PROCESSO CIVIL NCPC
263 pág.

PROCESSO CIVIL NCPC


DisciplinaDireito Processual Civil I42.845 materiais742.318 seguidores
Pré-visualização50 páginas
repetitivos; 
b. procedimento do incidente de resolução de demandas repetitivas; 
c. procedimento do incidente de assunção de competência. 
\uf0b7 Dessa forma, o Novo CPC concentra a discussão para a criação de um precedente 
obrigatório. Nesses procedimentos, o tribunal deverá listar na decisão todos os 
argumentos contrários e todos os argumentos favoráveis a tese. Isso é necessário 
porque o juiz quando aplica um desses precedentes não precisa enfrentar os 
argumentos de novo. 
\uf0b7 Esse inciso IV, uma vez observado na formação do precedente obrigatório, não 
precisará ser observado pelo juiz quando for aplicar o precedente obrigatório formado 
nessas circunstâncias. 
V. se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus 
fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta 
àqueles fundamentos \u2013 essa regra é para aplicação de precedente obrigatório (então o 
juiz deve seguir essa regra e não a regra do inciso IV); 
VI. deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado 
pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a 
superação do entendimento \u2013 também é um regra para aplicação de precedente 
obrigatório, assim como o inciso V. Mas aqui, trata-se da situação em que o juiz NÃO vai 
aplicar o precedente obrigatório. Só existem 2 razões para que o juiz não aplique: 
a. o caso não se encaixa no precedente \u2013 distinção; 
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Retângulo
b. o precedente está superado. 
\uf0b7 Nenhum juiz ou tribunal poderá deixar de aplicar o precedente obrigatório, a não ser que 
se trate de uma das 2 hipóteses acima previstas. 
\uf0fc Art. 489, § 2o No caso de colisão entre normas, o juiz deve justificar o objeto e os 
critérios gerais da ponderação efetuada, enunciando as razões que autorizam a 
interferência na norma afastada e as premissas fáticas que fundamentam a 
conclusão \u2013 esse é um dispositivo completamente novo. É extremamente importante 
porque ratifica o propósito do Novo CPC de não tolerar decisões que não sejam 
exaustivamente fundamentadas. A ideia de ponderação vem com base nas lições de 
Alexy, que trata da ponderação e dos mandamentos de otimização. Fredie chama 
atenção para o fato de que esse dispositivo fala de colisão entre NORMAS, e não entre 
princípios. Para a doutrina, a ideia de colisão é entre princípios, porque entre regras não 
há colisão e se eventualmente elas colidirem, utiliza-se os critérios de cronologia, 
hierarquia e especialidade. Já a colisão entre princípios é que se resolve por meio de 
ponderação. E isso foi discutido durante a tramitação do Novo CPC. Humberto Ávila 
participou ativamente dessa discussão e ele, sendo um dos maiores juristas do país, 
defende a possibilidade de colisão entre regras e de ponderação para resolver esse 
conflito. E, dessa forma, considerando o peso desse autor, o Novo CPC manteve a 
redação de colisão dentre NORMAS, abrangendo assim REGRAS e PRINCÍPIOS. 
\uf0fc Art. 489, § 3o A decisão judicial deve ser interpretada a partir da 
conjugação de todos os seus elementos e em conformidade com o 
princípio da boa-fé \u2013 uma decisão judicial é um texto normativo produzido por um 
órgão judicial e, como texto normativo, a decisão judicial deve ser interpretada. A 
decisão judicial deve ser interpretada com 2 finalidades: 
i. saber qual foi a solução do caso \u2013 isso é relevante para a liquidação e execução; 
ii. determinar qual é o precedente, ou seja, identificar qual é a norma a ser aplicada a 
outros casos semelhantes àquele. 
\uf0fc Num sistema de precedentes, a interpretação da decisão é absolutamente indispensável 
\u2013 o CPC de 73 não cuidava desse assunto. 
