PROCESSO CIVIL NCPC
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não impede o ajuizamento de ação de usucapião 
\u2013 a via judicial é sempre possível. 
\uf0fc § 10. Em caso de impugnação do pedido de reconhecimento extrajudicial de 
usucapião, apresentada por qualquer um dos titulares de direito reais e de outros 
direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e na 
matrícula dos imóveis confinantes, por algum dos entes públicos ou por algum 
terceiro interessado, o oficial de registro de imóveis remeterá os autos ao juízo 
competente da comarca da situação do imóvel, cabendo ao requerente emendar a 
petição inicial para adequá-la ao procedimento comum.\u201d 
28.3. Oposição 
\uf0fc No CPC de 73 era regulada como uma espécie de intervenção de terceiro. 
\uf0fc Ela foi eliminada enquanto espécie de intervenção de terceiro e passou a ser prevista 
como procedimento especial. 
\uf0fc Art. 682. Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que 
controvertem autor e réu poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição 
contra ambos \u2013 aqui não mudou nada. 
\uf0fc Art. 683. O opoente deduzirá o pedido em observação aos requisitos exigidos para 
propositura da ação. Parágrafo único. Distribuída a oposição por dependência, serão 
os opostos citados, na pessoa de seus respectivos advogados, para contestar o 
pedido no prazo comum de 15 (quinze) dias \u2013 é um procedimento especial, mas a 
citação não é pessoal, e sim por meio dos seus respectivos advogados. Quanto ao 
prazo, a regra geral do CPC é que litisconsortes com advogados diferentes têm prazo 
em dobro, mas no caso da oposição, por previsão expressa, o prazo é comum a ambos. 
\uf0fc Art. 684. Se um dos opostos reconhecer a procedência do pedido, contra o outro 
prosseguirá o opoente. 
\uf0fc Art. 685. Admitido o processamento, a oposição será apensada aos autos e 
tramitará simultaneamente à ação originária, sendo ambas julgadas pela mesma 
sentença. Parágrafo único. Se a oposição for proposta após o início da audiência 
de instrução, o juiz suspenderá o curso do processo ao fim da produção das 
provas, salvo se concluir que a unidade da instrução atende melhor ao princípio da 
duração razoável do processo \u2013 a ideia é que o juiz termine a instrução primeiro, 
mas se entender necessário pode decidir pela sua unidade. 
28.4. Ações possessórias 
\uf0fc É um tema impregnado por um caráter ideológico. 
28.4.1. Possessória multitudinária 
\uf0fc Art. 554. A propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que 
o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela cujos 
pressupostos estejam provados. 
\uf0fc Art. 554, § 1o No caso de ação possessória em que figure no polo passivo grande 
número de pessoas, serão feitas a citação pessoal dos ocupantes que forem 
encontrados no local e a citação por edital dos demais, determinando-se, ainda, a 
intimação do Ministério Público e, se envolver pessoas em situação de 
hipossuficiência econômica, da Defensoria Pública \u2013 é muito difícil citar 500 
pessoas que estão ocupando um determinado lugar. Dessa forma, depois de muito 
embate entre a bancada ruralista e os parlamentares ligados ao MST, fixou-se que 
haveria citação pessoal e por edital. 
o A DP só será intimada nos casos em que a possessória envolver pessoas com 
hipossuficiência econômica. Se envolver invasões urbanas de milionários, aí não 
há motivo para a DP intervir. 
\uf0fc Art. 554, § 2o Para fim da citação pessoal prevista no § 1o, o oficial de justiça 
procurará os ocupantes no local por uma vez, citando-se por edital os que não forem 
encontrados. 
\uf0fc Art. 554, § 3o O juiz deverá determinar que se dê ampla publicidade da existência da 
ação prevista no § 1o e dos respectivos prazos processuais, podendo, para tanto, 
valer-se de anúncios em jornal ou rádio locais, da publicação de cartazes na região 
do conflito e de outros meios \u2013 o objetivo aqui é divulgar ao máximo. 
