Linguística Aplicada ao Ensino da Língua Portuguesa - Conteúdo Online
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temos uma discussão bem interessante acerca desse tema que está resumida a seguir.
Ensinar português é: 
Ensinar um conjunto de prescrições sintáticas consideradas corretas;
Inculcar na mente do aluno que aquilo que diverge da Gramática Normativa não é português;
Transmitir uma ideologia linguística que prega a homogeneidade linguística e que encara todas as formas divergentes de prescritas como \u2019ruína do idioma\u2019;
Afirmar que brasileiro não sabe português.
Estudar brasileiro é:
Ter uma visão sintonizada com o pensamento científico atual e admitir que a Gramática Normativa é uma \u2018doutrina\u2019 com 2.300 anos de soberania e representa apenas uma etapa da evolução do conhecimento humano.
Refletir criticamente sobre a prescrição gramatical;
Compreender que a língua falada e escrita no Brasil é fruto da evolução linguística comum a todos os sistemas linguísticos e que toda língua é um corpo em movimento, em transformação e nunca definitivamente pronto.
AULA 3 \u2013 A LINGUÍSTICA E OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS
O Que São os Parâmetros Curriculares Nacionais?
\u201cOs Parâmetros Curriculares Nacionais constituem um referencial de qualidade para a educação no Ensino Fundamental em todo o país. Sua função é orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional, socializando discussões, pesquisas e recomendações, subsidiando a participação de técnicos e professores brasileiros, principalmente daqueles que se encontram mais isolados, com menor contato com a produção pedagógica atual.
Por sua natureza aberta, configuram uma proposta flexível, a ser concretizada nas decisões regionais e locais sobre currículos e sobre programas de transformação da realidade educacional empreendidos pelas autoridades governamentais, pelas escolas e pelos professores. Não configuram, portanto, um modelo curricular homogêneo e impositivo que se sobreporia à competência político-executiva dos estados e municípios, à diversidade sociocultural das diferentes regiões do país ou à autonomia de professores e equipes pedagógicas\u201d (PCN, p.13).
Pela definição, podemos perceber que os PCN não são um conjunto de leis, e sim propostas com o objetivo de auxiliar os professores.
Conversamos em nossa aula 1 sobre as mudanças ocorridas a partir da década de 70 no que diz respeito ao público que recebemos nas escolas.
Em um primeiro momento, o foco das discussões estava no modo de ensinar, mas, a partir da década de 80, essa discussão passa a focar no conteúdo, naquilo que é ou deveria ser ensinado. Se, na década anterior, o ensino puramente gramatical parecia adequado, tem-se nos anos 80 as pesquisas linguísticas apontando outros caminhos, novas possibilidades.
Que Críticas os PCN Fazem ao Ensino Tradicional?
Diante desse quadro que suscitava mudanças no ensino de Língua Portuguesa, os PCN do Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental de Língua Portuguesa criticam, entre outros aspectos:
\u201cA desconsideração da realidade e dos interesses dos alunos;
A excessiva escolarização das atividades de leitura e de produção de texto;
O uso do texto como expediente para ensinar valores morais e como pretexto para o tratamento de aspectos gramaticais;
A excessiva valorização da gramática normativa e a insistência nas regras de exceção, com o consequente preconceito contra as formas de oralidade e as variedades não padrões;
O ensino descontextualizado da metalinguagem, normalmente associado a exercícios mecânicos de identificação de fragmentos linguísticos em frases soltas;
A apresentação de uma teoria gramatical inconsistente \u2013 uma espécie de gramática tradicional mitigada e facilitada\u201d (p. 18).
Começa-se a considerar as dificuldades dos alunos diante do que a escola espera deles e percebe-se que, quanto menor é o grau de letramento da comunidade desses alunos, maiores são as dificuldades que eles enfrentam na escola. Diante desse quadro, o que poderíamos fazer?
Perceberam a mudança no foco? Fala-se, agora, em \u201clinguagem como atividade discursiva\u201d e em \u201csaberes linguísticos necessários para o exercício da cidadania\u201d.  Preocupa aos educadores, agora, a interação diária tanto ao conversarmos quanto ao escrevermos. Trazemos para o ensino de Língua Portuguesa a importância de considerarmos tanto a modalidade oral quanto a modalidade escrita da língua, além da noção de gênero textual.
