Linguística Aplicada ao Ensino da Língua Portuguesa - Conteúdo Online
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ser somente 
compostos por linguagem verbal, como o exemplo 1 abaixo, ou que podem ser uma mistura 
de linguagem verbal como o exemplo 2, ou ainda, possuir apenas linguagem verbal como o 
exemplo 3. 
Exemplo 1: 
 
 
 
 
 
 
Exemplo 2: 
 
 
 
 
 
 
 
Exemplo 3: \u2015O texto pode ser tido como um tecido estruturado, uma entidade significativa, 
uma entidade de comunicação e um artefato sociohistórico.\u2016 (MARCUSCHI, Luiz A. Produção 
textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008). 
Quando consideramos a escuta de textos, interessa-nos, por razões óbvias, o exemplo 3. Em 
nossa aula 3, trouxemos o desenho a seguir, presente nos PCNs de Terceiro e Quarto Ciclos 
do Ensino Fundamental (1998, p. 35), que ilustra a relação entre a escuta e a produção de 
textos. 
 
 
 
 
 
PRÁTICA DE 
ESCUTA E DE 
LEITURA DE 
TEXTOS 
PRÁTICA DE 
PRODUÇÃO DE 
TEXTOS ORAIS E 
ESCRITOS 
USO 
PRÁTICA DE 
ANÁLISE 
LINGUÍSTICA 
REFLEXÃO 
Quando se fala em \u2017escuta\u2018 de textos, o que temos nos PCNs de Terceiro e Quarto Ciclos do 
Ensino Fundamental? 
\u2015No processo de escuta de textos orais, espera-se que o aluno: 
\uf0b7 Amplie, progressivamente, o conjunto de conhecimentos discursivos, semânticos e 
gramaticais envolvidos na construção dos sentidos do texto; 
\uf0b7 Reconheça a contribuição complementar dos elementos não verbais (gestos, 
expressões faciais, postura corporal); 
\uf0b7 Utilize a linguagem escrita, quando for necessário, como apoio para registro, 
documentação e análise; 
\uf0b7 Amplie a capacidade de reconhecer as intenções do enunciador, sendo capaz de aderir 
a ou recusar as posições ideológicas sustentadas em seu discurso.\u2016 (p. 49). 
Na prática de escuta de textos orais, temos, ainda: 
\uf0b7 \u2015Compreensão dos gêneros do oral previstos para os ciclos articulando elementos 
linguísticos a outros de natureza não verbal; 
\uf0b7 Identificação de marcas discursivas para o reconhecimento de intenções, valores, 
preconceitos veiculados no discurso; 
\uf0b7 Emprego de estratégias de registro e documentação escrita na compreensão de textos 
orais, quando necessário; 
\uf0b7 Identificação das formas particulares dos gêneros literários do oral que se distinguem 
do falar cotidiano.\u2016 (PCN do Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental, p. 23). 
Como alcançar esses objetivos? 
Travaglia (2003), em Gramática Ensino Plural, nos apresenta, por exemplo, um \u2017Exercício de 
transformação\u2018 interessante no que concerne ao trabalho com a oralidade: 
\u2015Observe que nos textos abaixo, quando mudamos a forma verbal em negrito, muda o sentido 
que podemos dar à expressão de tempo (adjunto adverbial) em itálico. Diga o sentido da 
expressão de tempo em cada caso e o que muda no sentido do texto como um todo. 
A- Nosso atleta correu há cinco horas. 
B \u2013 Nosso atleta corre há cinco horas. 
A- Ricardo caminhou meia hora. 
B- Ricardo caminhava meia hora. 
A- As samambaias brotaram em junho. 
B- As samambaias brotavam em junho.\u2016 
(TRAVAGLIA, 2003, p. 207) 
Quer outro exemplo? 
\u2015(51) Procure dizer qual a ideia de tempo que a locução verbal (ou perífrase verbal) em 
negrito exprime: 
João vai ler este livro que o professor recomendou. 
João, vá lendo este livro, que no próximo mês vamos conversar com seu autor. 
João tinha lido este livro, que no próximo mês vamos conversar com seu autor. 
João acabou de ler este livro e o achou muito bom. 
João está lendo este livro, para discuti-lo com você. [...]\u2016 (TRAVAGLIA, 2003, p. 215). 
Conversando Sobre Linguística Textual 
A Linguística do Texto ou Linguística Textual, primeiramente chamada \u2017Gramática 
Textual\u2018, surgiu em meados da década de 1960 e trata, atualmente, de textos orais e escritos, 
no que concerne à produção e à compreensão de textos. Por trabalhar com situações 
