Linguística II - Conteúdo Online
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Estabelece valor de superlativo.
Ex.: Ele fez a prova devagarzinho.
2 QUADRO (2): uma função com várias formas. 
Recursos para codificar a impessoalização do agente da ação verbal:
Verbo na terceira pessoa do plural;
Ex.: Fizeram um bolo para o lanche.
Partícula se apassivadora;
Ex.: Fez-se um bolo para o lanche.
Voz passiva;
Ex.: Um bolo foi feito para o lanche.
Pronome indefinido;
Ex.: Alguém fez um bolo para o lanche.
Pronome de terceira pessoa do plural sem referente explícito.
Ex.: Eles fizeram um bolo para o lanche.
Por que isso acontece? Sabemos que as línguas do mundo são dinâmicas. Com o uso, algumas formas linguísticas passam a exercer outras funções. Por isso, percebemos a falta de motivação entre forma e significado, já que \u201co significado original do elemento linguístico se perdeu total ou parcialmente, assim como a motivação para sua criação.\u201d (CUNHA, 2009, p.167). Conclui-se, portanto, que \u201ca iconicidade do código linguístico está sujeita a pressões diacrônicas corrosivas tanto na forma quanto na função\u201d. (CUNHA, 2009, p. 167.)
Conheça dois exemplos que ilustram o fato de que, com a diacronia, a relação entre forma e significado passa a ser aparentemente arbitrária (cf. CUNHA, 2009).
Exemplo (1): conjunção adversativa entretanto.
A conjunção entretanto, que, atualmente, tem valor adversativo (\u201cJoão trabalhou muito no final de semana, entretanto foi demitido.\u201d), apresentava-se, em textos do português arcaico, como um advérbio temporal, significando \u201cenquanto isso\u201d, \u201cao mesmo tempo\u201d, \u201centre tantos acontecimentos\u201d.
Exemplo (2): conjunção concessiva embora.
A conjunção embora, que, atualmente, é utilizada com valor concessivo (\u201cEmbora João tenha trabalhado muito no final de semana, foi demitido.\u201d), também apresentava valor temporal na era medieval, significando \u201cem boa hora\u201d. Observa-se que, ao longo do tempo, a expressão \u201cem boa hora\u201d passa a ter a sua forma diminuída.
Com a reformulação da versão inicial do princípio de iconicidade, os funcionalistas propuseram três subprincípios que se relacionam à quantidade de informação, ao grau de integração entre os constituintes da expressão e do conteúdo e à ordenação sequencial dos segmentos.
Subprincípio da quantidade: quanto maior for a quantidade de informação, maior a quantidade de forma.
Ex.: palavras derivadas, por veicularem mais informações semânticas e/ou gramaticais, tendem a ser maiores que as palavras primitivas de que se originaram: belo>beleza>embelezar>embelezamento (cf. CUNHA, OLIVEIRA & MARTELOTTA, 2003).
Subprincípio da integração: o conteúdo que está mais próximo mentalmente coloca-se próximo sintaticamente.
Ex.: A menina não queria ficar ali. (não é nítida a distinção de eventos diferentes; o sujeito de querer é o mesmo de ficar. Comparando com \u201cAna ordenou: fique aqui.\u201d, percebem-se dois eventos separados.)
Subprincípio da ordenação linear: refere-se à ordenação dos elementos na sentença. Segundo esse princípio, a ordenação dos elementos na oração tende a espelhar a sequência temporal em que os eventos descritos ocorreram.
Ex.: \u201cVim, vi, venci.\u201d (tradução de uma frase famosa proferida pelo imperador romano Júlio César - a distribuição das palavras na oração corresponde à ordem em que os eventos aconteceram.)
O Processo de Gramaticalização
Para os funcionalistas, o processo de gramaticalização é um processo de regularização do uso da língua. Isso vai ao encontro do modo como eles concebem a gramática. Por ser algo maleável, ela está sempre se adaptando às necessidades cognitivas e comunicativas dos falantes. Desse modo, itens que fazem parte do léxico e construções sintáticas passam a ser utilizados com novas funções gramaticais:
O processo de gramaticalização1 ocorre devido às necessidades de comunicação não satisfeitas pelas formas existentes no sistema linguístico e à existência de conteúdos cognitivos para os quais não existem designações linguísticas adequadas. (HEINE et al., 1991, pp. 19-30)   
1 Definição sobre gramaticalização (cf. CUNHA, 2009, p.173)
\u201cGramaticalização designa um processo unidirecional, segundo o qual itens lexicais e construções sintáticas, em determinados contextos, passam a assumir funções gramaticais e, uma vez gramaticalizados, continuam a desenvolver novas funções gramaticais.\u201d
De um modo geral, pode-se perceber um desgaste fonético da forma, que perde expressividade. Ao analisar alguns processos de gramaticalização, é possível identificar que a forma deixa de fazer referência a algo do mundo real para assumir funções de caráter gramatical. Vejamos os exemplos.
