Literatura Hispano-Americana - Conteúdo Online
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colonização, fez cair impérios e fez nascer novas sociedades, passando a América a estar vinculada à Europa por valores econômicos, políticos e culturais.
Os padres foram os primeiros mestres da educação no Novo Mundo. Ao mesmo tempo em que catequizavam os índios, ensinavam a língua espanhola e os instruíam nas mais variadas práticas de conhecimentos, como pintura, escultura, ofícios mecânicos, etc.
Surge, nesta época, um problema com o qual esta nova sociedade em formação \u2013 que não é mais asteca, inca, maia ou espanhola, mas a mescla das quatro \u2013 terá de conviver: o fazer artístico deve seguir os modelos europeus. Nessa época, a arte produzida na América, para que fosse aceita pela metrópole, tinha de seguir os grandes nomes da poesia e do teatro espanhol, como, por exemplo, os cânones Lópe de Veja, Calderón de la Barca e Tirso de Molina1. 
1 A Tirso de Molina é autor de El burlador de Sevilla, um clássico da literatura espanhola, e também de um mito muito popular, do qual certamente já ouvimos falar: \u201co mito de Dom Ruan\u201d. O homem conquistador, personagem principal da referida obra, é um enganador de mulheres, que não mede esforços para aproveitar-se delas.
\u201cA América nasceu Barroca\u201d, escreveu Luiz Alberto Sánchez, \u201cretorcida, sobrecarregada de rodeios\u201d. O autor também adverte que a arte incaica encontrada pelos colonizadores ostentava motivos ornamentais crispados e curvas angustiantes \u2013 bem semelhantes à arte produzida na Europa do mesmo período.
Considerada representante máxima na poesia em terras hispânicas, Sóror \u2013 ou Sór \u2013 Juana, de obra intelectualista, é uma das escritoras mais pessoais da literatura colonial.
Suas poesias deleitam-se no humano, tendo como temática principal o amor, analisando suas complicações, seus efeitos, suas causas, as circunstâncias que o afetam. Escreveu com liberdade e sua expressão alcançou o ponto mais alto e nobre que a literatura da época impunha.
Aos 16 anos, Sor Juana Inés de la Cruz fez pasmar por sua cultura e erudição. Jovem, elegante e dominando vários instrumentos musicais, foi solicitada como dama de companhia da Vice-Rainha e viveu por dois anos na corte. Aprendeu a ler aos três anos. Aos sete, queria ser disfarçada de homem para frequentar a Universidade. Claro que sua mãe não aceitou isto. Por não ter como freqüentar a universidade, leu toda a biblioteca de seu avô. Jovem, bela, de rosto oval e cabeleira negra, era linda por dentro, recheada de poesia, música e toda uma gama de noções científicas. Era muito admirada e também muito respeitada por conta de sua sabedoria.
Em 1667, decide ser freira. Até hoje teóricos e pesquisadores se perguntam o porquê. Terá ela amado sem ser correspondida? O que a influenciou na decisão de tornar-se religiosa? Segundo seus próprios escritos, afirma ter sido por total negação à vida mundana, o que fica em desacordo com a principal temática de sua escrita: o amor.
A escrita de Sór Juana Inés de la Cruz parte de um sentimento de ansiedade, chegando a uma veemência temperamental que normalmente se finaliza, na poesia, com um resignado equilíbrio. A angústia humana, a dualidade, a dúvida entre o ser e o parecer são algumas das características mais marcantes da estética barroca a que sua obra pertence.
El sueño \u2013 chamado também de Primer sueño -, com aproximadamente 609 versos, um extenso poema, é o único que, segundo confissão pessoal, escreveu de próprio gosto. Sór Juana afirma que seus outros belos poemas de amor foram sempre escritos a pedido de reis, príncipes ou duques, às vezes em louvor de alguma dama.
A beleza de sua obra dramática também era o motivo de sempre ser convidada para participar dos festejos da Corte e da Igreja. Isso não agradava aos sacerdotes de postos mais altos da Igreja, pois, como afirma o escritor mexicano Octavio Paz, \u201cA preeminência alcançada por Sóror Juana ofendia muitos prelados\u201d. Escreve Paz que \u201ctodos eles eram seus superiores e quase todos se achavam teólogos, literatos e poetas. A freira encarnava uma exceção dupla e insuportável: a de seu sexo e de sua superioridade intelectual.\u201d (PAZ, Octavio. Artigo: \u201cPoesia e silêncio\u201d. Revista Veja, 22/07/1998. p. 120-122).
