Linguística Aplicada ao Ensino da Língua Portuguesa - Conteúdo Online
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ao 
contrário, achá-la interessante e comentar sobre ela com alguém. Se essa propaganda 
aparecesse em um livro didático, viria cercada de atividades que seríamos obrigados a 
realizar, independentemente de termos gostado da propaganda ou não. Como eventos e 
práticas, aquilo que acontece de forma espontânea ou o que é \u2017pedagogizado\u2018 pela escola são 
atividades bem diferentes, pois a escola, ao retirar o texto do seu ambiente, \u2017autonomiza\u2018 esse 
texto, cria para ele outros eventos e outras práticas. 
Segundo, \u2015É a pedagogização do letramento, nos termos de Street (1995b, p.106-118), 
processo pelo qual a leitura e a escrita, no contexto escolar integram eventos e práticas 
sociais específicas, associadas à aprendizagem, de natureza bastante diferente dos eventos e 
práticas associados a objetivos e a concepções não escolares.\u2016 (SOARES, Magda. Letramento 
e escolarização. In. RIBEIRO, Vera Masagão (org.) Letramento no Brasil. São Paulo: Ação 
Educativa, 2003, p. 107.) 
Letramento, Fala, Escrita e Oralidade 
Oralidade: \u2015[...] prática social interativa para fins comunicativos que se apresenta sob variadas 
formas ou gêneros textuais fundados na realidade sonora; ela vai desde uma realização mais 
informal à mais formal nos mais variados contextos de uso.\u2016 (p.25) 
 
Fala: \u2015Forma de produção textual-discursiva para fins comunicativos na modalidade oral 
(situa-se no plano da oralidade, portanto), sem a necessidade de uma tecnologia além do 
aparato disponível pelo próprio ser humano.\u2016 (p. 25) 
Marcuschi (2000), em Da fala para a escrita: atividades de retextualização, afirma que, 
embora sejam frequentemente usadas como sinônimas, as palavras fala e oralidade 
representam ideias diferentes. 
E o que seria a escrita para esse autor? Para ele, a palavra escrita pode ser vista a partir do 
seu aspecto de construção simbólica do conhecimento o que pode ser reforçado pelo 
pensamento de Vygotsky que considera a escrita um dos aspectos do desenvolvimento 
individual e cultural dos indivíduos. A escrita seria \u2015[...] um modo de produção textual-
discursiva para fins comunicativos com certas especificidades materiais [...]. Pode manifestar-
se do ponto de vista de sua tecnologia [...]\u2016 (p. 26). 
Marcuschi (2000), ao discutir a questão oralidade x letramento, comenta que, ao se estudar a 
relação entre fala e escrita, devem ser considerados os seus usos na vida cotidiana, já que 
envolvem a língua e o texto. Segundo ele, escrita e leitura, ou seja, os processos de 
letramento, devem ser analisados como práticas sociais mais amplas que envolvem o uso da 
língua e estabelecem o papel e a importância da oralidade e do letramento. É necessário 
compreender a influência e a penetração da escrita na sociedade já que, como foi dito 
anteriormente, as línguas se fundam em usos e, ao se estudar a língua, são os seus usos que 
devem ser analisados. 
A Importância da Oralidade na Aprendizagem da Escrita 
Como foi dito, a fala é adquirida naturalmente, em contextos informais do cotidiano sendo a 
aquisição e o uso da língua natural uma forma de inserção cultural e de socialização. A escrita 
é adquirida em um contexto formal, a escola, sendo baseada em uma variedade linguística 
considerada padrão. A norma adotada pela língua escrita está mais relacionada à gramática 
normativa e, por isso, possui estabilidade e abrangência fora do alcance da comunidade de 
fala. De acordo com Marcuschi (2000), língua falada e língua escrita possuem normas 
linguísticas diferentes. Cada comunidade linguística possui sua norma de fala baseada no uso 
normal dentro da comunidade. 
Muito se tem discutido quanto à interferência da fala na escrita em termos de problemas 
ortográficos. No entanto, essa influência de uma modalidade sobre a outra tem sido pouco 
estudada sob um ponto de vista que apontasse que o desenvolvimento da oralidade 
beneficiaria os alunos em sua inserção no universo letrado. 
