Linguística Aplicada ao Ensino da Língua Portuguesa - Conteúdo Online
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instruções de uso, instruções de montagem, bulas, regulamentos, regimentos, estatutos, constituições, regras de jogos etc.). Exigem a regulação mútua de comportamentos.\u201d
Comportamento Escritor
A noção de linguagem como instrumento de interação é imprescindível porque também é a base do desenvolvimento das habilidades de leitura: embora escrever e ler sejam habilidades diferentes do ponto de vista cognitivo, elas se relacionam já que o desenvolvimento das habilidades de produção textual, desperta, no aluno, o comportamento escritor que auxiliará no desenvolvimento do comportamento leitor.
Por Que Desenvolver o Comportamento Escritor é Importante?
Ao escrever, os alunos também colocam em prática comportamentos leitores, como:
Antecipar a informação que segue no texto;
Verificar se o que foi antecipado se confirma ou não;
Reler para compreender melhor;
Saltar trechos incompreensíveis, pouco interessantes ou que já foram lidos.
Propostas de Trabalho Com Produção Textual 
Proposta dos PCNs de Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental:
Atividades de transcrição exigem do aluno que as realiza atenção para garantir a fidelidade do registro e domínio das convenções gráficas da escrita. O que dizer e o como dizer já estão determinados pelo texto original.
Atividades que envolvam reproduções, paráfrases, resumos permitem que o aluno fique, em parte, liberado da tarefa de pensar sobre o que escrever, pois o plano do conteúdo já está definido pelo texto modelo. A atividade oferece possibilidades de tratar de aspectos coesivos da língua, de aspectos do plano da expressão - como dizer.
As práticas de decalque funcionam quase como modelos lacunados: as questões formais já estão em parte definidas pelo caráter altamente convencionalizado dos gêneros, como nos requerimentos ou cartas comerciais. Em suas aplicações mais criativas \u2013 paródias - preservam boa parte da estrutura formal do texto modelo, permitindo que o aluno se concentre no que tem a dizer.
Nas atividades de produção que envolvem autoria ou criação, a tarefa do sujeito torna-se mais complexa, porque precisa articular ambos os planos: o do conteúdo - o que dizer - e o da expressão - como dizer.\u201d (p.76)
Marcuschi (2008), em Produção textual, Análise de Gêneros e Compreensão.
[...] com base em textos pode-se trabalhar:
a) as questões do desenvolvimento histórico da língua;
b) a língua em seu funcionamento autêntico e não simulado;
c) as relações entre as diversas variantes linguísticas;
d) a relação entre fala e escrita no uso real da língua;
e) a organização fonológica da língua;
f) os problemas morfológicos em seus vários níveis;
g) o funcionamento e a definição de categorias gramaticais; 
h) os padrões e a organização de categorias sintáticas;
i) a organização do léxico e a exploração do vocabulário;
j) o funcionamento dos processos semânticos da língua;
k) a organização das intenções e os processos pragmáticos;
l) as estratégias de redação e questões de estilo;
m) a progressão temática e as organizações tópicas;
n) a questão da leitura e da compreensão;
o) o treinamento do raciocínio e da argumentação;
p) o estudos dos gêneros textuais;
q) o treinamento da ampliação, redução e resumo de texto;
r) o estudo da pontuação e da ortografia;
s) os problemas residuais da alfabetização. (p. 51-52)
José Carlos de Azeredo, em Entrevista à Revista Língua Portuguesa
Que exercício um professor pode adotar para estimular a produção de textos?
As atividades de conversão de textos (dramáticos para narrativos e vice-versa), retextualizações em que se muda o tempo dos verbos (do presente para o passado e vice-versa) ou a pessoa do enunciador (em que o personagem de um relato em 3ª pessoa passa a narrar a história na 1ª pessoa) são bem lúdicas e eficazes. Também é interessante a atividade de reestruturação de períodos (de orações independentes para a construção de subordinadas, por exemplo). O clássico de Othon M. Garcia, Comunicação em Prosa Moderna, ainda é o melhor exemplo dessa proposta. (Revista Língua Portuguesa, ano 3, março de 2009, p. 12)
José Saramago em Entrevista à Revista Nova Escola
De que maneira um professor de Língua Portuguesa incentiva e ajuda seus alunos a compor boas redações? 
