A abordagem pedagógica do esporte
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A abordagem pedagógica do esporte


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vários 
outros signifi cados que o termo \u201clutas\u201d pode agregar. 
Este autor defi ne que a luta corporal é uma relação 
de oposição, geralmente entre duas pessoas, nas quais 
realizam ações com o objetivo de dominar a outra. 
Essas ações podem ser de toque ou agarre. Para que 
isso seja possível, há duas condições necessárias: \u201co alvo 
da ação deve ser a própria pessoa com quem se luta e a 
possibilidade de fi nalização do ataque deve ser mútua, 
podendo ser simultânea\u201d (PUCINELI, 2004, p.35).
RUFINO e DARIDO (2011) apontam para a 
necessidade de se compreender outras questões 
relacionadas à pedagogia do esporte no contexto 
nacional além dos estudos acerca das modalidades 
esportivas coletivas - que também necessitam de 
mais estudos e maiores compreensões dada sua 
importância e pertinência na sociedade. De acordo 
com os autores, há poucos estudos relacionados às 
modalidades esportivas individuais, como as lutas 
corporais, por exemplo, o que sugere um aumento 
da produção científi ca nessa área, que possibilite 
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RUFINO, L.G.B. & DARIDO, S.C.
Essa defi nição possibilita compreender que o alvo 
das lutas é sempre o oponente e, por isso, é preciso 
que haja o embate, o confl ito entre eles. Porém essa 
defi nição não abrange a prática dos \u201ckatas\u201d e dos 
\u201ckatis\u201d, os movimentos coreografados e sistematizados 
que existem em algumas práticas de lutas, como 
o \u201ckaratê\u201d e o \u201ckung fu\u201d, respectivamente. GOMES 
(2008, p.50) defi ne as formas (\u201ckatas\u201d e \u201ckatis\u201d, 
por exemplo) como: \u201ccombinação de elementos e 
técnicas tradicionais, que expressam a essência dos 
movimentos das Lutas, arranjados numa sequência 
pré-estabelecida, podendo ser executada na presença 
de adversários reais ou imaginários\u201d. 
A maior diferenciação entre as lutas e outras práticas 
corporais é o fato do objetivo principal ser o enfrenta-
mento físico direto com um adversário ou oponente, 
seja ele real, ou seja, personifi cado no outro, seja ela 
maiores compreensões acerca dessas práticas 
corporais (RUFINO & DARIDO, 2011). 
A seguir, serão abordadas algumas das carac-
terizações das lutas corporais enquanto práticas 
pertencentes à cultura corporal. OLIVEIRA (2009) 
considera as características observadas em diversos 
estilos de lutas, de acordo com os seguintes funda-
mentos: traumatizantes, representados por chutes, 
socos, joelhadas, etc.; fi ntas, em situações em que 
o objetivo é enganar ou ludibriar o adversário; 
bloqueios, representado pelas defesas com braços, 
mãos e pernas; esquivas, mudanças de direção; 
desequilibrantes, visando a perda de apoio dos seg-
mentos corporais; projeções, que buscam a queda 
do adversário ao chão; imobilizações, aplicação de 
chaves nas articulações; estrangulamentos, realizados 
no pescoço do adversário; acrobáticos, movimentos 
plásticos, dentre outras.
ESPARTERO (1999) classifi ca as lutas dividindo-as 
em: esportes de luta com agarre, com golpes e com 
implementos. Nas modalidades com agarre, o autor 
caracteriza se a imposição inicial é ou não é obrigatória e 
a fi nalidade da prática (ESPARTERO, 1999). A imposição 
inicial pode ser exemplifi cada com o \u201cjiu jitsu\u201d, em 
que ambos os lutadores iniciam a luta sem imposição 
inicial, ou seja, distanciados entre si, enquanto que no 
judô paraolímpico (para cegos) há imposição inicial e 
ambos os lutadores iniciam a luta já com as pegadas. 
Quantos as fi nalidades, o autor classifi ca diferentes 
objetivos como a projeção do adversário - para alguns, 
está é a tônica do judô moderno - ou na luta leonesa, 
por exemplo, ou se o objetivo é a projeção com uma 
continuação na luta de jogo, como é, por exemplo, o 
caso do \u201cjiu jitsu\u201d (ESPARTERO, 1999).
