Literatura Brasileira I - Conteúdo Online
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2 Mas por que medida velha? Existe uma medida nova? 
Dá-se o nome de medida velha aos versos que têm métrica de cinco ou sete sílabas poéticas. 
Essa métrica era comum nas cantigas do Trovadorismo português. 
A medida nova foi uma métrica que surgiu no Renascimento e consiste em versos de dez 
sílabas, ou decassílabos. Tais versos são chamados de heroicos, quando são acentuados na 
sexta e na décima sílabas. 
Vale acrescentar ainda como obras que compõem o conjunto de textos de informação: o 
Diário de Navegação, de Pero Lopes e Sousa (1530); a Narrativa Epistolar e os Tratados da 
Terra e da Gente do Brasil, do padre jesuíta Fernão Cardim (1583); o Tratado Descritivo do 
Brasil, de Gabriel Soares de Sousa (1587); os Diálogos das Grandezas do Brasil, de Ambrósio 
Fernandes Brandão (1618); a História do Brasil, de Frei Vicente de Salvador (1627), etc. 
Para compreender a complexidade do período Barroco, antes devemos retroceder no tempo e 
tentar compreender os anseios do homem dos séculos XVI e XVII. Esse olhar para o passado 
contemplará com mais atenção a sociedade europeia e a sua história, tendo em vista a sua 
força-matriz e impondo-se sobre a nossa situação colonial. 
Do século XI ao século XV, a Europa viveu o que se chamou de Idade Média. Esse período foi 
marcado por grandes transformações. O Feudalismo, sistema social e econômico, estava 
consolidado a esse tempo. Isso significa dizer que a sociedade medieval era dividida em 
estamentos: os nobres, o clero e os servos. E, por isso, quase não havia possibilidade de 
ascensão social. 
Os servos trabalhavam para os senhores feudais e, em troca, estes concediam a segurança 
contra invasores. O clero detinha grande poder, pois não havia uma divisão entre Estado e 
igreja nesse tempo. Dessa forma, cabia-lhe o papel de apaziguar os ânimos dos camponeses, 
caso tentassem revoltar-se contra o sistema. Durante muito tempo, ouviu-se chamar esse 
período de Idade das Trevas, no entanto, essa expressão é equivocada e preconceituosa, já 
que o período foi também marcado, entre outros fatos, pela criação das Universidades e pela 
preservação dos escritos da Grécia e Roma antigas por monges copistas. 
Ao fim da Idade Média, a Europa conheceu um movimento chamado Renascimento. Da Itália 
para toda a Europa, o movimento manteve características comuns, como a valorização da 
Antiguidade clássica, a recuperação dos modelos estéticos gregos e romanos e o prestígio do 
equilíbrio e da razão. No entanto, em países em que o espírito medieval estava mais 
arraigado, como Portugal e Espanha, a absorção das idéias novas ganhou matizes 
diferenciadas. 
Os países da Península Ibérica conheceram o apogeu no século XVI, devido à centralização 
política e econômica precoce, pelo conhecimento de técnicas de navegação e por ter obtido 
investimento estrangeiro. 
O Brasil não vivenciou o Feudalismo, pois, como sabemos, no período medieval o nosso país 
não tinha sido encontrado pelos colonizadores ainda. Na Idade Média, os indígenas ocupam o 
protagonismo histórico em nossas terras: vivíamos as leis e os costumes das tribos que aqui 
habitavam. 
Após 1500, pouco a pouco Portugal estabelecia no Brasil a relação metrópole-colônia, que se 
prolongou até 1822. Pelo Pacto Colonial, obrigava-se a Colônia a não produzir mercadorias 
que concorressem com os produtos da Metrópole, bem como a comercializar apenas com essa 
última. 
