Literatura Hispano-Americana - Conteúdo Online
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seus anseios, lutas, alegrias e frustrações.
A Poesia de Vanguarda Hispano-Americana
Segundo a Prof.ª Bella Jozef, a nova sensibilidade poética \u201cé um reflexo do Ultraísmo espanhol e do Criacionismo, do Futurismo italiano e outros ismos franceses\u201d, que se combinou a uma poesia de espírito argentino e portenho. Uma renovação dentro do viver local hispânico, que culminou no \u201cmartinfierrismo\u201d.
Por volta do ano de 1925, o principal objetivo dos poetas \u201cimaginistas\u201d era a poesia em si, sem transcendência, como busca do novo. Junto do Ultraísmo acrescenta-se o Surrealismo com sua aspiração à libertação de forças obscuras, mais espontâneas do ser, ainda não expressas livremente nos poemas.
A poesia passa a ser valorizada por si mesma. Os poetas querem apenas \u201cser poetas\u201d.
Jorge Luis Borges (Argentina, 1899-1986)
Por sua imensa cultura de conhecedor de várias línguas e suas respectivas literaturas (línguas latinas, inglesa, alemã), os poemas de Borges são os que melhor exemplificam este período de compenetração de valores estéticos com a realidade argentina e sua história.
Escritor de poemas, ensaios e, sobretudo, de contos (nunca quis escrever narrativas longas), sua obra impressiona pela mistura inusitada de erudição, conhecimento e criatividade. Explorador incondicional da \u201cirrealidade\u201d, construiu uma linguagem própria, cheia de símbolos, e com ela uma realidade que se confunde com o sonho.
Para Borges, o mundo não passa de... indecifrável, é um labirinto, é múltiplo, infinito...
Borges era dono de imensa cultura. Estudou em Genebra, impregnado de clássicos universais (Schopenhauer, De Quincey, Stevenson, Shaw, entre outros) que, segundo confissão, relia continuamente. Sua obra é fruto desta formação.
Apresentou contribuição pessoal inestimável e inegável à produção literária hispânica e universal. O próprio García Márquez afirmou que \u201capesar de detestar Borges, carregaria um livro seu por toda a vida\u201d. Em sua estreia na ficção, com o livro O nome da rosa, o escritor Umberto Eco cria um personagem em homenagem a Borges: o enigmático Jorge de Burgos, monge cego, guardião da biblioteca do mosteiro beneditino, no qual se passa a história do romance. Na adaptação deste livro levada ao cinema, há esta cena inspirada em Borges. Segundo a Prof.ª Bella Jozef, \u201ca ficção do século XX não poderia explicar-se sem Borges e ficaria incompleta sem ele\u201d.
Algumas Características da Poesia Borgiana 
Para ler o texto borgiano, é preciso abandonar a busca de uma significação que concerne apenas a lógica.
O texto de Borges não remete a nada fora dele. O questionamento que faz da linguagem e do universo, a metaforização do mundo e do homem, em uma conformação labiríntica, constroem uma literatura que é signo de si mesma.
O temo do universo é o predileto de Borges.
\u201cDe los muchos instrumentos inventados por el hombre, creo que ninguno puede compararse, siquiera de lejos, côn el libro.\u201d (BORGES. Biblioteca, libros y lectura)
Há, dessa forma, uma série de recursos simbólicos utilizados na escrita de Jorge Luis Borges. Alguns deles:
A negação do tempo: para Borges o tempo é uma ilusão, uma convenção. O único instante apreensível é o presente, o agora. O tempo é a ruína da vida. É a presença da morte. A cada momento vivido, o homem aproxima-se mais da morte.
A negação da realidade: a realidade é confusa e desorganizada, o universo é incompreensível. A ficção, não, pois ela pressupõe uma ordem atemporal, que absorve o instante.
O labirinto como metáfora do mundo: o labirinto é uma metáfora da existência humana e do lado obscuro do mundo. O mundo é o caos. O labirinto aplica-se à trajetória do homem, ao sonho, ao jogo, para indicar a imprevisibilidade. Funciona como um símbolo da perdição.
A roda e o labirinto: representam o eterno retorno.
O espelho: refutação da metafísica e a condenação do ceticismo. Multiplica a realidade, confere-lhe um grau atormentador de \u201cirrealidade\u201d. Revela o \u201coutro\u201d que se observa no reflexo.
