Literatura Brasileira I - Conteúdo Online
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da ciência, a divulgação do conhecimento, mediante o movimento dos enciclopedistas, e com 
os ideais de liberdade. 
Tratava-se de um período de turbulência política, que se fez sentir com a Revolução 
Americana (1776) e a Revolução Francesa (1789). 
O Absolutismo monárquico foi substituído pelo Despotismo Esclarecido, por meio do qual 
chefes de estado procuraram compatibilizar a antiga estrutura com os ideais reformistas. 
Em Portugal, especificamente, as mudanças já vinham ocorrendo desde 1759. O período foi 
marcado por profundas alterações, principalmente movidas pelo Primeiro Ministro português, 
Marquês de Pombal. Dentre elas, verificou-se a expulsão dos jesuítas das colônias, em 1759, 
fato que alterou profundamente a estrutura do ensino no Brasil. 
Para começar a responder aquela nossa pergunta: \u201ccomo chamaremos o período?\u201d. 
O conjunto de ideias que valorizavam o conhecimento, a ciência e a razão recebeu o nome de 
Iluminismo1 ou Ilustração. 
Agora você percebeu que a Ilustração ou Iluminismo é um nome dado ao conjunto ideológico 
da época. 
E Neoclassicismo? Por que as produções artísticas dessa época também receberam esse 
nome? 
Como o nome já diz, os autores passaram a revalorizar as características artísticas próprias da 
Antiguidade Clássica: o equilíbrio e a beleza. 
No entanto, essa recuperação não se percebe genuína, uma vez que ela decorre da imitação 
dos referenciais clássicos, transpassada pelos rígidos códigos do racionalismo iluminista. 
1 Essa denominação se explica, segundo Afrânio Coutinho: 
\u201cA palavra \u201eIluminismo\u201f é tradução da alemã Aufklaerung, tendo entrado no uso, ao lado de \u201e 
ilustração\u201f para designar a mentalidade, dominante no século XVIII, constituída de 
racionalismo, investigação científica, concepção otimista do mundo, crença no progresso 
ascensional, espírito enciclopédico, científico e experimental e que era definida pela metáfora 
\u201eluzes\u201f da razão, da razão que \u201eilumina\u201f, que ilustra, que esclarece. Daí filosofia das luzes, da 
ilustração, iluminismo, mentalidade iluminada ou iluminística.\u201d (COUTINHO, Afrânio. 
Introdução à literatura brasileira. P.121-122) 
São muito comuns nessa época as esculturas cuja temática é a representação de heróis da 
mitologia grega. Perseu, na escultura de Canova, está segurando a cabeça da Medusa. 
Para Antônio Candido, importante estudioso, esse é um momento decisivo para a fundação de 
nossa literatura como um sistema, pois o público, embora não seja atingido por publicações 
produzidas na Colônia \u2013 porque ainda não era permitido o funcionamento de tipografias ou de 
imprensa \u2013, passa a ganhar corpo nas Academias (agremiações que tinham por objetivo reunir 
artistas, para debater e divulgar suas obras). 
Conclusão 
O período é vincado por essas \u201ctrês correntes de gosto e pensamento\u201d: o Neoclassicismo, o 
Iluminismo e o Arcadismo. Para Candido, essa última vertente, Arcadismo, é preferida por 
abranger as demais. 
Arcadismo provém de Arcádia, uma lendária região da Grécia Antiga, em que habitavam 
pastores que gozavam de uma vida plácida de contemplação das belezas simples do campo. 
Os poetas assumiam pseudônimos de pastores lendários, como Dirceu ou Glauceste Saturnio. 
Cantavam suas liras, elogiando a beleza da mulher amada, o amor puro, a vida tranquila do 
campo e a fruição dos pequenos prazeres. 
O Arcadismo deve ser considerado como uma filosofia de vida e os poemas pastorais como 
delegação poética, que se estabelece pela transferência da iniciativa lírica a um pastor fictício. 
Nesse sentido, a poesia pastoral tem um importante significado, pois permite a contraposição 
da rusticidade do ambiente à formação intelectual de cultura europeia, ocorrendo assim um 
diálogo entre a civilização e o primitivismo. 
