Literatura Hispano-Americana - Conteúdo Online
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políticas aparecem publicadas pela primeira vez em 1869, em jornais clandestinos. Objetivando a Revolução Cubana, José Martí inaugurou um discurso no qual o \u201csentido de nação\u201d e a \u201cluta contra o imperialismo\u201d Norte Americano se difundem. Foi ele um dos inventores do conceito de \u201cAmérica Latina\u201d. E, segundo o estudioso Octavio Ianni, este conceito resume a construção de uma problemática política, social e cultural. Martí começou a desenvolver este conceito de \u201clatinidade\u201d, quando deixou a Espanha, em 1875, e passou a viver no México, Venezuela e Guatemala. A convivência com estas pátrias e povos latinos o levou a repugnar, em definitivo, o legado espanhol sobre a América.
Conversemos um pouco sobre este escritor que alcançou, dentro do movimento modernista, significação continental e universal: Rúben Darío.
Diplomata, escritor e poeta nicaraguense (18/01/1867 \u2013 06/02/1916), nascido na cidade de Metapa, mais tarde \u201cCiudad Darío\u201d, em sua homenagem. Foi considerado o criador do modernismo literário em língua espanhola. Entretanto, antes dele, temos a participação fundadora e inigualável do escritor José Martí que, em 1893, encontra-se com o jovem Darío, a quem chama carinhosamente de \u201cfilho\u201d.
Descendente de uma família tradicional, Rubén Darío recebeu sólida formação religiosa e, ainda muito jovem, começou a trabalhar na Biblioteca Nacional de Nicarágua. Na sua juventude viaja por São Salvador, Chile e Argentina. Nesses países, lê e assimila os simbolistas franceses. No Chile desde 1886, publica em 1888, o livro Azul..., sua obra de estréia: uma coletânea de textos poéticos em prosa e verso, influenciado pelo parnasianismo francês. Entretanto, Darío não repete simplesmente as formas do modelo francês; há indícios suficientes de que intui o sentido da crise que abala o final do século. Crise que é universal, e deixa a marca do sofrimento e da ansiedade em sua alam e escrita.
Azul... é considerado como do nascimento de uma nova poesia hispânica. Num afã de superação, sua temática é variada. Afirma em um de seus poemas: \u201cyo persigo uma forma que no encuentra mi estilo\u201d. Em 1892, translada-se para a Espanha e desenvolve amizade com outros escritores modernistas, da geração espanhola de 98.
Depois de anos agitados, durante os quais casou-se duas vezes, é nomeado cônsul da Colômbia em Buenos Aires (1893) e inicia sua atividade diplomática. Rúben Darío desenvolve também intensa atividade jornalística. Tornou-se correspondente do jornal argentino La Nación, e mudou-se para a Madrid (1898). Depois fixou residência em Paris (1899) e continuou viajando com freqüência. Voltou como diplomata para a Espanha (1908). Doente e com graves dificuldades financeiras, iniciou uma viagem pelos Estados Unidos (1914), onde fez uma série de conferências e, com a debilidade crescente de sua saúde, decidiu voltar para sua terra natal. Morreu em León, Nicarágua.
Paralelamente ao trabalho poético, escreveu contos, artigos jornalísticos e críticas literárias. Entre suas principais obras temos: Azul... (1888), livro de prosa e verso; Epístolas y poemas (1885); Prosas profanas y otros poemas (1896) \u2013 nessa coletânea de poemas, assinala o triunfo da nova sensibilidade poética, estando nele presentes os principais elementos do modernismo (o exotismo, os ritmos franceses, a sensualidade, a ornamentação e o colorido); Cantos de vida y esperanza (1905): contém poemas mais íntimos e de uma maior simplicidade expressiva; El canto errante (1907); Poema Del otoño y otros poemas (1908) e El viaje a Nicaragua (1909). 
AULA 6 \u2013 A PROSA MODERNISTA: RODÓ E HORÁCIO QUIROGA. PÓS-MODERNISMO: A POESIA DE GABRIELA MISTRAL
José Enrique Rodó (Uruguai- 1871/1917) e Horacio Quiroga (Uruguai-1879/1937), escritores que pertencem a uma denominada \u201c2ª geração modernista\u201d, quando os excessos do pluralismo estético já haviam sido suprimidos. Há na prosa produzida por Quiroga a identificação da justiça com o dever e o protesto ante as humilhações conferidas ao homem.
