Literatura Brasileira I - Conteúdo Online
53 pág.

Literatura Brasileira I - Conteúdo Online


DisciplinaLiteratura Brasileira I2.936 materiais50.545 seguidores
Pré-visualização16 páginas
séculos XVI e XVII. Esse olhar para o passado contemplará com mais atenção a sociedade européia e a sua história, tendo em vista a sua força- matriz impondo-se sobre a nossa situação colonial.
Do século XI ao século XV, a Europa viveu o que se chamou de Idade Média. Esse período foi marcado por grandes transformações.  O feudalismo, sistema social e econômico, estava consolidado a esse tempo. Isso significa dizer que a sociedade medieval era dividida em estamentos: os nobres, o clero (os servos trabalhavam para os senhores feudais e, em troca, esses concediam a segurança contra invasores) e os servos (o clero detinha grande poder, pois não havia uma divisão entre Estado e igreja a esse tempo. Dessa forma, cabia-lhe o papel de apaziguar os ânimos dos camponeses, caso tentassem revoltar-se contra o sistema). E, por isso, quase não havia possibilidade de ascensão social.
Idade das Trevas?
Durante muito tempo, ouviu-se chamar esse período de Idade das Trevas.
No entanto, essa expressão é equivocada e preconceituosa, já que o período foi também marcado, entre outros fatos, pela criação das Universidades e pela preservação dos escritos da Grécia e Roma antigas por monges copistas.
Renascimento
Ao fim da Idade Média, a Europa conheceu um movimento chamado Renascimento.  Da Itália para toda a Europa, o movimento manteve características comuns, como a valorização da Antiguidade clássica, a recuperação dos modelos estéticos gregos e romanos, o prestígio do equilíbrio e da razão. No entanto, em países em que o espírito medieval estava mais arraigado, como Portugal e Espanha, a absorção das ideias novas ganhou matizes diferenciados.
Os Diferentes Cenários
Os países da Península Ibérica conhecem o apogeu no século XVI, devido à centralização política e econômica precoce, pelo conhecimento de técnicas de navegação e por ter obtido investimento estrangeiro.
A Península Ibérica é formada pelos territórios de Gibraltar (britânico), Portugal, Espanha, Andorra.
O Brasil não vivenciou o feudalismo, pois, como sabemos, no período medieval o nosso país não tinha sido encontrado pelos colonizadores ainda. Na idade Média, os indígenas ocupam o protagonismo histórico em nossas terras: vivíamos as leis e os costumes das tribos que aqui habitavam.
A Cronologia das Mudanças
Após 1500, pouco a pouco, Portugal estabelecia no Brasil a relação metrópole-colônia que viria a se prolongar até 1822. Pelo Pacto Colonial, obrigava-se a Colônia a não produzir mercadorias que viessem a concorrer com os produtos da Metrópole, bem como a comercializar apenas com essa última.
A partir de 1530, inicia-se a colonização com a expedição de Martim Afonso de Sousa, com o objetivo de deter as invasões de franceses e holandeses, povoar as terras e cultivar cana-de-açúcar. Para tanto, o país foi dividido em capitanias hereditárias, cuja posse foi concedida a nobres portugueses, que tinham o direito de explorar a terra, mas deveriam proteger seu território, bem como povoar e plantar cana-de-açúcar.
O sistema das capitanias, no entanto, não obteve sucesso. Portugal, em 1549 institui o primeiro Governo-Geral, a cargo de Tomé de Sousa. O governador foi sucedido por Duarte da Costa e Mem de Sá, cujo fim do mandato se deu em 1572.
A Aliança entre Portugal e Inglaterra
Foi no período dos Governos Gerais que Salvador, na Bahia, passou a ser capital do Brasil, devido ao desenvolvimento da região, bem como pela localização favorável ao envio dos produtos à Europa, já que é uma cidade litorânea.
O monopólio comercial estabelecido entre Portugal e Brasil passou a ser um prolongamento da relação entre Inglaterra e Portugal. Os dois países fizeram uma aliança, por meio da qual o primeiro oferecia apoio militar e diplomático, mas exigia que o governo português abrisse os portos de seu país e das colônias para os produtos manufaturados produzidos pelos ingleses.
Essa aliança torna Portugal dependente comercialmente, politicamente e economicamente da Inglaterra.
A Sociedade Brasileira
No Brasil, a sociedade do período açucareiro era dividida em três classes sociais: os senhores de engenho, detentores do poder político e econômico; as camadas médias, constituída pelos profissionais liberais, comerciantes, religiosos e militares; os escravos, principalmente negros de origem africana.
Você poderia se perguntar: por que preciso saber de história para estudar literatura?
Quando estudamos as obras de uma determinada época, é importante ter conhecimento sobre o contexto social em que viveram os artistas, bem como entender as referências a fatos e personagens. Isso nos auxilia a interpretar e analisar os textos, pois a literatura reflete os anseios do homem de uma determinada época.
Ao analisarmos uma obra literária, até mesmo a ausência de referência à realidade circundante pode auxiliar a compreender os seus sentidos.
A Reforma Protestante X Contra-Reforma
Como vimos, os séculos XVI e XVII mudaram a paisagem econômica e política do planeta. As relações sociais acompanharam essas mudanças. 
A Igreja, como instituição social importante dessa época, sofreu grandes abalos e procurou adaptar-se aos novos tempos.  A partir de 1517, um monge alemão chamado Martin Lutero propôs o debate sobre as indulgências católicas e promoveu um movimento de grandes proporções, a ponto de fazer romper a Igreja Católica romana. Esse movimento foi conhecido como Reforma.
Abalada pela Reforma, a Igreja católica perdeu um grande número de fiéis para outras religiões, em decorrência disso criou um movimento chamado Contra-Reforma.
Ecos do Barroco
Expressão cunhada por Alfredo Bosi, que em História concisa da literatura brasileira, distingue dois momentos nesse período:
\u201ca) ecos da poesia barroca na vida colonial (...) b) um estilo colonial-barroco nas artes plásticas e na música, que só se tornou uma realidade cultural quando a exploração das minas permitiu o florescimento de núcleos como Vila Rica, Sabará, Mariana, São João d\u2019El Rei, Diamantina, ou deu vida nova a velhas cidades quinhentistas como Salvador, Recife, Olinda e Rio de Janeiro.\u201d (BOSI, A. História concisa da literatura brasileira. 41.ed..São Paulo: Cultrix, 2003. p.35)
O Barroco
A Europa, nesse período, será sacudida por uma série de guerras de perseguição religiosa de uma e de outra parte; criando um clima de medo e insegurança, percebido nas obras de arte da época.
Após a recuperação do privilégio da razão que trouxe o homem ao centro de interesse e discussão, provocada pelo Renascimento, a sociedade se vê abalada pelo medo, pela dúvida e pelas incertezas quanto à fé, à transcendência da alma, à finalidade da vida. Esse período recebeu o nome de Barroco.
A Literatura Brasileira
A literatura brasileira será inaugurada, por assim dizer, nesse período histórico. Não vivenciamos o Barroco em concomitância com a Europa, mas recebemos aqui os ecos do movimento, que encontrará no Brasil três vozes: Bento Teixeira, Padre Antônio Vieira e Gregório de Matos Guerra.
O Sentimento do Homem Barroco
O painel de azulejos ao lado se encontra no claustro do Convento de São Francisco, em Salvador. (PROCURAR NA INTERNET ESSES AZULEJOS)
Sobre ele, encontra-se a inscrição \u201cA morte é certa\u201d.
Perceba que, na fila, encontram-se pessoas de todo tipo: o nobre (o homem com a coroa), o camponês (o que está com a pá), mulheres e crianças. Em outras palavras, a morte é certa para todos, não há escapatória.
A morte é representada pela figura cadavérica que distribui moedas a pessoas, organizadas em um fila.
Após receberem a moeda, todos se encaminham para a barca. 
Veja que, nessa representação, temos a inequívoca certeza de que todos nos igualamos na morte. Essa é a mensagem transmitida pelo painel.
Essas pessoas estão mortas e suas almas precisam da moeda para entregar ao barqueiro Caronte (veja ao fundo da imagem) \u2015 figura mitológica \u2015 que as levará ao reino dos mortos.
O Barraco na visão de Afrânio Coutinho 
A morte é tematizada pelo barroco com muita frequência porque o homem dessa