O eu lírico se apresenta como um pastor, mas um pastor especial: ele é o dono do sítio, e não 
um simples camponês. Logo, ele não é uma pessoa de trato grosseiro, ou seja, que tenha seu 
corpo sofrido pela exposição ao sol ou ao frio, na lida do campo. O pastor é um homem 
refinado; tanto que os outros pastores invejam os seus bens. Note a referência a Alceste, uma 
variação do nome Glauceste Satúrnio, pseudônimo de Cláudio Manuel da Costa. 
Assim, à mulher amada ele promete que não há bem maior do que o amor que ela, 
porventura, possa manifestar por ele; desejando tornar-se senhora. 
Afinal, ele é um homem de sorte, ele tem uma estrela que o ilumina. 
Então, vejamos, temos duas correntes estéticas: o neoclassicismo e o arcadismo que se 
articulam. No caso brasileiro, nossos poetas procuraram adaptar o sentimento de simplicidade 
formal e temática às referências da literatura clássica. Assim, não raro encontramos menções 
a ninfas, musas e deuses da mitologia grega, mas também sinais de nossa paisagem e de 
nosso contexto histórico estão presentes na produção desse período. 
AULA 8 \u2013 CLÁUDIO MANUEL DA COSTA E BASÍLIO DA GAMA (A POÉTICA 
DA PAISAGEM E DA CONCILIAÇÃO) 
A Formação da Literatura Brasileira 
O Brasil do ciclo do ouro, o Brasil das Minas Gerais, esse é o cenário de nosso Arcadismo. Um 
período considerado, para alguns, como o verdadeiro nascimento da literatura entre nós, 
como explica Antônio Candido, na abertura de sua obra, Formação da Literatura Brasileira \u2013 
momentos decisivos. 
O Cenário 
A vida econômica e política de nosso país se concentrava na região de Vila Rica ou Ouro 
Preto, como se chama hoje. 
Na verdade, o ciclo da mineração já atingira seu apogeu quando o Arcadismo despertou entre 
nós, e observava-se um desgaste das relações entre Brasil e Portugal, devido à diminuição do 
envio de impostos relativos à extração do ouro na região. A Inconfidência Mineira, nesse 
sentido, pode ser considerada como a eclosão desse conflito, marcando tragicamente também 
a história de nossas letras; afinal, boa parte de nossos inconfidentes eram poetas. 
Cláudio Manuel da Costa 
O Arcadismo teve como marco inaugural a publicação do livro de poemas Obras, em 1768, de 
Cláudio Manuel da Costa. 
O poema apresenta os principais ideais arcádicos: o desejo de fugir da cidade e de buscar no 
campo a paz almejada. 
LXIII 
Já me enfado de ouvir este alarido, 
Com que se engana o mundo em seu cuidado; 
Quero ver entre as peles, e o cajado, 
Se melhora a fortuna de partido. 
 
Canse embora a lisonja ao que ferido 
Da enganosa esperança anda magoado; 
Que eu tenho de acolher-me sempre ao lado 
Do velho desengano apercebido. 
Aquele adore as roupas de alto preço, 
Um siga a ostentação, outro a vaidade; 
Todos se enganam com igual excesso. 
 
Eu não chamo a isto já felicidade: 
Ao campo me recolho, e reconheço, 
Que não há maior bem, que a soledade. 
Vamos reler o trecho: 
 \u201cPudera desculpar-me, dizendo que o gênio me fez propender mais para o sublime: mas, 
temendo que ainda neste me condenes o muito uso das metáforas, bastará, para te satisfazer, 
o lembrar-te que a maior parte destas Obras foi composta ou em Coimbra, ou pouco depois, 
nos meus primeiros anos, tempo em que Portugal apenas principiava a melhorar de gosto nas 
belas letras\u201d. (In: Prólogo ao leitor. Obras. COSTA, CM) 
Observe que ele faz menção ao uso das metáforas como sendo um sinal do Barroco, mais 
precisamente do cultismo. De fato, os primeiros poemas, compostos ainda em Portugal, 
traziam os sinais desse movimento que já se esgotava quando o jovem poeta lá esteve para 
estudar. 
As Influências de Cláudio Manuel da Costa 
Como também vimos na aula anterior, no século XVIII, o Brasil ainda não contava com 
faculdades, tal fato obrigava os filhos de famílias abastadas a terminarem sua formação em 
Coimbra ou Lisboa, ou seja, na metrópole. 
Os anos passados na Europa marcaram profundamente