A região selvática das missões foi marco dos contos de Quiroga. Sua obra apresenta de modo direto o efeito devastador do meio, do ambiente, sobre o ser humano.
Rodó foi considerado o maior prosador do período modernista. Sua obra Ariel (1900) teve forte influência em sua época.
A Prosa Modernista
A prosa não foi negligenciada pelos modernistas. Tanto José Martí quanto Rubén Darío dão o exemplo de uma obra em prosa cuidada e abundante. Os prosadores modernistas preferiram os gêneros curtos: crônicas, ensaios não muito extensos, novelas e contos.
As técnicas modernistas utilizadas na produção de poesias não se enquadraram bem na prosa, devido ao excesso e à mistura de características de estilos, marca da poesia modernista.
O romance modernista vai então recorrer às características naturalistas.
Coube ao Uruguai fornecer à América Hispânica sua primeira grande geração de prosadores de ficção. Selecionamos como representantes deste grupo os escritores: 
José Henrique Rodó (1871/1917) 
Horacio Quiroga (1878/1937).
José Enrique Rodó
Para Rodó, há uma profissão universal, que é \u201cser homem\u201d. Sustenta que o fim da criatura humana não pode ser exclusivamente saber ou sentir ou imaginar, mas ser \u201creal\u201d e inteiramente \u201chumana\u201d.
Assim, sua concepção do sentido de vida envolve o cultivo da plenitude do ser, contra a tirania de objetivos interessados.
Nascido em Montevidéu, Rodó é considerado o mestre da prosa modernista. Aos catorze anos entrou para a universidade, abandonando-a antes de completar o bacharelado. Desde então foi autodidata, buscando, sobretudo na França, alguns mestres de sua predileção. Em 1900, aos 28 anos, publica um \u201clivrinho\u201d, de nome Ariel, em forma de ensaio, considerado sua principal obra. O livro teve ressonância grandiosa na literatura de língua espanhola. Este livro o colocou, por mais de uma década, como o mestre preferido da juventude hispano-americana.
Fundou com os irmãos Vigil e Victor Pérez a Revista nacional de literatura y ciencias sociales. A partir de 1896, Rodó surge em meio à atmosfera de pessimismo de fim do século, com suas palavras de otimismo, nos ensaios El que vendrá e La novela nueva. Não há uma sistematização filosófica ou uma doutrina específica em sua obra. O que há é uma reação que parte do naturalismo literário e do positivismo, cujos aspectos favoráveis são aproveitados em sua obra, unidos a uma veneração pela ciência experimental.
Ariel (1900) é uma parábola alegórica que propõe uma tentativa de definição da América Latina em relação ao materialismo dos Estados Unidos. É neste livro que ele coloca de modo evidente sua mensagem idealista e otimista. O ensaio está escrito sob a forma de oração, em que um velho e venerado mestre se despede de seus discípulos. Na história, começa elogiando a juventude, cuja função e obra é renovar a humanidade de geração em geração. Depois, aconselha aos seus discípulos manter como princípio fundamental o desenvolvimento da integridade humana, considerada como a plenitude do ser.
Posteriormente a Ariel, publicou mais três livros: Liberalismo y Jacobismo (coletânea de artigos polêmicos, nos quais expõe suas idéias sobre o tema da religião); Motivos de Proteo (teoria moral sobre o desenvolvimento da personalidade humana, fundamentada no lema: Reformar-se é viver.); e El mirador de Próspero (no qual reuniu alguns trabalhos de vários gêneros, escritos ao longo de 20 anos). 
Entre os anos de 1902 e 1912, Rodó figurou na lista oficial dos deputados uruguaios, entretanto a preterição que sofreu durante a seleção para uma embaixada, na Espanha, lançou-o à oposição e a um profundo desgosto. Juntando-se esta tristeza ao abalo que sofreu com a guerra mundial de 1914, o resultado foi uma profunda melancolia, que se agravou levando-lhe a morte, quando estava em Palermo (Itália) como correspondente de uma revista argentina.
Horácio Quiroga
Algumas personagens são de um realismo brutal, como as dos contos La gallina degolada (A galinha degolada) e o Travesseiro de penas.