O Barroco hispano-americano segue os moles da produção européia: ao serem estabelecidas as novas cidades, fica proibida a circulação de obras de imaginação. Sendo assim, fica proibido também o intercâmbio entre as parte da América. Nesta época, destacam-se dois tipos de produção literária hispânica: o teatro e a poesia.
O teatro americano não é exclusivamente \u201cteatro espanhol\u201d produzido e realizado em terras hispânicas. Ao modelo herdado da Europa será acrescentados fatores que lhe imprimirão caráter próprio e diferenciado. Um dos mais importantes é o substrato indígena, com suas danças e ritos bem peculiares. Percebe-se uma nova América nestes escritos literários, unida por um novo credo e uma nova língua \u2013 a espanhola.
O teatro Hispano-americano subdivide-se em:
Teatro missionário \u2013 símbolo da fusão entre os espíritos espanhol e indígena;
Teatro escolar \u2013 de intenção didática, segue a tradição latina das universidades espanholas;
Teatro \u201ccriollo\u201d \u2013 escrito por espanhóis e mestiços, reflete a nova sensibilidade americana (ainda em formação).
Um dos maiores representantes do teatro \u201ccriollo\u201d é o escrito mexicano Juan Ruiz de Alarcón y Mendonza (1580 - 1639). Filho de nobres espanhóis, este escritor cria, com a peça La verdad sospechosa, a comédia de caráter. Sua escrita revela uma nova consciência artística, urdindo comédias variadas, nas quais já se nota um afastamento dos cânones espanhóis implantados por Lope de Vega.
Com Alarcón, a América deixa de somente receber influências literárias e passa também a influenciar a Europa. Este autor foi considerado por Manuel Bandeira a maior vocação teatral da América hispânica de sua época.
A obra para o teatro, produzida na América, passa a ter, então, características e notas pessoais bem peculiares do autor que a escreve.
AULA 3 \u2013 A POESIA DE ANDRÉS BELLO: AGRICULTURA DE LA ZONA TÓRRIDA
O século XVIII é o momento em que se multiplicam os jornais e o saber circula e se difunde pelo mundo \u2013 e, conseqüentemente, pela América.
A estética do Neoclassicismo tem a razão como qualidade fundamental do homem. Sendo assim, a verdade, o natural, é o ideal de beleza minuciosamente observado. Andrés Bello, aproveitando a força desta época, chama os povos hispânicos por meio de sua escrita jurídica e poética para a exaltação da vida rural, do homem e da natureza americana como um todo.
Na geração hispano-americana que fez a independência da América, nenhum nome literário se sobrepõe ao de Andrés Bello (1781-1865). Poeta erudito e homem de ação social, Bello exerceu imensa influência na cultura sul-americana do século XIX.
A unidade lingüística da América espanhola tornou-se uma de suas metas. Sua Gramática de La lengua castellana (1847) é ainda hoje fundamental para estudos lingüísticos históricos.
Andrés Bello foi, sem dúvida, o precursor na interpretação da natureza americana. Publicou os livros de poemas Silvas americanas e Silva a la agricultura de la zona tórrida (1826), de exaltação à natureza americana. 
Literária e politicamente conservador, pretendeu renovar as letras americanas usando formas clássicas latinas. Seu objetivo era formar uma consciência cultural americana fundamentada na autonomia política e intelectual.
Andrés Bello acreditava que sua literatura alcançaria características próprias. Não através de um \u201cindigenismo\u201d ou de uma volta ao passado, mas assimilando os valores positivos da civilização contemporânea. Foi ele, no seu tempo, considerado o homem de maior cultura no Novo Mundo.
Seus poemas são um convite ao cultivo do solo, são a exaltação do homem e da natureza hispano-americana apresentados em sua mais alta categoria.
AULA 4 \u2013 O ROMANTISMO HISPANO-AMERICANO: A LITERATURA \u201cGAUCHESCA\u201d. O MOVIMENTO REALISTA
O Romantismo se inicia na América após 1830, em uma época das lutas pelas independências e