\uf0fc Os elementos da sentença (relatório, fundamentação e dispositivo) interagem para que 
se possa interpretar corretamente a decisão \u2013 interpretação sistemática. 
\uf0fc Ademais, a interpretação deve se dar em conformidade com a boa-fé \u2013 inspiração no art. 
113 do CC. 
22.4. Sentença líquida 
\uf0fc No CPC de 73, havia uma porta muito aberta para que o juiz decidisse de forma ilíquida. 
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
\uf0fc O Novo CPC mudou esse sistema: a regra agora é a decisão ser líquida, mesmo sendo 
o pedido genérico, salvo em 2 exceções. 
\uf0fc Art. 491. Na ação relativa à obrigação de pagar quantia, ainda que formulado 
pedido genérico, a decisão definirá desde logo a extensão da 
obrigação, o índice de correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de 
ambos e a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso, salvo quando: 
I. não for possível determinar, de modo definitivo, o montante devido; 
II. a apuração do valor devido depender da produção de prova de realização 
demorada ou excessivamente dispendiosa, assim reconhecida na sentença. 
\uf0fc Mas atenção! O juiz está liberado apenas de dizer qual é a extensão da obrigação 
(nesse ponto a sentença pode ser ilíquida nos 2 casos acima enumerados), mas ele 
deve fixar índice de correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de ambos e 
a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso. Ou seja, essas questões 
devem sempre consta da sentença, independentemente de ser líquida ou ilíquida. 
\uf0fc Art. 491, § 1o Nos casos previstos neste artigo, seguir-se-á a apuração do valor devido 
por liquidação. 
\uf0fc Art. 491, § 2o O disposto no caput também se aplica quando o acórdão alterar a 
sentença. 
22.5. Hipoteca judiciária 
\uf0fc O CPC de 73 prevê a hipoteca judiciária: sempre que houvesse um sentença 
condenatória, o credor dessa sentença poderia hipotecar o imóvel do réu. Esse 
instrumento era muito pouco utilizado. 
\uf0fc O Novo CPC regulamentou exaustivamente a hipoteca judiciária, dando força a esse 
mecanismo. 
\uf0fc Art. 495. A decisão que condenar o réu ao pagamento de prestação consistente em 
dinheiro e a que determinar a conversão de prestação de fazer, de não fazer ou de dar 
coisa em prestação pecuniária valerão como título constitutivo de hipoteca judiciária \u2013 
deixa-se claro que a hipoteca judiciária é um efeito que somente pode ser produzido se 
a sentença for pra pagamento de quantia (o CPC de 73 previa também para a entrega 
de coisa, o que era incompatível com o CC/02). 
\uf0fc Art. 495, § 1o A decisão produz a hipoteca judiciária: 
I. embora a condenação seja genérica \u2013 trata-se de um efeito automático da 
sentença; 
II. ainda que o credor possa promover o cumprimento provisório da sentença ou 
esteja pendente arresto sobre bem do devedor \u2013 mesmo cabendo execução 
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
isadora
Selecionar
provisória ou arresto, é possível hipotecar, até porque a hipoteca é um crédito 
privilegiado; 
III. mesmo que impugnada por recurso dotado de efeito suspensivo. 
\uf0fc Art. 495, § 2o A hipoteca judiciária poderá ser realizada mediante apresentação de cópia 
da sentença perante o cartório de registro imobiliário, independentemente de ordem 
judicial, de declaração expressa do juiz ou de demonstração de urgência \u2013 hipoteca 
judiciária não tem nada a ver com urgência e não precisa de decisão judicial, nem de 
pedido \u2013 o juiz não precisa sequer ter mencionado a possibilidade de hipoteca judiciária 
na sentença. É ume efeito automático da sentença. 
\uf0fc Art. 495, § 3o No prazo de até 15 (quinze) dias da data de realização da hipoteca, a 
parte informá-la-á ao juízo da causa, que determinará a intimação da outra parte 
para que tome ciência do ato \u2013 é um dever de cuidado