Literatura Hispano-Americana - Conteúdo Online

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palavras de otimismo, nos ensaios El que vendrá e La novela nueva. Não há uma 
sistematização filosófica ou uma doutrina específica em sua obra. O que há é uma reação que 
parte do naturalismo literário e do positivismo, cujos aspectos favoráveis são aproveitados em 
sua obra, unidos a uma veneração pela ciência experimental. 
Ariel (1900) é uma parábola alegórica que propõe uma tentativa de definição da América 
Latina em relação ao materialismo dos Estados Unidos. É neste livro que ele coloca de modo 
evidente sua mensagem idealista e otimista. O ensaio está escrito sob a forma de oração, em 
que um velho e venerado mestre se despede de seus discípulos. Na história, começa 
elogiando a juventude, cuja função e obra é renovar a humanidade de geração em geração. 
Depois, aconselha aos seus discípulos manter como princípio fundamental o desenvolvimento 
da integridade humana, considerada como a plenitude do ser. 
Posteriormente a Ariel, publicou mais três livros: Liberalismo y Jacobismo (coletânea de 
artigos polêmicos, nos quais expõe suas idéias sobre o tema da religião); Motivos de Proteo 
(teoria moral sobre o desenvolvimento da personalidade humana, fundamentada no lema: 
Reformar-se é viver.); e El mirador de Próspero (no qual reuniu alguns trabalhos de vários 
gêneros, escritos ao longo de 20 anos). 
Entre os anos de 1902 e 1912, Rodó figurou na lista oficial dos deputados uruguaios, 
entretanto a preterição que sofreu durante a seleção para uma embaixada, na Espanha, 
lançou-o à oposição e a um profundo desgosto. Juntando-se esta tristeza ao abalo que sofreu 
com a guerra mundial de 1914, o resultado foi uma profunda melancolia, que se agravou 
levando-lhe a morte, quando estava em Palermo (Itália) como correspondente de uma revista 
argentina. 
Horácio Quiroga 
Algumas personagens são de um realismo brutal, como as dos contos La gallina degolada (A 
galinha degolada) e o Travesseiro de penas. 
Entre sua coleção de contos, destacam-se: Cuentos trágicos, Cuentos de amor, de locura y de 
muerte (1917) e Anaconda (1921). Escreveu também um livro de contos para crianças: 
Cuentos de la selva (1918). 
A maioria de seus contos reflete este lado sombrio e denso de sua vida. Na maioria dos 
ensaios críticos sobre a sua obra, predomina o interesse por sua característica mais 
conhecida: o de narrador incomparável do mundo do terror e da morte; o seu prazer pelos 
casos patológicos e o inesgotável tema da loucura. 
Quiroga captou a América vegetal em toda a sua opulência e hostilidade: em sua narrativa, 
tudo na selva trama contra o homem. Sua obra revela o seu gosto pelo grotesco e pelo 
extraordinário, do qual está recheada a própria vida. Seus temas mórbidos levam-nos à 
consciência da multiplicidade de realidades que envolvem a vida. São narrativas psicológicas 
que demonstram a miséria humana. Temas que levam o leitor ao contato com uma realidade 
coloquial, mas também mágica e densa. 
Estas características, tão marcantes em sua escrita, são precursoras da nova narrativa 
hispano-americana. Essa narrativa que vai trabalhar com o realismo mágico, com a literatura 
fantástica. 
Horácio Quiroga (1878/1937) pertence também à geração uruguaia de 1900. Entretanto, 
viveu a maior parte de sua vida na Argentina. O seu estilo adapta-se aos assuntos selvagens, 
aos personagens-bichos de suas narrativas terríveis. 
Quiroga foi escritor, professor e diplomata, tendo vivido uma existência bastante dramática, 
marcada pela tragédia, resultado de uma série de suicídios em sua família: a morte violenta 
do pai, num disparo acidental de sua própria arma; o suicídio do padrasto, da primeira esposa, 
dos três filhos e dele mesmo. 
A região selvática das Missões, inclusive a nossa Amazônia, foi ambiente marco de sua ficção 
e de sua própria vida. Apresenta de modo direto o efeito devastador do ambiente físico sobre 
o homem. O meio, para Quiroga, oferece conseqüências inevitáveis, e chega a ser uma das 
personagens principais em sua narrativa. Em seus contos, a selva é impiedosa, rege a ação 
dos homens e até o seu pensamento. 