Será que alcançaremos esses propósitos através de exercícios de classificação e de análise sintática? Claro que não!
Mais adiante, no tópico chamado Aprender e ensinar Língua Portuguesa na escola, temos a discussão a seguir.
Fala-se em conhecimento linguístico e discursivo, no aluno como sujeito da ação de aprender, na aprendizagem através de práticas sociais. Prosseguindo na leitura, veremos que se atribui importância ao trabalho com textos de gêneros, às práticas discursivas que favoreçam a melhoria da capacidade de comunicação dos alunos, tanto no que diz respeito à oralidade quanto no que diz respeito à escrita.
Pesquisas têm mostrado o grande número de alunos que conclui o Ensino Médio sem estar devidamente habilitado a aplicar as regras gramaticais aprendidas. Um aluno que estuda de forma regular tem, pelo menos, 12 anos de aulas de Língua Portuguesa, considerando-se os níveis fundamental e médio do ensino.
Os PCN de Ensino Médio trazem a seguinte discussão: 
\u201cO estudo gramatical aparece nos planos curriculares de Português, desde as séries iniciais, sem que os alunos, até as séries finais do Ensino Médio, dominem a nomenclatura. Estaria a falha nos alunos? Será que a gramática que se ensina faz sentido para aqueles que sabem gramática porque são falantes nativos? A confusão entre norma e gramaticalidade é o grande problema da gramática ensinada pela escola. O que deveria ser um exercício para o falar/ler/escrever melhor se transforma em uma camisa de força incompreensível.\u201d (p.16)
Por que isso acontece?
Acredita-se que o problema esteja na \u2018falta de sentido\u2019.
Isso mesmo! Faz algum sentido aprender a formação da mesóclise de forma descontextualizada? O primeiro pensamento do aluno é \u2018Ninguém fala desse jeito!\u2019.
Mas faria sentido se mostrássemos ao nosso aluno um clássico da literatura, um jornal de época em que essa estrutura ainda existia, não é mesmo?
O caso não é o que ensinar, mas como ensinar! É a estratégia usada que traz significação. É o não separar uso e contexto, ainda que estejamos falando de um contexto fora da realidade de todos nós. Tratando o tema dessa forma, o aluno poderia refletir: \u2018Há, então essa forma já foi mesmo usada por alguém!\u2019
Como seria, então, o trabalho com a gramática nesse contexto? Veja a análise apresentada no texto Livro didático de Língua Portuguesa sob a ótica dos PCN.
VER MATERIAL ADICIONAL, EXPLICAÇÃO \u2013 EXERCÍCIO DA PÁGINA 103.
VER MATEIAL ADICIONAL \u2013 REFLEXÃO GRAMATICAL NA PRÁTICA PEDAGÓGICA
O Que se Espera Então?
Ao serem discutidos os princípios organizadores dos conteúdos de Língua Portuguesa, chega-se ao esquema abaixo.
Uso de Língua Oral e Escrita 	Reflexão Sobre Língua e Linguagem	
O que esse esquema nos diz? 
Os conteúdos de Língua Portuguesa devem ser organizados de forma a contemplar tanto a modalidade oral quanto à modalidade escrita da língua.
Os conteúdos de Língua Portuguesa devem ser organizados de tal forma que os alunos consigam refletir sobre os usos.
Partindo-se dessas premissas, chegamos ao esquema abaixo (p. 35).
Podemos observar no quadro acima, a presença de diferentes práticas textuais, nas modalidades oral e escrita da língua: escuta, leitura produção. Em outras aulas, trataremos com profundidade dessa questão, mas não podemos deixar de esclarecer o que os PCN consideram \u2018escuta\u2019 de textos.  
Voltando ao nosso quadro que trata da relação reflexão e uso, o que estaria envolvido em cada um desses eixos?
O EIXO USO. Segundo texto presente à página 35, no eixo USO, deverão ser contemplados aspectos como o contexto de produção, o sujeito enunciador, a finalidade da interação. Ao considerarmos o contexto