Já nos esportes de luta com golpes há a divisão em 
\u201cesportes com uso exclusivo dos punhos, como o boxe, 
por exemplo, uso exclusivo das pernas, como savate 
ou o boxe francês e os esportes que utilizam-se dos 
punhos e das pernas, como o \u201ckaratê\u201d, \u201ctaekwondo\u201d, 
entre outros\u201d (GOMES, 2008, p.37). Finalmente, há os 
esportes de luta que utilizam implementos, nos quais 
o objetivo é tocar o implemento em determinadas 
áreas do corpo do adversário, como a esgrima e o 
\u201ckendo\u201d, por exemplo.
RAMIREZ, DOPICO e IGLESIAS (2000) também esti-
pulam formas de classifi cação das lutas, baseando-se 
nas ações motoras durante o combate. Os autores 
separam as lutas em modalidades com agarre, em 
que objetiva-se derrubar e/ou excluir ou controlar, 
bem como fi xar o adversário, como no judô, por 
exemplo; modalidades sem agarre objetivando gol-
pear ou atingir o adversário, exemplo do \u201ckaratê\u201d e, 
Prática corporal imprevisível, caracterizada 
por determinado estado de contato, que pos-
sibilita a duas ou mais pessoas se enfrentarem 
numa constante troca de ações ofensivas e/ou 
defensivas, regida por regras, com o objetivo 
mútuo sobre um alvo móvel personifi cado no 
oponente (GOMES, 2008, p.49, grifo do autor).
fi nalmente, modalidades sem agarre objetivando-se 
tocar o oponente intermediado por algum imple-
mento, como é o caso da esgrima, por exemplo 
(RAMIREZ, DOPICO & IGLESIAS, 2000).
GOMES (2008, p.42) baseou-se nas ideias de 
Bayer sobre as características em comum dos Jogos 
Desportivos Coletivos (JDC) para criar os Princípios 
Condicionais das Lutas, elencados pela autora como: 
\u201ccontato proposital, fusão ataque/defesa, imprevisi-
bilidade, oponente(s)/ alvo(s) e regras\u201d. 
A partir desses princípios, a autora apropriou-se 
de uma defi nição bastante utilizada sobre a caracte-
rização das lutas, que corrobora com PAES (2010), 
dividindo as formas de lutar em três tipos: curta, 
média e longa distância. As lutas de curta distância 
relacionam-se com o agarramento do adversário, as 
lutas de média distância são aquelas que têm como 
característica tocar, percutir golpes no adversário 
(como socos e chutes, por exemplo). Já as lutas de 
longa distância utilizam-se de implementos e outros 
materiais como as espadas, por exemplo. 
Essa divisão facilita os procedimentos didáticos 
pedagógicos do professor que pretende ensinar 
diversos conteúdos da temática das lutas, sem se 
prender à apenas uma prática marcial, abrangendo 
diversos tipos de modalidades diferentes. Dessa 
forma, GOMES (2008) contribui para a compreensão 
das lutas/ artes marciais ao propor que a luta é uma:
 Rev. bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v.26, n.2, p.283-300, abr./jun. 2012 \u2022 289
Pedagogia do esporte e das lutas
imaginário, ou seja, adversário virtual. Portanto, ao lon-
go das ações técnicas e táticas, há possibilidades que vão 
sendo criadas devido a este fator de imprevisibilidade, 
já que o adversário nunca fi cará inerte e responderá às 
reações de forma inesperada, imprevisível. 
Em termos desportivos, é possível considerar que 
os propósitos das lutas corporais ao longo dos tempos 
foram sendo transformados de forma que o processo 
de esportivização pudesse acontecer, mesmo que para 
isso fosse necessário excluir, transformar e ressignifi car 
alguns conceitos e atitudes das lutas corporais. BREDA 
et al. (2010, p.33) apontam que \u201co processo de es-
portivização das lutas trouxe novas formas de prática, 
locais de inserção, métodos de ensino e difusão, o 
que vem sendo novamente alterado com o processo 
de espetacularização dos eventos de lutas\u201d. Porém, é 
importante frisar que nem todas as modalidades de 
lutas sofreram esse processo de esportivização e, mes-
mo aquelas que se tornaram práticas esportivizadas, 
passaram por esse processo de maneiras diferenciadas. 
Sobre a prática pedagógica das lutas corporais, 
MARCELLINO (2003) ao analisar as academias de 
ginástica como opção de lazer, constatou que ne-
nhuma academia observada possuía um processo 
pedagógico defi nido, somente uma academia de 
artes marciais. Embora o autor não defi na