A partir de 1530, iniciou-se a colonização com a expedição de Martim Afonso de Sousa, com o 
objetivo de deter as invasões de franceses e holandeses, povoar as terras e cultivar cana de 
açúcar. Para tanto, o país foi dividido em capitanias hereditárias, cuja posse foi concedida a 
nobres portugueses, que tinham o direito de explorar a terra, mas deveriam proteger seu 
território, bem como povoar e plantar cana de açúcar. 
O sistema das capitanias, no entanto, não obteve sucesso. Portugal, em 1549, instituiu o 
primeiro Governo-Geral, a cargo de Tomé de Sousa. O governador foi sucedido por Duarte da 
Costa e Mem de Sá, cujo fim do mandato se deu em 1572. 
Foi no período dos Governos Gerais que Salvador, na Bahia, passou a ser capital do Brasil, 
devido ao desenvolvimento da região, bem como pela localização favorável ao envio dos 
produtos à Europa, já que é uma cidade litorânea. 
O monopólio comercial estabelecido entre Portugal e Brasil passou a ser um prolongamento 
da relação entre Inglaterra e Portugal. Os dois países fizeram uma aliança, por meio da qual o 
primeiro oferecia apoio militar e diplomático, mas exigia que o governo português abrisse os 
portos de seu país e das colônias para os produtos manufaturados produzidos pelos ingleses. 
Essa aliança tornou Portugal dependente comercial, política e economicamente da Inglaterra. 
No Brasil, a sociedade do período açucareiro era dividida em três classes sociais: os senhores 
de engenho, detentores do poder político e econômico, as camadas médias, constituída pelos 
profissionais liberais, comerciantes, religiosos e militares e os escravos, principalmente negros 
de origem africana. 
Você poderia se perguntar: por que preciso saber de História para estudar Literatura? 
Quando estudamos as obras de uma determinada época, é importante ter conhecimento 
sobre o contexto social em que viveram os artistas, assim como entender as referências a 
fatos e personagens. Isso no auxilia a interpretar e analisar os textos, pois a literatura reflete 
os anseios do homem de uma determinada época. 
Ao analisarmos uma obra literária, até mesmo a ausência de referência à realidade 
circundante pode auxiliar na sua compreensão. 
Como vimos, os séculos XVI e XVII mudaram a paisagem econômica e política do planeta. As 
relações sociais acompanharam essas mudanças. 
A Igreja, como instituição social importante dessa época, sofreu grandes abalos e procurou 
adaptar-se aos novos tempos. A partir de 1517, um monge alemão chamado Martin Lutero 
propôs o debate sobre as indulgências católicas e promoveu um movimento de grandes 
proporções, a ponto de fazer romper a Igreja Católica romana. Esse movimento foi conhecido 
como Reforma Protestante. 
A Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão iniciado no século XVI por 
Martinho Lutero, que, através da publicação de suas 95 teses, protestou contra diversos 
pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo. Os princípios 
fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco solas. 
Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus, provocando uma revolução 
religiosa, iniciada na Alemanha, e estendendo-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino 
Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a 
Hungria. A resposta da Igreja Católica Romana foi o movimento conhecido como Contra-
Reforma ou Reforma Católica, iniciada no Concílio de Trento. 
O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os 
católicos romanos e os reformados ou protestantes, originando o Protestantismo. 
Abalada pela Reforma, a Igreja Católica perdeu um grande número de fiéis para outras 
religiões e, em decorrência disso, criou um movimento chamado Contra-Reforma. 
Contra-Reforma, também denominada Reforma Católica, é o nome dado ao movimento criado 
no seio da Igreja Católica em resposta à Reforma Protestante, iniciada com Lutero, a partir de 
1517. 
Em 1543, a Igreja Católica Romana convocou o Concílio de Trento, estabelecendo, entre 
outras medidas, a retomada do Tribunal do Santo Ofício (inquisição), a criação do Index 
Librorum Prohibitorum, com uma relação de livros proibidos pela igreja e o incentivo à 
catequese dos povos do Novo Mundo, com a criação de novas