Linguística Aplicada ao Ensino da Língua Portuguesa - Conteúdo Online
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Linguística Aplicada ao Ensino da Língua Portuguesa - Conteúdo Online


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InV
O que seriam IV e InV nesse contexto?
Só por essas duas informações, já começamos a perceber o quão complexa é a atividade de leitura.
V = Informação visual: é a informação captada pelos olhos.
InV= Informação não visual: é o conhecimento prévio que temos. Esse conhecimento passará, também, pelos diversos gêneros existentes e as possibilidades que cada um deles carrega.
A capacidade de fazer previsões e as inferências que fazemos acerca de um texto se relacionam à InV. Veja a palavra: PERIG(DESENHO DE BOMBA).  Embora tenhamos um desenho ocupando o lugar da letra \u2018o\u2019, não tivemos problema em ler a palavra \u2018perigo\u2019.  Isso porque, a partir do nosso conhecimento, sabemos a letra provável de ocorrer naquele trecho: somos capazes de fazer uma previsão e, portanto, inferimos o significado da palavra \u2018perigo\u2019. Essa capacidade também ocorre no exemplo citado por Fulgêncio e Liberato (200, p.18): se lemos em uma receita \u201cacrescente um pouco de endívia\u201d, vamos inferir que \u2018endívia\u2019 é algo que se pode comer.
\u201cResumindo o que vimos até aqui, podemos dizer que a leitura fluente é feita através de um processamento parcial do material visual, e completada pelas previsões.
Além disso, podemos dizer que a IV e a InV mantêm uma relação inversamente proporcional na leitura: quanto mais InV o leitor tiver disponível sobre um determinado texto, menor quantidade de IV o leitor tiver disponível sobre um determinado texto, menor quantidade de IV ele necessitará para compreendê-lo; e o inverso também é verdadeiro: quanto menos InV o leitor possuir, mais ele precisará se valer da informação que pode extrair do material impresso. E mais ainda: quanto mais IV o leitor necessitar, mais difícil e trabalhoso será ler o texto.\u201d (FULGÊNCIO e LIBERATO, 2000, p.19)
Um texto nunca será completo em si: será preciso que o leitor projete sua InV e construa seus sentidos. É claro que essa construção de sentidos deverá, sempre, partir do texto e é nesse ponto que entra o professor como orientador desses alunos que são leitores em formação.
Como Lemos
Considerando nossa capacidade de fazer previsões, surge um questionamento: como nosso cérebro funciona em termos de processamento de leitura? Fulgêncio e Liberato (2000) nos falam sobre o comportamento de nossos olhos durante a leitura, dois tipos de memória e nossa capacidade em fazer previsões.
Os olhos e o movimento sacádico: Nossos olhos não se movimentam sobre o texto de forma linear: na verdade, olhamos em diversas direções \u2013 para cima, para baixo, para frente, para trás; é um movimento rápido chamado \u2018saccade\u2019. De vez em quando, nossos olhos param e temos o que se chama fixação e é nesse momento que a informação é coletada. 
Memória de curto termo (MCT): Também chamada de \u2018memória de trabalho\u2019, é um estágio em que o significado permanece na forma literal. Essa memória tem capacidade de cinco a nove itens, chamados de fatias, e, uma vez que o significado se estabeleça, ele será enviado à MLT.  
Essas fatias podem ser letras, sílabas, palavras, frases: tudo dependerá do estágio em que o leitor esteja, já que o importante é que a unidade tenha significado. Esse conteúdo permanece na MCT por pouco tempo e é preciso que o conteúdo coletado faça sentido: assim, esse conteúdo passará para a MLT e com a MCT vazia, novas informações são processadas.
Memória de longo termo (MLT): Também chamada de memória semântica ou memória profunda: o conteúdo que passou pela MCT é armazenado na MLT sob a forma de significado: temos aqui o conteúdo semântico. 
Ângela Kleiman, em Oficina de Leitura: teoria e prática, nos traz o conceito de \u2018memória intermediária\u2019, ou seja, um espaço para organização da informação que captamos na MCT antes dele ser armazenado na MLT.
