Literatura Hispano-Americana - Conteúdo Online
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LITERATURA HISPANO - AMERICANA
AULA 1 \u2013 LITERATURA DA CONQUISTA
O objetivo da missão do navegador italiano Cristóvão Colombo era chegar às Índias por um caminho que fosse bem mais rápido que o utilizado pelos portugueses, que detinham o domínio do comércio marítimo na Europa há 80 anos.
O plano do famoso navegador, que foi apoiado pelos reis, era diferente do plano utilizado pelos portugueses. Ele viajaria seguindo a oeste pelos mares, pois estava convencido de que a Terra era redonda. Levando isso em conta, viajando em linha reta, chegaria mais rapidamente a seu destino: as Índias, onde encontraria grandes civilizações ainda desconhecidas pelos portugueses. 
Colombo afirmava que, fazendo este percurso, ele encontraria sociedades ricas em metais preciosos e pedrarias. Sendo assim, sua viagem prometia um retorno financeiro muito elevado para a Coroa Espanhola.
É interessante saber que, até o ano de 1491, Portugal dominava o comércio marítimo na Europa, e a Espanha ainda não havia feito nenhuma investida. Por quê? Porque a Espanha esteve, durante aproximadamente 700 anos, sob o domínio do povo árabe, sob o domínio dos mouros. Em 1491, quando Colón (Cristóvão Colombo) propôs a incursão marítima, a coroa já estava quase que retomando todo seu território. Em 1492, os mouros foram completamente vencidos e tiveram de se retirar da Espanha.
Os reis espanhóis - Fernão de Aragão e Isabel de Castela - aceitaram a proposta de expedição marítima comandada pelo navegador italiano. Em 3 de agosto de 1492, Colombo saiu da Espanha com três caravelas.
Em 12 de outubro de 1492, depois de ter navegado por mais de dois meses, a expedição chegou a uma terra desconhecida, aportando em uma pequena ilha da América Central, denominada por ele de San Salvador. A gravura representa a descoberta da América.
Ao retornar à Espanha, recebeu uma premiação por sua descoberta e realizou mais três viagens à América, mas sempre pensando que se tratava da Índia. Colombo, nestas viagens, visitou outras ilhas próximas a que encontrou, mas não avançou terra adentro.
Por conta disso, não travou contato com as grandes civilizações que acreditava que existiam \u2013 Maias, Astecas e Incas \u2013 e também não retornou para a Espanha com a quantidade de ouro que havia prometido. Foi então destituído do cargo e outros navegadores foram indicados para dar continuidade a seu trabalho.
Hernán Cortés viajou terra adentro e encontrou o que Colombo teorizou: a civilização Asteca, com toda sua opulência e riqueza, sediada pela cidade de Tenochtitlán.
Américo Vespúcio, posteriormente, realizou também viagens à América e percebeu que o \u201cNovo Mundo\u201d encontrado não era a Índia, mas sim uma nova e grande extensão de terra que recebeu, em sua homenagem, o nome de América.
O novo continente encontrado estava habitado por sociedades indígenas, consideradas \u201caltas culturas\u201d. Representadas por Maias, Astecas e Incas, este mundo indígena era complexo, variado e rico, constituído por sociedades hierarquicamente organizadas, que construíram magníficas cidades cuja riqueza provocou o deslumbre, o espanto e, é claro, a cobiça dos europeus.
A Literatura Hispano-americana tem início como um capítulo colonial da Coroa Espanhola. O descobrimento e a conquista da América, sua terra e seus habitantes começam a ser descritos. Tais relatos chegam até a corte espanhola por meio de crônicas, viagens, documentos históricos ou eclesiásticos.
A crônica, de grande tradição na Europa do século XV, surgiu na Espanha como derivação épica, com tendência moralizadora. Ao chegar à América, a crônica se popularizou e adquiriu característica menos individual. 
Os relatos por meio dos quais o cotidiano da colônia era relatado à corte espanhola são conhecidos como \u201cCrônicas do descobrimento\u201d ou \u201cCrônicas da conquista\u201d.
