Linguística Aplicada ao Ensino da Língua Portuguesa - Conteúdo Online
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aos instrumentos empregados no registro do texto (lápis, caneta, máquina de escrever, 
computador): 
* Fonte (tipo de letra, estilo - negrito, itálico -, tamanho da letra, sublinhado, caixa alta, cor); 
* Divisão em colunas; 
* Caixa de texto; 
* Marcadores de enumeração. 
\u2022 Utilização dos padrões da escrita em função do projeto textual e das condições de 
produção. (p. 58-59) 
A Noção de Gênero Textual e a Produção de Textos Escritos 
Produzir textos é uma prática social de linguagem: estamos inseridos em uma cultura escrita 
e, portanto, escrever é uma habilidade requerida. No contexto atual, o aluno é um sujeito 
ativo, alguém que produz um texto, ou seja, alguém que produz uma unidade significativa, 
alguém que assume um comportamento escritor. Nesse contexto, retomamos aqui a 
importância do trabalho com gêneros textuais. 
Na aula anterior, conversamos sobre os gêneros textuais e o trabalho com a produção oral. 
Vamos, agora, avaliar a diversidade de gêneros e a produção textual escrita. É claro que ao 
longo da vida escolar os alunos terão que escrever redações, elaborar respostas discursivas 
em provas, produzir resumos etc. No entanto, como fica a habilidade desse aluno para redigir 
textos em outros gêneros como a reportagem, o conto etc.? Parte da habilidade de leitura 
desse indivíduo estará relacionada à distinção das características de cada gênero e não há 
melhor forma para esse reconhecimento que uma prática através da produção textual. 
\u2015Saber usar a escrita, objetivamente, quer dizer: poder ler e ler jornais, revistas, livros, 
documentos e outros textos que fazem parte de sua profissão, crença, participação político-
cultural-social: conhecer e aplicar recursos característicos da escrita (sínteses, resumos, 
quadros, gráficos, fichas, esquemas, roteiros) e usar em suas atividades (inclusive de leitura e 
redação de textos) de acordo com a necessidade; escrever o que precisa (avisos, bilhetes, 
cartas, textos de avaliação, relatórios, registros, documentos etc.), tanto para a vida pessoal 
como para a ação social e profissional; usar estratégias próprias as escrita, para a organização 
de sua vida, fazendo anotações, monitorando a leitura, planejando sua ação; avaliar seus 
escritos e leituras, considerando os objetivos e a situação; participar de situações em que 
predomina a oralidade escrita, sabendo intervir e atuar nesse contexto.\u2016 (BRITTO, Luiz 
Percival Leme. Contra o consenso: cultura escrita, educação e participação. Campinas, SP: 
Mercado de Letras, 2003, p. 43) 
Os Gêneros Textuais e o Domínio Social da Comunicação 
Barbosa, no artigo intitulado Do professor suposto pelos PCNs ao professor real de Língua 
Portuguesa: são os PCNs praticáveis?, apresenta o trabalho de Dolz e Schnewly (1996) sobre 
o agrupamento de gêneros. Embora a autora reconheça que essa não é a única forma 
possível de agrupar gêneros, mas considera o agrupamento a seguir interessante por 
considerar o domínio social de comunicação. 
a) Gêneros da ordem do narrar \u2013 cujo domínio de comunicação social é o da cultura 
literária ficcional [...] exemplos desses gêneros seriam: contos de fadas, fábulas, 
lendas, narrativas de aventura, narrativas de ficção científica, romance policial, crônica 
literária etc. Envolvem a capacidade de mimesis da ação através da criação de uma 
intriga no domínio do verossímil; 
b) Gêneros da ordem do relatar \u2013 cujo domínio de comunicação social é o da memória e 
da documentação das experiências humanas vivenciadas (exemplos desses gêneros 
seriam: relatos de experiências vividas, diários, testemunhos, autobiografia, notícia, 
reportagem, crônicas jornalísticas, relato histórico, biografia etc.) Envolvem a 
capacidade de representação pelo discurso de experiências vividas e situadas no 
tempo; 
c) Gêneros da ordem do argumentar \u2013 cujo domínio de comunicação social é o da 
discussão de assuntos sociais controversos, visando um entendimento e um 
posicionamento perante eles (seriam exemplos de gêneros: textos de opinião, diálogo 
argumentativo, carta de leitor, carta de reclamação [...], editorial, requerimento [...]). 