Na aula 7, conversamos sobre a produção de textos orais e sua importância para a produção de textos escritos. Por que é tão complicada a compreensão de certos textos?  Uma das razões é o fato de o processo de compreensão ser um processo cognitivo que estará sempre relacionado ao nosso conhecimento de mundo. Esse conhecimento de mundo pode se relacionar ao que conhecemos em termos da realidade que nos cerca e/ou pode envolver nosso conhecimento sobre o funcionamento da língua.
Os PCNs e a Leitura de Textos Escritos
Pelas demandas atuais de provas como o SAEB e a Prova Brasil, a capacidade de leitura deve ser desenvolvida pelos professores a partir dos pressupostos estabelecidos pelos PCNs. 
Espera-se, hoje, muito mais do que a simples capacidade de decifrar letras e juntar sílabas: o que se deseja é a proficiência na leitura. Um texto escrito é mais elaborado: quando falamos, vamos, aqui e ali, \u2018ajustando\u2019 nosso texto para facilitar a compreensão de quem nos ouve; quando escrevemos, podemos revisar nosso texto, reelaborá-lo com maior complexidade tanto sintática quanto semântica.
Quais São os Objetivos do Trabalho Com a Leitura?
No processo de leitura de textos escritos, espera-se que o aluno: 
Saiba selecionar textos segundo seu interesse e necessidade;
Leia, de maneira autônoma, textos de gêneros e temas com os quais tenha construído familiaridade:
* Selecionando procedimentos de leitura adequados a diferentes objetivos e interesses, e a características do gênero e suporte;
* Desenvolvendo sua capacidade de construir um conjunto de expectativas (pressuposições antecipadoras dos sentidos, da forma e da função do texto), apoiando-se em seus conhecimentos prévios sobre gênero, suporte e universo temático, bem como sobre saliências textuais recursos gráficos, imagens, dados da própria obra (índice, prefácio etc.);
* Confirmando antecipações e inferências realizadas antes e durante a leitura;
* Articulando o maior número possível de índices textuais e contextuais na construção do sentido do texto, de modo a: 
a) Utilizar inferências pragmáticas para dar sentido a expressões que não pertençam a seu repertório linguístico ou estejam empregadas de forma não usual em sua linguagem;
b) extrair informações não explicitadas, apoiando-se em deduções;
c) estabelecer a progressão temática;
d) integrar e sintetizar informações, expressando-as em linguagem própria, oralmente ou por escrito;
e) interpretar recursos figurativos tais como: metáforas, metonímias, eufemismos, hipérboles etc.;
* Delimitando um problema levantado durante a leitura e localizando as fontes de informação pertinentes para resolvê-lo;
Seja receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, por meio de leituras desafiadoras para sua condição atual, apoiando-se em marcas formais do próprio texto ou em orientações oferecidas pelo professor;
Troque impressões com outros leitores a respeito dos textos lidos, posicionando-se diante da crítica, tanto a partir do próprio texto como de sua prática enquanto leitor;
Compreenda a leitura em suas diferentes dimensões - o dever de ler, a necessidade de ler e o prazer de ler; - seja capaz de aderir ou recusar as posições ideológicas que reconheça nos textos que lê. (PCNs de Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental, 1998, p. 50-51)
Quais São as Competências a Serem Desenvolvidas nos Alunos?
Leitura de textos escritos:
- Explicitação de expectativas quanto à forma e ao conteúdo do texto em função das características do gênero, do suporte, do autor etc.;
- Seleção de procedimentos de leitura em função dos diferentes objetivos e interesses do sujeito (estudo, formação pessoal, entretenimento, realização de tarefa) e das características do gênero e suporte:
* Leitura integral: fazer a leitura sequenciada e extensiva de um texto;
* Leitura inspecional: utilizar expedientes de escolha de textos para leitura posterior;
* Leitura tópica: identificar informações pontuais no texto, localizar verbetes em um dicionário ou enciclopédia;
* Leitura de revisão: identificar e corrigir, num texto dado, determinadas inadequações em relação a um padrão estabelecido;
* Leitura item a item: realizar uma tarefa seguindo comandos que pressupõem uma ordenação