O duplo: um dos temas recorrentes, obsessivos em Borges.
O tigre: símbolo do inalcançável, exemplo de beleza e crueldade.
O sonho: através do sonho, transpomo-nos a outras realidades e nos afastamos das falsas dimensões do que nos oprime.
Nicolás Guillén (Cuba, 1902-1989)
Sua voz é considerada a grande anunciadora do reino afro-caribenho. Para penetrar nos meandros de sua Cuba mestiça sem cair em maniqueísmos, Guillén lançou mão do conceito de \u201ctransculturação\u201d de seu compatriota Fernando Ortiz, antropólogo e folclorista. Este conceito inaugura uma nova visão a respeito da convergência de culturas em nossa América.
Para Ortiz, \u201ctransculturação\u201d expressa muito bem as diferentes fases do processo de transição de uma cultura a outra. Este processo não quer dizer \u201cadquirir uma cultura\u201d, como a rigor indica a palavra \u201caculturação\u201d. Indica, sim, uma síntese de elementos, que envolve a perda parcial de costumes, ritos, etc., somada à criação de novos fenômenos culturais.
Neste processo, surge um fenômeno novo, original e independente. E esta cultura resultante foi magistralmente captada por Guillén em suas poesias. Nelas, o escritor deu categoria lírica ao mundo cubano, afro-caribenho, sem esquecer suas tradições, sendo autêntico.
Vida e Obra
Nicolás Cristóbal Guillén Batista nasceu em Camaguey, capital da província cubana. Na década de 50, sua família tinha um elevado nível social e cultural e pertencia a uma burguesia negra. A revolta política de 1917, em Cuba, arruinou a sua cidade. Seu pai faleceu neste mesmo ano, deixando sua mãe com seis filhos, dos quais Guillén era o mais velho.
Poeta militante comunista até a morte, Prêmio Nobel da Paz em 54, começa a publicar seus versos a partir de 1920, escrevendo para revistas da cidade de Camagüey. Em 1922, começa a estudar direito na Universidade de La Habana, mas logo abandona o curso por considerar o ensino \u201cdeprimente\u201d. Essa sua impressão foi repassada no poema \u201cAl margen de mis libros de estudio\u201d, no qual satiriza a mediocridade da vida universitária.
Seus mais de 50 anos de fazer poético rendeu uma obra vasta e variada que abarcou diferentes âmbitos: a cultura e a linguagem popular, o lado folclórico do povo, a política, o negro e a formação \u201cracial\u201d cubana; também abordou o amoroso, o satírico, o épico, a natureza; falou sobre suas viagens pela América Latina e pelo mundo. Vivenciou uma realidade que lhe permitiu aprofundar sua visão de mundo e tecer, em sua poesia, uma série de escritos que o consagraram como \u201ccantor da América e do planeta\u201d. O ritmo \u201cson\u201d foi a matriz geradora de seus primeiros livros: Motivos de son (1930) e Sóngoro, cosongo (1931), considerado um livro de grande estrutura artística e vocação reflexiva sobre a cultura cubana.
Cronologia
Em 1926, trabalha na Secretaria do Governo e se instala na capital cubana. Seus interesses literários e intelectuais começam a se intensificar.
Em 1930, publica no Diário de la Marina algumas polêmicas sobre celebridades, o que aumenta sua popularidade.
Em 1932, recebe uma carta de admiração do escritor espanhol Miguel de Unamuno (clássico da literatura espanhola).
Em 1934, ocorre o golpe militar em Cuba, chefiado por Fulgêncio Batista. A situação econômica e política do país ficam confusas e sobrevêm a intervenção dos Estados Unidos da América.
Em 1940, Guillén candidata-se às eleições pelo partido da União Revolucionária Comunista, mas não consegue se eleger.
Entre 1939 e 1941, divide o seu tempo entre a política e a cultura, pois torna-se dirigente da Frente Nacional Antifacista.
Em 1942, viaja ao Haiti como enviado cultural do Governo Cubano, e como Delegado da Frente Nacional Antifacista.
Em 1945, inicia uma viagem pela América do Sul, que será fundamental para sua projeção nacional.
Em 1954, está em Estocolmo, para o Congresso da Paz, e recebe o Prêmio Nobel da Paz.
Em 1956, viaja por Paris, Varsóvia, Bruxelas, etc. A situação política da ilha o converte em exilado.
Em 1959, acontece o triunfo