Literatura Brasileira I - Conteúdo Online
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ao pé da porta: disse ao cocheiro que esperasse, e rápido enfiou pelo corredor, e subiu a escada. A luz era pouca, os degraus comidos dos pés, o corrimão pegajoso; mas ele não viu nem sentiu nada. Trepou e bateu. Não aparecendo ninguém, teve ideia de descer; mas era tarde, a curiosidade fustigava-lhe o sangue, as fontes latejavam-lhe; ele tornou a bater uma, duas, três pancadas.Veio uma mulher, era a cartomante. Camilo disse que ia consultá-la, ela fê-lo entrar.
Dali subiram ao sótão, por uma escada ainda pior que a primeira e mais escura. Em cima, havia uma salinha, mal alumiada por uma janela, que dava para o telhado dos fundos. Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava do que destruía o prestígio.\u201d (http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000257.pdf)
Mesmo não recorrendo ao enredo do conto de Machado de Assis para nos ajudar, podemos perceber algumas semelhanças entre o quadro e o conto:
A descrição da realidade é feita de maneira bastante minuciosa, os detalhes são privilegiados.
A temática das duas obras se concentra em experiências do cotidiano, observadas pela ótica de uma terceira pessoa.
À primeira vista, que semelhanças podemos encontrar entre os dois textos?
Vamos fazer um teste?
Os painéis a seguir compõem o mural da ONU, Guerra e Paz, de nosso genial pintor Candido Portinari. A obra foi pintada entre os anos de 1952 e 1956. Observe atentamente os detalhes, as figuras humanas, as diferenças entre os dois painéis, as cores etc.
Na poesia, o Cubismo é perceptível pela simplicidade, por uma sintaxe orientada pelo sentido e não pela gramática.
\u201cO pintor cubista tenta representar os objetos em três dimensões, numa superfície plana, sob formas geométricas, com o predomínio de linhas restas. Não representa, mas sugere a estrutura dos corpos ou objetos. Representa-os como se movimentassem em torno deles, vendo-os sob todos os ângulos visuais, por cima e por baixo, percebendo todos os planos e volumes\u201d.
E na literatura, quais seriam os traços principais?
Na poesia, o Cubismo é perceptível pela simplicidade, por uma sintaxe orientada pelo sentido e não pela gramática.
Cidade
Foguetes pipocam o céu quando em quando
Há uma moça magra que entrou no cinema
Vestida pela última fita
Conversas no jardim onde crescem bancos
Sapos
Olha
A iluminação é de hulha branca
Mamães estão chamando
A orquestra rabecoa na mata
Oswald de Andrade
Comentários:
Tanto nos painéis quanto no poema de Oswald de Andrade observamos flashes da realidade, como se várias visões ou fotografias estivessem coladas lado a lado.
No mural \u201cGuerra\u201d, por exemplo, temos momentos de desespero e de dor retratados: são cenas de mulheres chorando, pessoas de braços estendidos para o céu, como clamando pela misericórdia. No mural \u201cPaz\u201d, as cenas são de alegria, brincadeira e trabalho.
Ao colocar lado a lado cada um dos fragmentos, da dor e da alegria, o pintor nos deu uma perspectiva panorâmica, de todas as visões, tanto da guerra quanto da paz.  
Na poesia de Oswald de Andrade temos também retratos do cotidiano: fatos que compõem uma paisagem e que ganham a mesma prioridade ao serem observados pelos poetas. Se fossem retratados um a um, os fragmentos perderiam o sentido ou a intenção de retratar a noite urbana em contraponto à percepção provinciana de início de século XX, na cidade de São Paulo.
Convém mencionar outro conceito literário importante: a Geração.
Geração, segundo Afrânio Coutinho, pode definir-se como \u201cum grupo de escritores de idades aproximadas que, participando das mesmas condições históricas, defrontando-se com os mesmos problemas coletivos, compartilhando de idêntica concepção do homem, da vida e do universo e defendendo valores estéticos afins, assumem lugar de relevo na vida literária de um país mais ou menos na mesma data. Trata-se de um conceito suplementar em nossos estudos da periodicidade literária.
No caso específico da Literatura Brasileira, a determinação do ponto de partida do estudo das histórias da literatura é dada com a publicação de História da Literatura Brasileira, de Silvio Romero, em 1888. Antes dessa obra, houve referências, como já mencionamos, à literatura produzida no Brasil, Entretanto, esta ainda era compreendida como colônia e, por isso, constante do capítulo ultramar da literatura portuguesa.
Observa Marisa Lajolo que as histórias literárias surgem a partir dos processos de afirmação das nacionalidades européias e não foi diferente com o caso brasileiro. Desde o primeiro momento, existe uma forte aliança entre a produção literária e o \u201cprojeto de construção nacional\u201d. Os efeitos dessa visão se refletem diretamente sobre a construção do que podemos chamar de cânon da Literatura Brasileira, que não pode ser compreendido como uma sequência, mas como sistema:
\u201c(...) trata-se de uma sequência cujo estabelecimento passa pela mediação de inúmeras leituras seletivas que, pautando-se por igualmente seletivos protocolos (de leitura literária), foram aprovando certas obras e rejeitando outras, num gigantesco processo de seleção e combinação, cujo resultado constitui o cânon da literatura brasileira\u201d.
O ensino da literatura brasileira nas escolas vigora desde os tempos da monarquia, fazendo parte de antologias escolares. Sua importância ultrapassa o mero conhecimento dos bons autores, pois reside principalmente no conhecimento mais profundo de nosso povo, de nossa cultura e de nossa história. O contato com as obras deve sempre ser guiado, merecendo grupos de debates e discussão, para que a apreensão transborde os momentos de leitura e venha a compor a bagagem do cidadão.
A Literatura produzida no Brasil é um patrimônio cultural, manifestação genuína do povo brasileiro. Sua força é sentida além do mundo lusófono, como potência artística representativa de nossa identidade.
Deleite-se agora com trechos de nossa poesia brasileira, para entrar no clima:
Canção do exílio
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
 
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
(...)
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu\u2019inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
(Coimbra \u2013 julho 1843)
O navio negreiro
\u2018Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? Qual o oceano?...
Castro Alves
Língua Portuguesa
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma.
Olavo Bilac
Vou-me embora pra Pasárgada
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
\u2013 Lá sou amigo do rei\u2013
Terei a mulher que eu quero 
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Manuel Bandeira
As sem razões do amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Carlos Drummond de Andrade
Reinvenção
(...)
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível 
reinventada.
Cecília Meireles
Extravio
Onde começo,
onde acabo,
se o que está fora está dentro
como num círculo cuja
periferia é o centro?
Ferreira Gullar
AULA 2 \u2013 TEXTOS DE INFORMAÇÃO E CONTRIBUIÇÃO JESUÍTICA
O alemão Hans Staden, em 1554, foi prisioneiro dos índios Tupinambás no litoral de São Paulo.  
VER MATERIAL ADICIONAL \u2013 VIAGEM AO BRASIL
Conseguindo retornar à sua terra natal, publicou a obra que contaria os oito meses que ficou em poder da tribo indígena, bem como os hábitos e os costumes da tribo antropófaga. 
Sua obra, Viagens e aventuras no Brasil, publicada em 1557, teve várias edições, mas apenas em 1892 foi