Literatura Hispano-Americana - Conteúdo Online

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Maravilhoso e o Estranho. Neste há, ao final da narrativa, uma explicação para o insólito. A 
narrativa que pertence ao Estranho é envolta por um mistério que é desvendado pelo próprio 
autor, nas linhas do texto. Não é preciso que o leitor tente concluir algo. O próprio autor 
fornece a explicação. 
É o que acontece no conto \u201cO travesseiro de penas\u201d, de Horacio Quiroga. O autor de uma 
narrativa que pertence ao Estranho oferece dados durante e no final da narrativa, não é 
preciso que o leitor faça deduções a respeito do mistério que se instala: o autor responde as 
inquietações da trama. Há uma explicação possível para o absurdo, na mente dos 
personagens. No Estranho, as leis da realidade permanecem intactas. 
Podemos, entretanto, traçar uma linha entre eles: o romance atual, ao contrário do romance 
tradicional que via o homem em seu exterior, sabe que o homem \u201cexiste\u201d, que ele \u201cé\u201d 
rodeado por uma sociedade e está imerso nela. 
O romancista pós-Rubén Darío dá à linguagem uma função criadora, cheia de caracteres 
complexos e ambíguos. 
Segundo Bellemin-Noël, em Notas sobre o fantástico, a narrativa fantástica é um modo de 
contar. Sua estética serve para designar aquilo que transgride a causalidade, sem que haja 
explicações. 
A fronteira entre uma realidade imediata e o figurado some. E seus domínios se contaminam. 
No Fantástico unem-se natural e sobrenatural para a expressão do indescritível. Neste tipo de 
narrativa, o \u201cfantasmagórico\u201d ou \u201cfantasmático\u201d estabelece-se causando um mal-estar no 
leitor. Suas imagens o inquietam e perturbam. Causam um sentimento de estranheza, de 
influências, de pressentimentos, mas nunca de certezas. 
O texto faz sugestões, nunca afirmações. 
Os temas destas narrativas (fantástica, maravilhosa ou estranha) estão ligados normalmente à 
invisibilidade, à transformação, ao dualismo e à luta entre o bem e o mal. Isto gera uma 
grande quantidade de motivos recorrentes, como fantasmas, sombras, simbologias, duplos, 
reflexos (espelho), etc. Pode-se dizer que a literatura fantástica moderna tenha-se iniciado no 
final do século XVIII, com o chamado romance gótico, que introduziu, na narrativa, agentes 
sobrenaturais e irracionais de todo tipo. 
A literatura é palavra. O mundo se manifesta ao homem por palavras. Com palavras deste 
mundo a ficção fantástica constrói um outro mundo, ou vários mundos. Para Freud não são os 
longos romances que falam mais a realidade, mais sim os contos da noite, do delírio e da 
fantasia. Para ele o fantástico é o íntimo que vem à superfície e que incomoda. O fantástico 
apresenta-se como o lugar da diferença absoluta, da prova de que o eu é um outro, ou 
outros.