Saramago. Pondo-os para ler em voz alta. Não há maneira melhor de ganhar consciência do que se lê, e, portanto, do que se poderá vir a escrever. O que os signos impressos mostram é o desenho da palavra "embalsamada". Só a leitura em voz alta a "ressuscita" completamente. Os docentes dirão que não há tempo para isso, mas depois não terão outro remédio que corrigir erros que poderiam ter sido evitados. Se é que verdadeiramente os corrigem. Porque corrigir não é traçar um risco vermelho debaixo da palavra. Corrigir é reconstruir a palavra na mente do aluno.
AULA 9 \u2013 A LINGUÍSTICA E AS HABILIDADES DE LEITURA, ESCRITA E COMPREENSÃO DE TEXTOS: A LEITURA NA ESCOLA
Conversaremos Nesta Aula Sobre Leitura e Já Vamos Começá-la Com Uma Pergunta: O Que é Ler?
Se você abrir um dicionário, encontrará a seguinte definição:
\u201c1. Percorrer com a vista (o que está escrito) proferindo ou não as palavras, mas conhecendo-as; 2. Pronunciar em voz alta, recitar (o que está escrito). 3. Ver e estudar coisa escrita. 4. Decifrar ou interpretar o sentido de.\u201d
Por esses quatro sentidos que vimos, não é possível, na verdade, depreender a complexidade do processo de leitura. Quem sabe ler com proficiência, ou seja, quem é um leitor competente, amplia sua visão de mundo: quando lemos, estamos em contato com um mundo novo, com ideias novas \u2013 com as quais podemos ou não concordar: ler é um ato de interação e não a simples decodificação. Quem lê de forma eficiente precisa formular hipóteses, deixar essas hipóteses de lado e formular novas, recuperar informações presentes no texto que lê ou em outros já lidos.
A compreensão de um texto é um processo, como nos diz Marcuschi (2008, p. 256), a compreensão \u201c[...] não é uma atividade de cálculo com regras precisas ou exatas.\u201d Devemos esclarecer que ele, tampouco, deixará a compreensão de um texto como algo aberto: \u201c[...] ela é uma atividade de seleção, reordenação e reconstrução, em que certa margem de criatividade é permitida. De resto, a compreensão é uma atividade dialógica que se dá na relação com o outro.\u201d
Atividades de leitura devem ser sempre muito bem planejadas pelo professor e a escolha dos textos é, com certeza, um importante aspecto desse planejamento. O aluno deve sempre dialogar com o texto e caberá ao professor avaliar seu grupo e decidir o grau de dificuldade tanto gramatical quanto lexical aos quais seus alunos poderão ser submetidos.
Exemplo: Uma professora do 6º ano do Ensino Fundamental viveu uma situação complicada: escolheu para trabalhar com seus alunos o texto \u2018Negócios da Emília\u2019 sem se dar conta de que muitos deles jamais tinham visto a foto de um rinoceronte, um dos personagens da história. 
Outra professora, também do 6º ano, trabalhou com seus alunos o poema Urgente, de Sérgio Caparelli. Qual foi o problema? Esse poema apresenta-se no formato do Cristo Redentor e, caso o aluno não fizesse essa relação, parte do sentido se perderia. Muitos alunos da classe só conheciam o Cristo Redentor de \u2018ouvir falar\u2019 e não foram capazes de compreender a diagramação do poema.
Observe que voltamos a tratar da noção de TEXTO e isso porque, atualmente, exames como a Prova Brasil e o Enem avaliam a capacidade de leitura de textos dos alunos: não se cobra, portanto, a compreensão de palavras ou frases isoladas. A visão atual de leitura como prática social nos leva a compreender que é preciso que se produzam sentidos para os textos lidos, que se faça uma relação entre vários conhecimentos. Além disso, essa habilidade será testada em termos de diferentes gêneros textuais.  
O Que Seria o Ato de Ler Nesse Contexto?  Lucia Fulgêncio e Iara Liberato (2000), em Como Facilitar a Leitura, Apresentam-nos o Seguinte Modelo de Descrição da Leitura:
LER = IV +