Envolvem as capacidades de sustentar, refutar e negociar posições; 
d) Gêneros da ordem do expor \u2013 que veiculam o conhecimento mais sistematizado que é 
transmitido culturalmente \u2013 conhecimento científico e afins (exemplos de gêneros: 
seminário, conferência, verbete de enciclopédia, texto explicativo, tomada de notas 
[...]). Envolvem a capacidade de apresentação textual de diferentes formas dos 
saberes; 
e) Gêneros da ordem do instruir ou do prescrever - que englobariam textos de instrução, 
regras e normas e que pretendem, em diferentes domínios, a prescrição ou a regulação 
de ações (exemplos de gêneros: receitas, instruções de uso, instruções de montagem, 
bulas, regulamentos, regimentos, estatutos, constituições, regras de jogos etc.). 
Exigem a regulação mútua de comportamentos.\u2016 
Comportamento Escritor 
A noção de linguagem como instrumento de interação é imprescindível porque também é a 
base do desenvolvimento das habilidades de leitura: embora escrever e ler sejam habilidades 
diferentes do ponto de vista cognitivo, elas se relacionam já que o desenvolvimento das 
habilidades de produção textual, desperta, no aluno, o comportamento escritor que auxiliará 
no desenvolvimento do comportamento leitor. 
Por Que Desenvolver o Comportamento Escritor é Importante? 
Ao escrever, os alunos também colocam em prática comportamentos leitores, como: 
\u2022 Antecipar a informação que segue no texto; 
\u2022 Verificar se o que foi antecipado se confirma ou não; 
\u2022 Reler para compreender melhor; 
\u2022 Saltar trechos incompreensíveis, pouco interessantes ou que já foram lidos. 
Propostas de Trabalho Com Produção Textual 
Proposta dos PCNs de Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental: 
\u2022 Atividades de transcrição exigem do aluno que as realiza atenção para garantir a 
fidelidade do registro e domínio das convenções gráficas da escrita. O que dizer e o 
como dizer já estão determinados pelo texto original. 
\u2022 Atividades que envolvam reproduções, paráfrases, resumos permitem que o 
aluno fique, em parte, liberado da tarefa de pensar sobre o que escrever, pois o plano 
do conteúdo já está definido pelo texto modelo. A atividade oferece possibilidades de 
tratar de aspectos coesivos da língua, de aspectos do plano da expressão - como dizer. 
\u2022 As práticas de decalque funcionam quase como modelos lacunados: as questões 
formais já estão em parte definidas pelo caráter altamente convencionalizado dos 
gêneros, como nos requerimentos ou cartas comerciais. Em suas aplicações mais 
criativas \u2013 paródias - preservam boa parte da estrutura formal do texto modelo, 
permitindo que o aluno se concentre no que tem a dizer. 
\u2022 Nas atividades de produção que envolvem autoria ou criação, a tarefa do 
sujeito torna-se mais complexa, porque precisa articular ambos os planos: o do 
conteúdo - o que dizer - e o da expressão - como dizer.\u2016 (p.76) 
Marcuschi (2008), em Produção textual, Análise de Gêneros e Compreensão. 
[...] com base em textos pode-se trabalhar: 
a) as questões do desenvolvimento histórico da língua; 
b) a língua em seu funcionamento autêntico e não simulado; 
c) as relações entre as diversas variantes linguísticas; 
d) a relação entre fala e escrita no uso real da língua; 
e) a organização fonológica da língua; 
f) os problemas morfológicos em seus vários níveis; 
g) o funcionamento e a definição de categorias gramaticais; 
h) os padrões e a organização de categorias sintáticas; 
i) a organização do léxico e a exploração do vocabulário; 
j) o funcionamento dos processos semânticos da língua; 
k) a organização das intenções e os processos