São vários os cronistas instituídos por mandato real. Suas narrativas e descrições são consideradas relatos oficiais deste período de conquista e colonização da América, além, é claro, de ser textos literários. Podemos elencar alguns tipos de cronistas:
Cronista Conquistador:
Cristovão Colombo (1451/1506 \u2013 Cristóvan Colón)
Consta que o primeiro documento que se refere de modo concreto à América são as cinco Cartas de Colombo. Sabe-se que essas cartas são cinco, mas só quatro chegaram ao conhecimento público. Não se conhece o motivo do extravio da quinta carta.
A primeira e a quarta são consideradas as mais importantes. A primeira, por dar conta do descobrimento, pela novidade de revelar o \u201cNovo Mundo\u201d à Europa. Esse mundo era apresentado como um paraíso, dada sua beleza e a fartura da terra. Ainda que não seja especificamente literária, a primeira carta já aponta para a idéia do \u201cbom selvagem\u201d. Quanto à quarta carta, sua importância está no fato de refletir os sentimentos do descobridor em toda sua complexidade, sobretudo seu lado visionário.
Hernán Cortés (1485/1547)
As Cartas de Cortés são em tom ameno e destacam-se por seu entusiasmo diante das grandes civilizações indígenas encontradas e de sua riqueza material. Entretanto, suas crônicas merecem destaque tanto por sua bravura como por sua visão política. Cortés foi um homem típico do Renascimento europeu, com igual aptidão para as armas e para a vida literária. Foi nomeado como \u201calgo poeta\u201d.
Em 1518, lhe foi conferido o poder de expedição ao México, cujas conquista e reorganização sociopolítica foram direcionadas por suas mãos. Escreveu cinco \u201cCartas-relaciones\u201d (Crônicas) que, de estilo conciso e elegante, revelam sua surpresa diante do esplendor de tal civilização.
Cronista Soldado:
É sóbrio e despreza a cultura livresca. Suas narrações são, em geral, resumidas e breves. Percebe-se em seus escritos a tentativa de diminuir a crueldade e os vexames do conquistador em relação aos indígenas.
Cronista Missionário:
A conquista da América de forma definitiva, com o estabelecimento dos vice-reinados e das capitanias hereditárias, foi seguida pela conquista espiritual da igreja católica daquela época. Os missionários também procederam à evangelização destes povos por meio da tarefa de ensinar a nova língua aos índios. Foram vários os grupos missionários que se revezaram no \u201cNovo Mundo\u201d durante as décadas da colonização. Do encontro entre índios e missionários, resultam dois fatos culturais importantes:
A reconstrução histórica do passado indígena, com seus ritos, costumes, escritos literários \u2013 como, por exemplo, o livro El popol-Vuh, considerado a bíblia do povo maia-quiché;
A busca pela reforma social, feita pelas denúncias dos padres em razão dos maus tratos sofridos pelos indígenas.
Tais relações históricas e as denúncias foram feitas em crônicas enviadas à coroa espanhola. Nessas denúncias dos massacres, destaca-se especialmente o padre Bartolomé de lãs Casas (1474/1566), cuja principal obra, Brevísima relación de la destrucción de lãs Índias, resultou em uma busca de revisão, por parte do rei Carlos V, em 1542, do tratamento dado aos nativos. Observe bem: os colonizadores chegaram à América em 1492.
Quando as revisões das leis ocorrem, em 1546, com a expedição do documento \u201cDeclaração dos direitos dos indígenas\u201d, conseguido por Las Casas, grande parte das cidades e das populações indígenas já tinha sido destruída, massacrada.
Cronista Mestiço:
A figura máxima do período da crônica colonial é o mestiço Garcilazo de La Veja (1539/1616), apelidado de \u201cEl Inca\u201d. Filho de princesa Inca e de um militar espanhol, tinha descendência nobre e refletia a fusão destas duas culturas no livro Los Comentarios Reales. A obra, cheia de emoção e ternura, revelara seu sentimento pela pátria. Embora a essência da obra seja a fantasia, é também memorialista e por isso ressalta seus problemas mais íntimos: a tensão entre as duas culturas de origem (ora faz a defesa da nobreza incaica, ora apresenta honra ao conquistadores espanhóis). 
AULA 2 \u2013 O BARROCO HISPANO-AMERICANO
O Século XVI é considerado decisivo para a Hispano-América, pois a transformação causada pela conquista e pela