Literatura Hispano-Americana - Conteúdo Online
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Entre sua coleção de contos, destacam-se: Cuentos trágicos, Cuentos de amor, de locura y de muerte (1917) e Anaconda (1921). Escreveu também um livro de contos para crianças: Cuentos de la selva (1918).
A maioria de seus contos reflete este lado sombrio e denso de sua vida. Na maioria dos ensaios críticos sobre a sua obra, predomina o interesse por sua característica mais conhecida: o de narrador incomparável do mundo do terror e da morte; o seu prazer pelos casos patológicos e o inesgotável tema da loucura.
Quiroga captou a América vegetal em toda a sua opulência e hostilidade: em sua narrativa, tudo na selva trama contra o homem. Sua obra revela o seu gosto pelo grotesco e pelo extraordinário, do qual está recheada a própria vida. Seus temas mórbidos levam-nos à consciência da multiplicidade de realidades que envolvem a vida. São narrativas psicológicas que demonstram a miséria humana. Temas que levam o leitor ao contato com uma realidade coloquial, mas também mágica e densa.
Estas características, tão marcantes em sua escrita, são precursoras da nova narrativa hispano-americana. Essa narrativa que vai trabalhar com o realismo mágico, com a literatura fantástica.
Horácio Quiroga (1878/1937) pertence também à geração uruguaia de 1900. Entretanto, viveu a maior parte de sua vida na Argentina. O seu estilo adapta-se aos assuntos selvagens, aos personagens-bichos de suas narrativas terríveis.
Quiroga foi escritor, professor e diplomata, tendo vivido uma existência bastante dramática, marcada pela tragédia, resultado de uma série de suicídios em sua família: a morte violenta do pai, num disparo acidental de sua própria arma; o suicídio do padrasto, da primeira esposa, dos três filhos e dele mesmo.
A região selvática das Missões, inclusive a nossa Amazônia, foi ambiente marco de sua ficção e de sua própria vida. Apresenta de modo direto o efeito devastador do ambiente físico sobre o homem. O meio, para Quiroga, oferece conseqüências inevitáveis, e chega a ser uma das personagens principais em sua narrativa. Em seus contos, a selva é impiedosa, rege a ação dos homens e até o seu pensamento.
Em sua narrativa, não encontramos o aconchego do campo e paisagens tranqüilas. A natureza apresenta-se de modo avassalador, avançando sobre o homem, não querendo deixar-se dominar. Impõe-se ao ser humano, levando-o, às vezes, até a ruína física. É o que acontece no conto \u201cO travesseiro de penas\u201d (livro A galinha degolada), no qual um bicho, diminuto no seu ambiente original, torna-se mortífero para a personagem central.
Em 1935, Quiroga é eleito cônsul honorário, numa homenagem da nação uruguaia ao seu talento. Em 1937, suicida-se com cianureto, após a notícia médica de que seu câncer gástrico era irremediável.
A Poesia Feminina de Gabriela Mistral: Pós-Modernismo
Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga, mundialmente conhecida por seu pseudônimo, Gabriela Mistral (1889/1957), começou a ser laureada após participar e vencer um concurso poético chamado \u201cLos Juegos Florales\u201d, em Santiago (1914) no Chile, quando se apresentou com os três considerados magníficos, Sonetos de la muerte.
A escolha do pseudônimo Gabriela Mistral deu-se em homenagem aos seus poetas prediletos: o italiano Gabriele D\u2019Annunzio e o provençal Frédéric Mistral.
A autora produziu poemas intensamente femininos e maternais em sua essência. Em Gabriela Mistral, nota-se sempre a preocupação com as crianças em qualquer situação de abandono ou solidão. Os temas centrais nos seus poemas são o amor, o amor de mãe, memórias pessoais dolorosas, mágoa e recuperação.
A poesia de Gabriela Mistral é feita de compaixão e de um grande amor pelos seres. Tomava a defesa de seus compatriotas desfavorecidos, mais não era uma \u201cpopulista\u201d. Entre seus escritos mais significativos podemos destacar: Sonetos de la Muerte (1914); Desolación (1922); Lecturas para Mujeres (1923); Ternura (1924); Nubes Blancas y Breve Descripción de Chile (1934); Tala (1938); Antología (1941); Lagar (1954); Recados Contando a Chile (1957); e o póstumo, Poema de Chile (1967). Infelizmente Gabriela Mistral não teve a preocupação de agrupar sua produção escrita em livros, salvo os quatro volumes de poesia (Desolación, Ternura, Tala e Lagar). É uma pena que grande parte de sua produção continue dispersa.