\uf0fc Art. 565. No litígio coletivo pela posse de imóvel, quando o esbulho ou a turbação 
afirmado na petição inicial houver ocorrido há mais de ano e dia, o juiz, antes de 
apreciar o pedido de concessão da medida liminar, deverá designar audiência 
de mediação, a realizar-se em até 30 (trinta) dias, que observará o disposto 
nos §§ 2o e 4o \u2013 o juiz não pode conceder liminar comum (e não a especial \u2013 antes de 
ano e dia) sem antes ouvir a coletividade. 
\uf0fc Art. 565, § 1o Concedida a liminar, se essa não for executada no prazo de 1 (um) 
ano, a contar da data de distribuição, caberá ao juiz designar audiência de mediação, 
nos termos dos §§ 2o a 4o deste artigo \u2013 o juiz dá liminar, mas ficou 1 ano sem ser 
executada, aí o juiz deve marcar uma audiência de mediação. 
\uf0fc Art. 565, § 2o O Ministério Público será intimado para comparecer à audiência, e a 
Defensoria Pública será intimada sempre que houver parte beneficiária de 
gratuidade da justiça. 
\uf0fc Art. 565, § 3o O juiz poderá comparecer à área objeto do litígio quando sua 
presença se fizer necessária à efetivação da tutela jurisdicional \u2013 presença do juiz 
tende a diminuir a violência no ato de eventual reintegração. 
\uf0fc Art. 565, § 4o Os órgãos responsáveis pela política agrária e pela política urbana da 
União, de Estado ou do Distrito Federal e de Município onde se situe a área objeto do 
litígio poderão ser intimados para a audiência, a fim de se manifestarem sobre 
seu interesse no processo e sobre a existência de possibilidade de solução para o 
conflito possessório \u2013 o \u201cpoderão\u201d foi uma exigência da bancada ruralista, pois 
constava \u201cdeverão\u201d. 
\uf0fc Art. 565, § 5o Aplica-se o disposto neste artigo ao litígio (coletivo) sobre propriedade de 
imóvel \u2013 se ao invés de ser uma possessória, for uma reivindicatória, aplica-se o 
disposto nesse artigo. Ou seja, aplica-se tanto para possessórias como para petitórias. 
\uf0fc Art. 566. Aplica-se, quanto ao mais, o procedimento comum. 
28.4.2. Prazo de ano e dia 
\uf0fc O CPC de 73 previa que o procedimento especial da possessória cabia apenas para 
quem entrasse até um ano e um dia após esbulho possessório. 
\uf0fc Mas o CC de 2002 não mencionava esse prazo e havia a dúvida se o CC teria revogado 
esse prazo. 
\uf0fc O CPC de 2015 mantém esse prazo e agora está claro que esse prazo está em vigor. 
28.4.3. Caução 
\uf0fc O CPC de 73 estabelecia que o juiz poderia exigir uma caução do autor da ação para 
caso ele viesse a perder. 
\uf0fc O Novo CPC mantém essa previsão, mas estabelece que essa caução não será exigida 
se a parte for hipossuficiente. 
28.4.4. Impossibilidade de ajuizamento de ação petitória 
\uf0fc O CPC de 73 previa que, na pendência de uma ação possessória, não é possível ajuizar 
uma ação petitória (ou seja, uma ação fundada em domínio) sobre aquele bem. 
\uf0fc Esse dispositivo foi trazido para o CPC de 2015, mas foi ampliado: 
\uf0fc Art. 557. Na pendência de ação possessória é vedado, tanto ao autor quanto ao réu, 
propor ação de reconhecimento do domínio, exceto se a pretensão for deduzida 
em face de terceira pessoa \u2013 ex.: A e B estão discutindo em juízo a posse de um 
bem. Eles estão proibidos de discutir a propriedade entre eles, mas podem propor uma 
ação discutindo o domínio em face de um terceiro. 
28.4.5. Ação de consignação em pagamento 
\uf0fc Foram 3 mudanças: 
i. supressão do parágrafo único do art. 891 do CPC de 73 \u2013 porque a sua previsão já 
estava dentro do caput do art. 891; 
ii. previsão de que se o sujeito não fizer o depósito do valor que ele entende devido, o 
processo será extinto sem exame de mérito (art. 542, parágrafo único, CPC de 
2015); 
iii. regulamentação da possibilidade de ação de consignação contra vários credores em 
caso de dúvida: 
\uf0fc Art. 547. Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o pagamento, o 
autor requererá o depósito e a citação dos possíveis titulares