A trajetória de substantivos e verbos para conjunções \u2013 o verbo \u201cquerer\u201d passa a ser utilizado como conjunção alternativa como em \u201cQuer chova quer faça sol, estarei lá.\u201d (cf. CUNHA, 2009)
A trajetória de nomes e verbos para morfemas \u2013 na expressão \u201ctranquila mente\u201d, o substantivo \u201cmente\u201d (= \u201cintelecto\u201d) passa a designar sufixo formador de advérbio: \u201ctranquilamente\u201d, \u201clamentavelmente\u201d etc.
Importante!
Vale lembrar que, além do princípio de iconicidade e do processo de gramaticalização, há outros princípios e categorias centrais do Funcionalismo norte-americano, dentre eles informatividade, marcação, transitividade e plano discursivo.
Um Pouco de Curiosidade...
Conheça como as metáforas são analisadas segundo a visão funcionalista.
Como nomeamos essa parte da mesa? (BASE DE UMA MESA)
Seria pé da mesa?
Isso mesmo! Chamamos essa parte da mesa de \u201cpé da mesa\u201d. Sabemos que se trata de uma construção metafórica. Por analogia ao nosso próprio corpo, nomeamos essa parte da mesa também de pé.
Segundo os funcionalistas, com o objetivo de contemplar novos contextos pragmáticos e semânticos, os indivíduos utilizam itens lexicais e construções já existentes na língua para expressarem novas ideias. Desse modo, por um processo de transferência semântica, uma mesma forma passa a exercer novas funções comunicativas. Segundo Votre (apud MARTELOTTA et al., 1996), \u201cum dos recursos mais comuns de deslizamento de sentido e de indiretividade é a metáfora\u201d.
Ilustraremos com o trabalho do autor sobre a base corporal das metáforas. Para ele, o corpo serve como a base para a construção de metáforas comuns na nossa vida diária. Desse modo, as metáforas são construídas a partir do nosso corpo, que é visto como base para todas as nossas atividades e nossos objetos, ou seja, para nossa vida mental e intelectual. Partindo do corpo humano, temos a concepção de objetos com os quais lidamos. Vejamos alguns exemplos citados pelo autor: 
I. Apoiou o pé da cadeira numa pedra.
II. Está com uma cabeça de prego no joelho.
III. Apoiou as costas do sofá na perna da mesa.
IV. Quebrou o bico da prancha contra um coral.
AULA 10 \u2013 LÍNGUA: VISÃO FORMALISTA E VISÃO FUNCIONALISTA
A Linguística Moderna
Quando pensamos na Linguística moderna, dois grandes nomes vêm à nossa mente: Ferdinand de Saussure e Noam Chomski, cujas ideias marcaram os estudos linguísticos do século XX.  
A publicação do Curso de Linguística Geral, de Ferdinand de Saussure, é considerada um marco para a Linguística moderna. A partir da obra póstuma do linguista suíço, foi possível que os estudiosos da linguagem utilizassem uma metodologia adequada, ao descrever e analisar os elementos formais de uma língua.
A visão de língua como um sistema autônomo serve como base para os estudos estruturalistas que caracterizam os trabalhos da Linguística nessa época. Desse modo, entendia-se a língua como um sistema, ou seja, um conjunto de elementos organizados, constituindo um todo. A partir disso, cabia aos linguistas analisar sua estrutura, ou seja, a organização estrutural da língua.
Pode-se dizer que os estruturalistas tomam como foco a \u201clíngua\u201d, deixando de lado a \u201cfala\u201d. A partir daí surgem muitos estudos preocupados em investigar aspectos fonéticos, fonológicos e sintáticos da língua, esquecendo as questões semânticas e pragmáticas1.
1 Os aspectos semânticos estão relacionados ao significado