Literatura Brasileira I - Conteúdo Online
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os ânimos dos camponeses, caso tentassem revoltar-se contra o sistema. Durante muito tempo, ouviu-se chamar esse período de Idade das Trevas, no entanto, essa expressão é equivocada e preconceituosa, já que o período foi também marcado, entre outros fatos, pela criação das Universidades e pela preservação dos escritos da Grécia e Roma antigas por monges copistas.
Ao fim da Idade Média, a Europa conheceu um movimento chamado Renascimento. Da Itália para toda a Europa, o movimento manteve características comuns, como a valorização da Antiguidade clássica, a recuperação dos modelos estéticos gregos e romanos e o prestígio do equilíbrio e da razão. No entanto, em países em que o espírito medieval estava mais arraigado, como Portugal e Espanha, a absorção das idéias novas ganhou matizes diferenciadas.
Os países da Península Ibérica conheceram o apogeu no século XVI, devido à centralização política e econômica precoce, pelo conhecimento de técnicas de navegação e por ter obtido investimento estrangeiro.
O Brasil não vivenciou o Feudalismo, pois, como sabemos, no período medieval o nosso país não tinha sido encontrado pelos colonizadores ainda. Na Idade Média, os indígenas ocupam o protagonismo histórico em nossas terras: vivíamos as leis e os costumes das tribos que aqui habitavam.
Após 1500, pouco a pouco Portugal estabelecia no Brasil a relação metrópole-colônia, que se prolongou até 1822. Pelo Pacto Colonial, obrigava-se a Colônia a não produzir mercadorias que concorressem com os produtos da Metrópole, bem como a comercializar apenas com essa última.
A partir de 1530, iniciou-se a colonização com a expedição de Martim Afonso de Sousa, com o objetivo de deter as invasões de franceses e holandeses, povoar as terras e cultivar cana de açúcar. Para tanto, o país foi dividido em capitanias hereditárias, cuja posse foi concedida a nobres portugueses, que tinham o direito de explorar a terra, mas deveriam proteger seu território, bem como povoar e plantar cana de açúcar.
O sistema das capitanias, no entanto, não obteve sucesso. Portugal, em 1549, instituiu o primeiro Governo-Geral, a cargo de Tomé de Sousa. O governador foi sucedido por Duarte da Costa e Mem de Sá, cujo fim do mandato se deu em 1572.
Foi no período dos Governos Gerais que Salvador, na Bahia, passou a ser capital do Brasil, devido ao desenvolvimento da região, bem como pela localização favorável ao envio dos produtos à Europa, já que é uma cidade litorânea.
O monopólio comercial estabelecido entre Portugal e Brasil passou a ser um prolongamento da relação entre Inglaterra e Portugal. Os dois países fizeram uma aliança, por meio da qual o primeiro oferecia apoio militar e diplomático, mas exigia que o governo português abrisse os portos de seu país e das colônias para os produtos manufaturados produzidos pelos ingleses. Essa aliança tornou Portugal dependente comercial, política e economicamente da Inglaterra.
No Brasil, a sociedade do período açucareiro era dividida em três classes sociais: os senhores de engenho, detentores do poder político e econômico, as camadas médias, constituída pelos profissionais liberais, comerciantes, religiosos e militares e os escravos, principalmente negros de origem africana.
Você poderia se perguntar: por que preciso saber de História para estudar Literatura?
Quando estudamos as obras de uma determinada época, é importante ter conhecimento sobre o contexto social em que viveram os artistas, assim como entender as referências a fatos e personagens. Isso no auxilia a interpretar e analisar os textos, pois a literatura reflete os anseios do homem de uma determinada época.
Ao analisarmos uma obra literária, até mesmo a ausência de referência à realidade circundante pode auxiliar na sua compreensão.
Como vimos, os séculos XVI e XVII mudaram a paisagem econômica e política do planeta. As relações sociais acompanharam essas mudanças.
A Igreja, como instituição social importante dessa época, sofreu grandes abalos e procurou adaptar-se aos novos tempos. A partir de 1517, um monge alemão chamado Martin Lutero propôs o debate sobre as indulgências católicas e promoveu um movimento de grandes proporções, a ponto de fazer romper a Igreja Católica romana. Esse movimento foi conhecido como Reforma Protestante.
A Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão iniciado no século XVI por Martinho Lutero, que, através da publicação de suas 95 teses, protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo. Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco solas.
Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus, provocando uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha, e estendendo-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria. A resposta da Igreja Católica Romana foi o movimento conhecido como Contra-Reforma ou Reforma Católica, iniciada no Concílio de Trento. 
O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformados ou protestantes, originando o Protestantismo.
Abalada pela Reforma, a Igreja Católica perdeu um grande número de fiéis para outras religiões e, em decorrência disso, criou um movimento chamado Contra-Reforma.
Contra-Reforma, também denominada Reforma Católica, é o nome dado ao movimento criado no seio da Igreja Católica em resposta à Reforma Protestante, iniciada com Lutero, a partir de 1517.
Em 1543, a Igreja Católica Romana convocou o Concílio de Trento, estabelecendo, entre outras medidas, a retomada do Tribunal do Santo Ofício (inquisição), a criação do Index Librorum Prohibitorum, com uma relação de livros proibidos pela igreja e o incentivo à catequese dos povos do Novo Mundo, com a criação de novas ordens religiosas dedicadas a essa empreitada, incluindo aí a criação da Companhia de Jesus. Outras medidas incluíram a reafirmação da autoridade papal, a manutenção do celibato, a criação do catecismo e seminários e a supressão de abusos envolvendo indulgências.
A Europa, nesse período, foi sacudida por uma série de guerras de perseguição religiosa de uma e de outra parte, sendo criado um clima de medo e insegurança, percebido nas obras de arte da época.
Após a recuperação do privilégio da razão que trouxe o homem ao centro do interesse e discussão, provocados pelo Renascimento, a sociedade se vê abalada pelo medo, pela dúvida e pelas incertezas quanto à fé, à transcendência da alma, à finalidade da vida. Esse período recebeu o nome de Barroca.
A Literatura brasileira foi inaugurada, por assim dizer, nesse período histórico. Não vivenciamos o Barroco em concomitância com a Europa, mas recebemos os ecos do movimento, que encontrou no Brasil três vozes: Bento Teixeira, Padre Antônio Vieira e Gregório de Matos Guerra. 
Para você entender como se sentia o homem barroco, veja a imagem a seguir:
O painel de azulejos acima se encontra no claustro do Convento de São Francisco, em Salvador.
Sobre ele, encontra-se a inscrição \u201cA morte é certa\u201d.
A morte é representada pela figura cadavérica que distribui moedas a pessoas, organizadas em uma fila. Essas pessoas estão mortas e suas almas precisam da moeda para entregar ao barqueiro Caronte (veja ao fundo da imagem) \u2013 figura mitológica \u2013 que as levará ao reino dos mortos.
Perceba que, na fila, encontram-se pessoas de todo tipo: o nobre (o homem com a coroa), o camponês (o que está com a pá), mulheres e crianças. Em outras palavras, a morte é certa para todos, não há escapatória.
Após receberem a moeda, todos se encaminham para a barca.
Veja que, nessa representação, temos a inequívoca certeza de que todos nos igualamos na morte. Essa é a mensagem transmitida pelo painel.
A morte é tematizada pelo barroco com muita freqüência, porque o homem dessa época sentia-se dividido entre a salvação da alma pela fé e a satisfação