupação relativa aos métodos e procedimentos e 
uma avaliação mais rigorosa dos impactos socioambientais." 
 Outro aspecto diz respeito à infraestrutura. O ritmo de expansão de parques e 
usinas não tem sido acompanhado na mesma medida pela construção de linhas de 
transmissão para levar esta energia até a população. 
 Em 2014, uma auditoria do Tribunal de Contas da União estimou que a falta 
de linhas impedisse, entre julho de 2012 e dezembro de 2013, que 48 parques e 
usinas no Rio Grande do Norte e na Bahia escoassem sua produção, gerando um 
prejuízo de R$ 929 milhões. 
 
 
 
Fonte: Inovação Tecnológica \u2013 Em 14/11/2015 
Contribuinte: Fernando Sérgio