Segundo Kato (1995, em No mundo da escrita, na fase inicial da aprendizagem da escrita pela 
criança, há uma representação da fala pela escrita ilustrada pela gráfico a seguir apresentado 
pela autora à página 11: 
Fala 1 \u2013 escrita 1 \u2013 escrita 2 \u2013 fala 2 
A fala 1 representa a fase de pré-escrita, o processo de aquisição, e, em relação ao tipo de 
conhecimento envolvido, é inconsciente. A escrita 1, fase de aprendizagem, representaria o 
momento em que há transferência de características da fala para a escrita. A escrita2 
representa o momento de conclusão do processo de aprendizagem e seria neutra em relação 
à fala, sendo as duas fases de escrita conscientes. A fala 2 seria influenciada pela tecnologia 
da escrita e teria um componente da fala 1, que é inconsciente, mas também possui partes 
conscientes que derivam do conhecimento da escrita. 
Matêncio (1994), em Leitura, produção de textos e a escola, ao comentar sobre a importância 
da escolha das atividades escritas afirma que: 
\u2015Caberia ao educador reconhecer o movimento da linguagem que se realiza em diferentes 
situações de interação pela palavra escrita, considerando também que as variantes 
linguísticas, os registros utilizados, assim como o fato de os usos estarem ou não apropriados 
para uma dada situação não são padrões imutáveis, pois as mudanças linguísticas existem e 
são históricas, vinculando-se ao valor social atribuído aos grupos que as utilizam.\u2016 (p. 46) 
A Questão do Analfabetismo Funcional 
Antes de tratarmos diretamente do analfabetismo funcional, vamos refletir sobre as taxas 
de analfabetismo de 1940 até o ano de 2000. 
Aparentemente, progredimos muito, pois saímos de um índice de quase 60%, na década de 
1940, para menos de 20% no ano de 2000. No entanto, nosso problema está no alfabetismo 
funcional. 
Instituto Nacional do Alfabetismo Funcional \u2013 INAF 
Segundo informação do próprio site, o INAF \u2015é um indicador que mede os níveis de 
alfabetismo funcional da população brasileira adulta\u2016 cujo objetivo \u2015é oferecer à sociedade 
informações sobre as habilidades e práticas de leitura, escrita e matemática dos brasileiros 
entre 15 e 64 anos de idade, de modo a fomentar o debate público, estimular iniciativas da 
sociedade civil e subsidiar a formulação de políticas nas áreas de educação e cultura\u2016. 
Esse indicador aponta os níveis de alfabetismo funcional da população brasileira adulta de 
modo a observar a capacidade de acessar e processar informações escritas como ferramenta 
para enfrentar as demandas cotidianas. 
Já discutimos nesta aula a definição de analfabetismo. A proposta da conceituação de 
alfabetismo funcional veio da UNESCO que, em 1978, \u2015sugeriu a adoção dos conceitos de 
analfabetismo e alfabetismo funcional. Portanto, é considerada alfabetizada funcionalmente a 
pessoa capaz de utilizar a leitura e escrita e habilidades matemáticas para fazer frente às 
demandas de seu contexto social e utilizá-las para continuar aprendendo e se desenvolvendo 
ao longo da vida.\u2016 
Veja as Classificações do Analfabetismo: 
\u2022 Analfabetismo: estado ou condição de analfabeto; falta de instrução, sobretudo da 
elementar (ler e escrever) (DICIONÁRIO HOUAISS ELETRÔNICO, 2009). As pessoas, nessa 
condição, Não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases 
ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares (números de telefone, preços 
etc.). 
\u2022 Analfabeto: aquele que não sabe ler e escrever. 
\u2022 Alfabetismo rudimentar: nessa condição estão indivíduos alfabetizados e com baixo 
nível de letramento. São capazes de: 
a) Localizar informação explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou 
pequena carta); 
b) Ler e escrever números simples; 
c) Realizar operações simples de matemática como o pagamento de pequenas quantias