concretas de uso da língua, essa teoria nos traz uma perspectiva de trabalho em que se 
consideram a organização dos enunciados, a produção de sentidos, o funcionamento 
discursivo da língua. 
\u2015A gramática textual surgiu com a finalidade de refletir sobre fenômenos linguísticos 
inexplicáveis por meio de uma gramática do enunciado. O que a legitima e, pois, a 
descontinuidade existente entre enunciado e texto, já que há entre ambos uma diferença de 
ordem qualitativa (e não meramente quantitativa). 
Sendo o texto muito mais que uma simples sequência de enunciados, a sua compreensão e a 
sua produção derivam de uma competência específica do falante \u2013 a competência textual \u2013 
que se distingue da competência frasal ou linguística em sentido estrito [como a descreve, por 
exemplo, Chomsky (1965)]. Todo falante de uma língua tem a capacidade de distinguir um 
texto coerente de um aglomerado incoerente de enunciados, e esta competência é, também, 
especificamente linguística \u2013 em sentido amplo. Qualquer falante é capaz de parafrasear um 
texto, de resumi-lo, de perceber se está completo ou incompleto, de atribuir-lhe um título ou, 
ainda, de produzir um texto a partir de um título dado.\u2016 (FÁVERO, Leonor Lopes e KOCH, 
Ingedore G. Villaça. Linguística textual: introdução. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2002.) 
Segundo Marcuschi (2008, p. 75), \u2015O texto não é simplesmente um artefato linguístico, mas 
um evento que ocorre na forma da linguagem inserida em contextos comunicativos\u2016. Essa 
conceituação de texto aplica-se tanto à fala quanto à escrita. Lembram-se do PDF 
apresentado na aula 6: Representação do contínuo de gêneros textuais na fala e na escrita? 
Nele, percebemos que a fala parte de gêneros textuais que acontecem em situações 
informações como uma simples conversa entre amigos, passa pelo campo das entrevistas, das 
reportagens e chega às exposições acadêmicas mais complexas. E onde mais o aluno 
aprenderia a lidar com essa diversidade de textos se não na escola? Como compreender o 
nível de formalidade exigido por cada um desses contextos comunicativos? 
O Trabalho com a Produção Oral de Textos 
Faz parte dos objetivos das aulas de Língua Portuguesa levar os alunos a argumentar de 
forma coerente, a estabelecer relações entre os textos que leem e serem capazes de refletir 
sobre esses textos. Para serem efetivamente desenvolvidas, essas competências devem ser, 
em um primeiro momento, trabalhadas de forma oral. Haja vista o grande número de ações 
realizadas diariamente em torno da escrita, o número de gêneros textuais dessa modalidade é 
maior que o dos gêneros textuais encontrado na oralidade. Isso, no entanto, não diminui a 
importância do trabalho com os gêneros orais em sala de aula. 
Vejamos o que nos dizem os PCNs acerca das competências que o aluno deve desenvolver no 
trabalho com a oralidade. 
\u2015Comunicar-se em diferentes contextos é questão de inclusão social, e é papel da escola 
ensinar isso\u2018\u2018.... 
\u2015Comunicar-se em diferentes contextos é questão de inclusão social, e é papel da escola 
ensinar isso", explica Claudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa da Secretaria Municipal 
de Educação de São Paulo e selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. O que 
todo professor precisa incluir em seu planejamento são os chamados gêneros orais formais e 
públicos, que têm características próprias, pois exigem preparação e apresentam uma 
estrutura específica.A língua oral está organizada em gêneros (entrevistas, debates, 
seminários e depoimentos) e o empenho do professor nas aulas deve ser o mesmo dado aos 
gêneros escritos (contos, fábulas, crônicas, notícias e outros). Assim como não há um texto 
escrito sem propósito comunicativo, tampouco existe uma só maneira de falar. 
É preciso criar contextos de produção também para os gêneros do oral - em que se 
determinam quem é o público, o que será dito e como. "É