PROCESSO CIVIL NCPC
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A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos 
processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações 
jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada. 
\uf0fc Uma norma processual é aplicável aos processos em andamentos. Mas como um 
processo é um conjunto de atos, os atos jurídicos perfeitos são invioláveis por lei nova. 
\uf0fc Da mesma forma, as situações jurídicas (direitos processuais) já consolidadas não serão 
afetadas pela lei nova. 
\uf0fc Ex.: prazo para contestar do Poder Público no novo CPC: é em dobro (e não mais em 
quádruplo). Se o prazo já começou a correr, o Poder Público ainda tem direito de 
contestar em quádruplo, porque já há uma situação consolidada. 
2. Competência 
2.1. Perpetuação da jurisdição 
\uf0fc Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da 
petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito 
ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a 
competência absoluta. 
\uf0fc Via de regra, a causa perpetua no juízo e fatos posteriores não afetam isso. Ideia de 
estabilização da demanda. 
\uf0fc No antigo CPC: a data da perpetuação é a data da propositura. E a propositura da 
ação era considerada: 
i. despacho da inicial (uma vara); 
ii. distribuição (mais de uma vara). 
\uf0fc Já a prevenção no antigo CPC se dava com: 
i. despacho inicial (entre juízos da mesma competência territorial); 
ii. citação válida (entre juízos com competências territoriais distintas). 
\uf0fc No CPC de 2015, unificam-se os critérios (perpetuação da jurisdição = 
mesmo critério da prevenção): 
i. data do registro (vara única); 
ii. distribuição (mais de uma vara) da petição inicial. 
\uf0fc Antigo CPC (art. 87) \u2013 exceções à perpetuatio: 
i. supressão do órgão judiciário; 
ii. alteração da competência em razão da matéria ou da hierarquia; 
\uf0fc Novo CPC: 
i. supressão do órgão judiciário; 
ii. alteração da competência absoluta. 
2.2. Fixação de competência 
\uf0fc Art. 45. Tramitando o processo perante outro juízo, os autos serão remetidos ao juízo 
federal competente se nele intervier a União, suas empresas públicas, entidades 
autárquicas e fundações, ou conselho de fiscalização de atividade profissional, na 
qualidade de parte ou de terceiro interveniente, exceto as ações: 
I. de recuperação judicial, falência, insolvência civil e acidente de trabalho; 
II. sujeitas à justiça eleitoral e à justiça do trabalho. 
\uf0fc Art. 45, § 1o Os autos não serão remetidos se houver pedido cuja apreciação seja 
de competência do juízo perante o qual foi proposta a ação. 
\uf0fc Art. 45, § 2o Na hipótese do § 1o, o juiz, ao não admitir a cumulação de pedidos em 
razão da incompetência para apreciar qualquer deles, não examinará o mérito 
daquele em que exista interesse da União, de suas entidades autárquicas ou de 
suas empresas públicas. 
\uf0fc Art. 45, § 3o O juízo federal restituirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se o 
ente federal cuja presença ensejou a remessa for excluído do processo. 
\uf0fc O juiz deverá decidir aquele pedido para o qual é competente. E o pedido para o qual 
não é competente deverá ser formulado perante o juiz competente. 
\uf0fc A súmula 224 do STJ (\u201cExcluído do feito o ente federal, cuja presença levara o juiz 
estadual a declinar da competência, deve o juiz federal restituir os autos e não suscitar 
conflito\u201d) foi incorporada ao texto do novo CPC. 
\uf0fc Imagine que um juiz estadual receba um pedido para o qual ele tenha competência. A 
União intervém no processo. É o juiz federal quem decide se cabe ou não intervenção 
da União. Decidindo que a União não pode intervir, o juiz federal deve devolver o 
processo à Justiça Estadual. 
\uf0fc Art. 48. O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o 
inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última 
vontade, a impugnação ou anulação de partilha extrajudicial 
(novidade!) e para todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha 
ocorrido no estrangeiro. 
\uf0fc Art. 48, Parágrafo único. Se o autor da herança não possuía domicílio certo, é 
competente: 
I. o foro de situação dos bens imóveis \u2013 Antes o CPC previa \u201cbens do de cujus\u201d. 
Agora é bens imóveis; 
II. havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes; 
III. não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio. 
\uf0fc Art. 51. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autora a 
União. 
\uf0fc Art. 51, Parágrafo único. Se a União for a demandada, a ação poderá ser proposta no 
foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no 
de situação da coisa ou no Distrito Federal. 
\uf0fc Esse dispositivo não é uma novidade. Reproduz o texto da CF. 
\uf0fc A novidade está no art. 52 que é um espelho do art. 51, mas para os Estados e o 
DF: 
\uf0fc Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autor 
Estado ou o Distrito Federal. 
\uf0fc Art. 52, Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação 
poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que 
originou a demanda, no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente federado. 
\uf0fc Art. 53. É competente o foro: 
I. para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou 
dissolução de união estável (novidade!): 
a. de domicílio do guardião de filho incapaz; 
b. do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz; 
c. de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal; 
O art. 100 previa o foro da mulher para causas envolvendo divórcio. Agora, a 
preferência é para o filho incapaz e não há mais a previsão de for especial para 
a mulher; 
II. de domicílio ou residência do alimentando, para a ação em que se pedem alimentos; 
III. do lugar: 
a. onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa jurídica; 
b. onde se acha agência ou sucursal, quanto às obrigações que a pessoa jurídica 
contraiu; 
c. onde exerce suas atividades, para a ação em que for ré sociedade ou associação 
sem personalidade jurídica; 
d. onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação em que se lhe exigir o 
cumprimento; 
e. de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no 
respectivo estatuto; \u2013 REGRA NOVA \u2013 direito do idoso como idoso. Esta regra 
é de competência relativa: o idoso propõe em seu domicílio se ele quiser. E essa 
regra só vale para as ações individuais. Ações coletivas seguem a regra do 
Estatuto do Idoso (local da ação ou da omissão); 
f. da sede da serventia notarial ou de registro, para a ação de reparação de 
dano por ato praticado em razão do ofício \u2013 REGRA NOVA; 
IV. do lugar do ato ou fato para a ação: 
a. de reparação de dano; 
b. em que for réu administrador ou gestor de negócios alheios; 
V. de domicílio do autor ou do local do fato, para a ação de reparação de dano sofrido em 
razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves. 
2.3. Conexão e continência 
\uf0fc Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o 
pedido (CPC antigo falava objeto) ou a causa de pedir. 
\uf0fc Art. 55, § 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, 
salvo se um deles já houver sido sentenciado (súmula 225 do STJ foi incorporada 
aqui). 
\uf0fc Art. 55, § 2o Aplica-se o disposto no caput: 
I. à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato 
jurídico \u2013 isso era muito discutido na doutrina, se era possível reunir ação de 
execução e ação de conhecimento, agora o CPC pacificou; 
II. às execuções fundadas no mesmo