GESTÃO DE ESTOQUES E OPERAÇÕES INDUSTRIAIS
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GESTÃO DE ESTOQUES E OPERAÇÕES INDUSTRIAIS


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ponderações importantes devem ser efetuadas com relação à manu-
tenção de estoques. Primeiramente, ponderações contrárias a existência de estoques, 
quais sejam:
 o pensamento comum entre todos os especialistas é que os estoques absor-
vem capital que poderia ser utilizado de uma forma mais rentável como maxi-
mizar a produtividade e o nível de serviço;
 outro aspecto, também de pensamento comum, é que os estoques pouco 
contribuem com a agregação direta de valor ao produto;
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 a existência de altos níveis de estoques muitas vezes encobre problemas de 
produtividade e eficiência do canal logístico, visto que baixos níveis de esto-
ques exigem uma maior integração e coordenação dos diversos elos da cor-
rente produtiva e há a necessidade de se ficar \u201cesperto\u201d com os fluxos produti-
vos, além é claro de reduzir custos.
Como ponderações favoráveis à existência de estoques, tem-se:
 sem dúvida, uma das razões para a existência dos estoques relaciona-se ao 
aumento do nível de serviço ao cliente; a disponibilidade efetiva de produtos 
no momento que o cliente exigir favorece não somente a manutenção como 
também o aumento do nível de vendas;
 outro fator favorável é a redução dos custos motivados muitas vezes pela eco-
nomia de escala, seja na compra em grandes volumes com maior poder de 
barganha na discussão dos custos, seja no transporte com redução no número 
de viagens e através de modalidades com maior capacidade e fretes menores 
e, como consequência também, com redução de manuseio;
 redução dos custos também no setor de produção, permitindo operações 
mais prolongadas e estáveis, tornando-se menos dependente da variação de 
demanda;
 a redução de custos totais por especulação, afinal, muitas vezes é vantajoso 
adquirir grandes quantidades de materiais a custos mais baixos no presente 
quando seu preço no futuro será mais alto, desde que um estudo aponte 
essa vantagem;
 a falta de consistência de fornecedores pode gerar incertezas, provocando im-
pactos negativos sobre os custos operacionais e ao nível de serviço ao clien-
te, sendo necessário, portanto, a manutenção de estoques para se prevenir 
dessas eventualidades;
 também prevenção de situações imprevistas como greves, desastres naturais 
e climatológicos, picos imprevistos de demanda etc. são alguns aspectos que 
recomendam muitas vezes a manutenção de estoques.
Categorias de materiais em estoques
Os estoques podem ser classificados em diversas categorias de materiais acumu-
lados. Essas categorias de estoques estão vinculadas ao fluxo de material e à forma em 
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que podem ser encontradas nas diferentes etapas dos processos, ou seja, conforme a 
destinação desses materiais na cadeia, como se pode observar a seguir.
Estoques de matéria-prima
São os materiais básicos e necessários para a produção do produto acabado, ou 
seja, aqueles que requerem alguma forma de processamento ou agregação de valor. 
Em algumas empresas que fabricam produtos mais complexos com vários componen-
tes, o estoque de matérias-primas pode consistir em itens já processados, que foram 
comprados de outras empresas ou transferidos de outros setores da empresa.
O volume real de cada matéria-prima depende do tempo de reposição que a em-
presa leva para receber seus pedidos, da frequência do uso, do investimento exigido e 
das características físicas do estoque. Outros fatores que afetam o nível das matérias- 
-primas são as características físicas desse material, como tamanho e durabilidade.
Estoques de produtos em processo
Corresponde a todos os materiais que já sofreram algum tipo de transformação, 
porém não atingiram a forma final do produto a ser comercializado. O estoque de pro-
dutos em processo consiste em todos os materiais que estão sendo usados em um 
processo de produção, são parcialmente acabados e estão em algum estágio interme-
diário da produção. Esses materiais constituem-se de qualquer peça ou componente 
que, de alguma forma, já foi processada, mas pode adquirir mais agregação de valor ou 
outras características no fim do processo produtivo.
O nível de estoques de produtos em processos depende em grande parte da ex-
tensão e complexidade do processo produtivo. Quanto maior for o ciclo de produção, 
maior o nível esperado de produtos em processo e consequentemente maiores serão 
os estoques. Deve se tomar uma especial atenção para o nível de produtos em pro-
cesso, pois quanto maior ele for, maiores serão os custos. Uma gestão de estoques 
eficiente deverá reduzir o estoque dos produtos em processo, o que deve acelerar a 
rotatividade do estoque.
Estoques de produto acabado
Os estoques de produtos acabados são formados por itens que já sofreram o pro-
cesso de transformação e estão prontos para ser vendidos. Nas empresas que produ-
zem por encomenda, o estoque de produto acabado é muito baixo, tendendo a zero, 
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pois teoricamente todos os itens já foram vendidos antes de serem produzidos (pro-
cessos pull). Já no caso das empresas que produzem para estoque, onde os produtos 
são fabricados antes da venda, o nível de produtos acabados é determinado na maio-
ria das vezes pela previsão de vendas (processos push).
Para adequar os estoques da empresa ao nível de demanda exigido, deve haver 
uma grande harmonia entre a programação da produção e a gestão de estoques e o 
departamento de vendas, para que a produção forneça uma quantidade suficiente de 
produtos acabados, para satisfazer as previsões de vendas, sem criar estoques em ex-
cesso. Um fator importante quanto aos produtos acabados é o seu grau de liquidez.
Uma empresa que vende um produto de consumo popular pode estar mais 
segura se mantiver níveis altos de estoques, visto que a demanda é maior, do que uma 
empresa que produz produtos relativamente especializados, com baixa demanda, a 
qual teoricamente terá um nível estoque menor. Quanto maior a liquidez dos produtos 
e menos sujeitos à obsolescência, maiores serão os níveis de estoque que uma empre-
sa poderá suportar.
Estoques de manutenção
Nesse tipo de estoque, estão inseridos todos os itens não regularmente consu-
midos pelo processo produtivo para agregação de valor ao produto. Embora não se 
trate de itens incorporados aos produtos em si, são itens de grande importância para 
as organizações, pois a falta deles pode representar perdas substanciais, já que pode 
acarretar em paradas e por vezes indisponibilidade por longos períodos de equipa-
mentos importantes para o processo de produção. Aliado a isso, nem toda a demanda 
por peças sobressalentes pode ser classificada como independente, pois muitos so-
bressalentes são usados em manutenção preventiva, ou seja, substituição regular de 
peças, baseada nas horas de uso do equipamento.
Sua demanda pode ser calculada com base no programa de manutenção preven-
tiva dos equipamentos. A demanda independente para sobressalentes ocorre apenas 
para as peças envolvidas nas manutenções corretivas, ou seja, aquelas em que a repo-
sição de peças existe quando ocorre uma falha.
Estoques de materiais de embalagem e unitização
Esses estoques, embora pareçam de pouca importância, em um grande número 
de empresas são bastante significativos e correspondem ao ajuntamento de caixas 
para embalar produtos, recipientes, rótulos, paletes etc.
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Estoques em consignação
São os estoques geralmente de produto acabado que permanecem; ou no clien-
te, sob sua guarda, para ser consumido, porém, ainda de propriedade do fornecedor; 
ou no fornecedor, sob sua guarda, porém, de propriedade do cliente, para consumo 
deste posteriormente.
Tipos de estoques
Os estoques existem em
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