Poetisa, educadora, diplomata e feminista chilena, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1945 (cuja notícia recebeu quando estava em Petrópolis, no Rio de Janeiro), transformou-se em uma figura internacional. Viajou por todo o mundo representando o seu país em comissões culturais das Nações Unidas (UNESCO). Seus livros capitais intitulam-se: Desolación, Tala e Lagar. O título do primeiro livro traduz bem o caráter de sua poesia: uma alma desolada e angustiada.
Motivos para toda esta gama de sentimento não faltam. Seu pai abandonou a família quando Lucila completou três anos de idade; a mãe de Lucila faleceu no ano de 1929 e a escritora lhe dedicou a primeira parte de seu livro Tala, a que chamou: Muerte de mi Madre; e o noivo se suicidou com um tiro no peito, em 1907.
Educada em sua cidade natal, começou a trabalhar como professora primária, em 1904, e foi diretora do LICEU, onde estudaria o menino (e futuro poeta) Pablo Neruda. A notoriedade de sua produção poética e de suas conferências a obrigou a abandonar o ensino para desempenhar diversos cargos diplomáticos na Europa. Em 1922 é convidada pelo Ministério da Educação do México a trabalhar nos planos de reforma educacional daquele país.
Tida como um exemplo de honestidade moral e intelectual, e movida por um profundo sentimento religioso, formou-se no trânsito de uma vida dolorosa. A tragédia do suicídio do noivo marcou toda a sua vida e foi motivo de sua participação no concurso literário de 1914. Porém, não se limitou à análise de sua problemática individual. Rompeu a constante análise do \u201ceu\u201d e passou a olhar para o \u201coutro\u201d, colocando a sua escrita a serviço das mais nobres causas.
Encheu seus versos de vida e de sentimentos autênticos. Afirma em um de seus poemas que \u201cuma canción es uma herida de amor que nos abrieron lãs cosas\u201d. São temas recorrentes em sua obra: o amor pelos humildes e um interesse amplo por toda a humanidade. No caminho de sua escrita, há uma simplicidade expressiva na qual se desfaz do excesso da decoração modernista, dos virtuosismos formais e dos artifícios retóricos, para se preocupar com o poético, gritando através de seus versos contra toda sorte de injustiça social. 
AULA 7 \u2013 OS MOVIMENTOS DE VANGUARDA: AS POESIAS DE JORGE LUIS BORGES E NICOLÁS GUILLÉN
É preciso lembrar que o nome de \u201cVanguarda\u201d é dado aos movimentos literários e artísticos que, de modo geral, se estenderam dos inícios do século XX até, mais ou menos, o Surrealismo, surgido, aproximadamente, em 1924. O Surrealismo é considerado o último movimento de vanguarda.
A seguir, vamos conhecer alguns dos principais nomes deste período dentro do vanguardismo hispano-americano.
O Vanguardismo na Hispano-América
Os poetas da vanguarda adotaram posição distinta. Adotaram técnica desintegradora da paisagem e, principalmente, do homem argentino, buscando destacar a essencialidade da criação.
A melhor descrição da arte de Vanguarda é o conceito de \u201cobra aberta\u201d, de Umberto Eco (L\u2019Oeuvre, Edit. Du Seuil, Paris, 1965). Para este escritor, \u201ca obra de arte é uma mensagem fundamental ambígua, uma pluralidade de significados que coexistem num só significante\u201d.
Na obra contemporânea \u2013 quando estudaremos Cortázar, García Márquez -, a pluralidade de significados é ainda maior. E, para realizar esta ambiguidade, os artistas recorrem frequentemente ao informe, à desordem, ao acaso, à indeterminação dos finais e resultados, contando sempre, é claro, com a participação ativa do leitor.
Esta expressão artística descontínua, daquele mundo tradicional, elaborado pela ciência moderna, busca \u201creconstruir\u201d, no nível da criação artística e imagística, formas que expressem o homem contemporâneo: