Sintaxe do Português I - Conteúdo Online
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para ela. 
Ensina aos alunos. Ensina para os alunos. 
Evite fazer compras inúteis. Evite de fazer compras inúteis. 
A reforma implicou gastos não previstos. A reforma implicou em gastos não previstos. 
Maria namora João. Maria namora com João. 
Obedeça ao regulamento Obedeça o regulamento 
Já paguei ao marceneiro. Já paguei o marceneiro. 
Perguntou ao professor. Perguntou para o professor. 
Prefiro abacaxi à manga. Prefiro mais abacaxi do que manga. 
Responda ao questionário. Responda o questionário. 
 
Será que dizer \u2017Namora com\u2018 ou \u2017assisti o\u2018 vai nos marcar como pessoas pouco escolarizadas? 
E o que dizer das ocorrências a seguir? 
a) Esse é o livro de que eu gosto. (oração relativa padrão: gostar é regido pela preposição 
DE) 
b) Esse é o livro \uf066 que eu gosto. (oração relativa cortadora: apagamento da preposição 
DE) 
c) Esse é o livro que eu gosto dele. (oração relativa copiadora) 
Das afirmativas: 
a letra (a) apresenta a forma prescrita pela Gramática Normativa; 
a letra (b) apresenta uma estratégia bastante utilizada pelo falante culto que é o apagamento 
da preposição \u2013 essa estratégia não irá marcá-lo socialmente; 
a letra (c) apresenta um uso considerado marcado por ser utilizado por indivíduos de menor 
escolaridade. 
É por isso que estudar a regência com atenção é tão importante. 
Independentemente de a forma usada ser mais ou menos marcada, como professores de 
Língua Portuguesa devemos observar esses usos para que possamos orientar nossos alunos 
de forma adequada. 
Considerando as preposições, nem sempre a presença delas marca um vínculo obrigatório de 
regência. Se dissermos \u2017Ela sai de manhã para o trabalho\u2018, essa preposição \u2017de\u2018 faz parte de 
uma locução de tempo. 
A ideia falsa de uma preposição só existe porque uma palavra a \u2015rege\u2016, pode levar alguém a 
corrigir frases que a rigor, nada têm de erradas. 
É o caso, por exemplo, da preposição \u2017a\u2018 da expressão \u2015entregas a domicílio\u2016, que nada tem a 
ver com o substantivo \u2015entregas\u2016 (que regeria a preposição \u2017em\u2018) e sim com o adjetivo 
\u2015domiciliar\u2016 \u2013 o que é apenas uma coincidência, pois sabemos que locuções nem sempre têm 
palavras substitutas. (Henriques: 2010, p. 47) 
Os Pronomes Como Complementos Verbais 
O uso do pronome \u2017ele\u2018 e suas variantes (ela, eles, elas) como complemento verbal é 
frequente na língua falada, mas esse é um pronome pessoal do caso reto que somente deve 
funcionar como sujeito ou como complemento verbal quando vier acompanhado de 
preposição. 
Ex.: Ele chegou cedo ao trabalho. 
Ana deu a elas os novos perfumes. 
Seguindo o que prescreve a Gramática Normativa, os pronomes oblíquos são os adequados à 
posição de complementos verbais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
* Átomos (sem preposição) 
Tônicos (com preposição) 
a) Funcionam como objeto direto os pronomes o, a, os, as que são complemento de verbos 
transitivos diretos. 
Joana comprou uma blusa. 
\u2014> Comprou-a. 
Henrique pagou o carro. (Pagar algo = objeto direto) 
\u2014> Pagou-o. 
Ele convidou meus pais. 
\u2014> Ele convidou-os. 
b) Funcionam como objeto indireto os pronomes lhe, lhes são complementos de verbos 
transitivos indiretos. 
Henrique pagou ao gerente. (Pagar a alguém = objeto indireto) 
\u2014> Pagou-lhe. (LHE é usado para pessoa) 
Eu obedeço a meu pai. 
\u2014> Eu obedeço-lhe. 
Muitas vezes erra-se no uso do pronome oblíquo por não ser considerada a relação entre o 
pronome oblíquo e o complemento verbal. 
Regência Nominal 
Diferentemente do que acontece com os verbos, os nomes \u2013 substantivos, adjetivos e 
advérbios \u2013 só possuem regência quando apresentam preposição. 
Ex.: Esse comportamento é impróprio para menores. 
Ficamos contentes por você. 
Os alunos votaram favoravelmente ao projeto. 
Uso das Preposições \u2013 Casos Especiais 
No livro O português do dia a dia: como falar e escrever melhor, do Professor Sérgio 
Nogueira, há diversos casos interessantes acerca do uso das preposições. 
\uf0b7 Primeiro caso 
Ex.: O problema só será resolvido em nível federal. 
Lembramos que a expressão "A NÍVEL DE" é um modismo a ser evitado. 
\uf0b7 Segundo caso 
Dele ou de ele? 
Dele corresponde a um pronome possessivo: 
Ex.: O dinheiro dele acabou antes do esperado. 
Dele também pode ser a combinação da preposição de com o pronome pessoal oblíquo tônico 
ele, na função de objeto indireto: 
Ex.: Nós gostamos muito dele. 
De ele é a preposição de e o pronome pessoal reto ele. Só pode ser usado quando ele for 
sujeito de uma oração reduzida de infinitivo: 
Ex.: Saímos antes de ele chegar. (= de que ele chegasse) 
Apesar de ele ter viajado sozinho, prefiro não telefonar. 
O segredo é o verbo no infinitivo. Só podemos usar de ele quando houver o verbo no 
infinitivo: 
Ex.: Saímos antes de ele chegar1. 
1 Segundo o Professor Sérgio Nogueira, essa regra não é rígida. Muitos autores aceitam a 
contração da preposição com o pronome como uma variante linguística. Ex.: \u2015Cheguei antes 
dele sair.\u2016 No entanto, embora essa seja a maneira como muitas pessoas falam, ela não deve 
ser utilizada em textos formais. 
Essa regra também se aplica em outros casos: 
a) preposição + artigo: 
Ex.: As demissões ocorreram depois de o banco ter decretado falência. 
b) preposição + pronome demonstrativo: 
Ex.: O empresário assinou o contrato, apesar de essas cláusulas não garantirem uma margem 
de segurança. 
\uf0b7 Terceiro caso 
A forma prescrita é TEM DE. 
Embora o uso da forma tem que esteja consagrado e muitos autores considerem as duas 
formas aceitáveis, deve-se utilizar, preferencialmente, a forma \u2017tem de\u2018. 
Ex.: Nós temos de pagar nossas dívidas. 
\uf0b7 Quarto caso 
Para mim ou para eu? 
Devemos observar que: 
\uf02d Eu é um pronome pessoal do caso reto e exerce a função de sujeito. 
\uf02d Mim é um pronome pessoal oblíquo tônico, nunca exerce a função de sujeito e, 
obrigatoriamente, deve ser usado com preposição: a mim, de mim, entre mim, para 
mim, por mim etc. 
Ex.: Eu comprei o livro. (= sujeito) 
Eu comprei o livro para mim. (= não é sujeito) 
Entretanto, observe o exemplo a seguir: Eu comprei o livro para eu ler. 
Nesse caso, são duas orações. \u2015Eu comprei o livro\u2016 é a oração principal e \u2015para eu ler\u2016 é 
oração reduzida de infinitivo (= para que eu lesse). 
Devemos usar o pronome pessoal reto (= eu), porque exerce a função de sujeito do verbo 
infinitivo (= ler). 
Resumindo: a diferença entre para mim e para eu está na presença ou não de um verbo (= 
sempre no infinitivo) após o pronome. 
Ex.: Este livro é para mim. 
Este livro é para eu ler. 
Portanto, sempre que houver um verbo no infinitivo, devemos usar os pronomes pessoais 
retos. Isso ocorrerá com qualquer preposição: 
Ex.: Eles compraram o carro antes de mim. 
Ela almoçou antes de eu chegar. 
Meus pais fizeram isso por mim. 
Ele fez isso por eu estar com dúvidas. 
Observe, no entanto, a mudança no significado trazida pelo uso da vírgula: 
Para eu comprar este carro, foi preciso que meus pais ajudassem. 
Para mim, comprar este carro foi uma grande conquista. 
Na primeira frase, o pronome pessoal reto (= eu) é o sujeito do infinitivo (= comprar); na 
segunda frase, a vírgula indica que o para mim está deslocado. Devemos usar o pronome 
oblíquo (= mim), pois não é o sujeito do verbo comprar. 
\uf0b7 Quinto caso 
Não há nada entre EU e VOCÊ ou Entre MIM e VOCÊ? 
Como explicamos, \u2017eu\u2018 é pronome pessoal reto e só pode ser usado na função de sujeito. 
Assim: 
a) com verbo no infinitivo: \u2015Não há nada entre eu sair e você ficar em casa.\u2016; 
b) sem verbo no infinitivo: \u2015Não há nada entre mim e você.\u2016 
\uf0b7 Sexto caso 
A quem 
Quando o substantivo que antecede o pronome relativo é pessoa,