Em sua narrativa, não encontramos o aconchego do campo e paisagens tranqüilas. A natureza 
apresenta-se de modo avassalador, avançando sobre o homem, não querendo deixar-se 
dominar. Impõe-se ao ser humano, levando-o, às vezes, até a ruína física. É o que acontece 
no conto \u201cO travesseiro de penas\u201d (livro A galinha degolada), no qual um bicho, diminuto no 
seu ambiente original, torna-se mortífero para a personagem central. 
Em 1935, Quiroga é eleito cônsul honorário, numa homenagem da nação uruguaia ao seu 
talento. Em 1937, suicida-se com cianureto, após a notícia médica de que seu câncer gástrico 
era irremediável. 
A Poesia Feminina de Gabriela Mistral: Pós-Modernismo 
Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga, mundialmente conhecida por seu 
pseudônimo, Gabriela Mistral (1889/1957), começou a ser laureada após participar e vencer 
um concurso poético chamado \u201cLos Juegos Florales\u201d, em Santiago (1914) no Chile, quando se 
apresentou com os três considerados magníficos, Sonetos de la muerte. 
A escolha do pseudônimo Gabriela Mistral deu-se em homenagem aos seus poetas prediletos: 
o italiano Gabriele D\u2019Annunzio e o provençal Frédéric Mistral. 
A autora produziu poemas intensamente femininos e maternais em sua essência. Em Gabriela 
Mistral, nota-se sempre a preocupação com as crianças em qualquer situação de abandono ou 
solidão. Os temas centrais nos seus poemas são o amor, o amor de mãe, memórias pessoais 
dolorosas, mágoa e recuperação. 
A poesia de Gabriela Mistral é feita de compaixão e de um grande amor pelos seres. Tomava a 
defesa de seus compatriotas desfavorecidos, mais não era uma \u201cpopulista\u201d. Entre seus 
escritos mais significativos podemos destacar: Sonetos de la Muerte (1914); Desolación 
(1922); Lecturas para Mujeres (1923); Ternura (1924); Nubes Blancas y Breve Descripción de 
Chile (1934); Tala (1938); Antología (1941); Lagar (1954); Recados Contando a Chile (1957); 
e o póstumo, Poema de Chile (1967). Infelizmente Gabriela Mistral não teve a preocupação de 
agrupar sua produção escrita em livros, salvo os quatro volumes de poesia (Desolación, 
Ternura, Tala e Lagar). É uma pena que grande parte de sua produção continue dispersa. 
Poetisa, educadora, diplomata e feminista chilena, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura 
em 1945 (cuja notícia recebeu quando estava em Petrópolis, no Rio de Janeiro), transformou-
se em uma figura internacional. Viajou por todo o mundo representando o seu país em 
comissões culturais das Nações Unidas (UNESCO). Seus livros capitais intitulam-se: 
Desolación, Tala e Lagar. O título do primeiro livro traduz bem o caráter de sua poesia: uma 
alma desolada e angustiada. 
Motivos para toda esta gama de sentimento não faltam. Seu pai abandonou a família quando 
Lucila completou três anos de idade; a mãe de Lucila faleceu no ano de 1929 e a escritora lhe 
dedicou a primeira parte de seu livro Tala, a que chamou: Muerte de mi Madre; e o noivo se 
suicidou com um tiro no peito, em 1907. 
Educada em sua cidade natal, começou a trabalhar como professora primária, em 1904, e foi 
diretora do LICEU, onde estudaria o menino (e futuro poeta) Pablo Neruda. A notoriedade de 
sua produção poética e de suas conferências a obrigou a abandonar o ensino para 
desempenhar diversos cargos diplomáticos na Europa. Em 1922 é convidada pelo Ministério da 
Educação do México a trabalhar nos planos de reforma educacional daquele país. 
Tida como um exemplo de honestidade moral e intelectual, e movida por um profundo 
sentimento religioso, formou-se no trânsito de uma vida dolorosa. A tragédia do suicídio do 
noivo marcou toda a sua vida e foi motivo de sua participação