Sintaxe do Português I - Conteúdo Online
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Ainda a respeito dessa classe gramatical tão importante à predicação, Azeredo (2002, itens 
356-358) afirma que há dois tipos de verbos, são eles: 
\u2022 Verbos predicadores: são verbos que fazem exigência quanto à espécie de sujeito da 
respectiva oração. 
Há duas subclasses de verbos predicadores: Transitivos e Intransitivos. 
\u2022 Verbos instrumentais: são verbos que não fazem exigência quanto à espécie de sujeito 
da respectiva oração e obrigatoriamente introduzem: 
Predicadores verbais (infinitivo, gerúndio e particípio); Predicadores não verbais (SN, SAdj, 
SAdv, SPrep). 
Por sua natureza, os verbos instrumentais são verbos auxiliares e de ligação. 
Todas as tentativas de análise ressaltam a relevância do papel dos verbos no processo de 
predicação. 
Se você se lembrar das famosas aulas de análise sintática dos ensinos fundamental e médio, 
certamente vai resgatar de sua memória a imagem do professor dizendo: 
\u2015Para achar o sujeito e o predicado é preciso encontrar o verbo primeiro\u2016. 
Agora, podemos entender a razão desse comentário. 
A relação sujeito-predicado, ou seja, a predicação, só se realiza a partir do verbo. 
Objeto Direto e Objeto Indireto 
Agora que você já entendeu como o verbo é o motor da predicação, o responsável pela 
engrenagem sintático-semântica da oração, vamos estudar os chamados complementos 
verbais. 
Quando estudamos verbo na escola, era comum ouvir o professor dizendo: 
\u2015Quem come, come alguma coisa\u2016, \u2015Quem gosta, gosta de\u2016 e assim por diante, não é 
mesmo? 
Ele fazia isso para verificar os complementos verbais, já que a resposta a essas reflexões 
indicavam a necessidade ou não a preposição quando se analisava a regência verbal. 
Mas que complementos verbais são esses? 
O sujeito e predicado são termos macro da oração, pois, a partir deles, podemos encontrar 
outros sintagmas exercendo funções sintáticas específicas. 
Dessa forma, no predicado, podemos ter: objeto direto, objeto indireto, predicativo do sujeito, 
predicativo do objeto e adjunto adverbial. 
Já que ressaltamos tanto o papel dos verbos para a predicação, vamos a eles para 
entendermos esses complementos. 
Objeto Direto 
Tradicionalmente, o objeto direto é o complemento do chamado verbo transitivo direto. 
Portanto, o objeto direto é o termo da oração que completa o verbo transitivo direto (VTD) 
sem mediação de uma preposição. 
Trata-se, no período simples, de um sintagma nominal que funciona como argumento do 
verbo transitivo direto. 
Devemos lembrar que o objeto direto pode ser substituído pelos pronomes clíticos: o, a, os, 
as. 
Azeredo (2002:360) ressalta que \u2015se o verbo aceita sujeito e objeto direto, o primeiro precede 
o verbo e o segundo ocorre após o verbo.\u2016 
Entretanto, isso nos faz pensar na possibilidade da ordem direta na Língua Portuguesa. 
Bechara (2000:416) resolve esse problema com a seguinte constatação: 
\u2015O complemento direto se distingue do sujeito por vir à direita do verbo [...]. Assim, a troca 
de posição destes dois termos (sujeito e objeto direto) na oração está circunscrita aos casos 
em que dela não resulte ambigüidade ou ruído de comunicação, principalmente no texto 
escrito.\u2016 
Isso significa que utilizar a ordem inversa entre sujeito e objeto direto só deve ocorrer em 
casos em que a troca não provoque ambigüidade. 
A seguir veremos dois exemplos que nos farão entender melhor. 
Ex1.:Joana matou José. 
Nesta frase, o crime foi cometido por Joana, e não por José, pois, de acordo com o que 
acabamos de ver, o sujeito deve vir à esquerda do verbo e o objeto direto à sua direita. 
Este exemplo é, portanto, um caso em que a inversão provoca ambiguidade ou ruído. 
Ex2.: Joana comprou um livro novo. 
Já na segunda frase, a inversão não nos causa nenhum problema, uma vez que o verbo 
\u2015comprar\u2016 requer um sujeito animado, face à própria ação nele expressa. 
Por isso, Joana seria o sujeito, e um livro novo, o objeto direto. 
Levando em consideração o aspecto semântico da predicação, podemos verificar as relações 
de sentido estabelecidas entre o objeto direto e o sujeito. 
Azeredo (2000:180) fornece-nos nove tipos: 
1) Verbos de ação resultativa: fazer, construir, organizar etc. 
2) Verbos de objeto afetado: destruir, desfazer, alegrar etc. 
3) Verbos de movimento: pôr, levar, conduzir etc. 
4) Verbos com objeto de extensão ou escala: atravessar, percorrer, subir etc. 
5) Verbos de posse: ter, possuir, ganhar etc. 
6) Verbos de atitude: permitir, impedir, consentir etc. 
7) Verbos de percepção: aprender, entender, ver etc. 
8) Verbos de vontade, emoção, sentimento: sentir, ter (nojo, piedade), querer etc. 
9) Verbos de comunicação verbal: dizer, declarar, autorizar etc. 
Objeto Direto Preposicionado 
Apesar de o objeto direto ser denominado assim pelo fato de não exigir uso de preposição, a 
gramática nos apresenta o objeto direto preposicionado. 
Esse objeto completa um verbo transitivo direto (VTD), apesar do uso da preposição. 
Geralmente, é usado para solucionar casos de ambiguidade de oração ou por uma questão de 
estilo ou ênfase. 
Ex.: (VER MATERIAL ADICIONAL \u2013 EXEMPLOS DE OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO) 
Objeto Direto Interno 
Bechara (1992, p.63), em Lições de português pela análise sintática, fala sobre esse tipo de 
objeto direto: 
Assim se chama o complemento que, acompanhado de uma expressão qualificativa, serve 
para repetir a ideia expressa pelo verbo (este geralmente é verbo intransitivo): 
Viver uma vida de sacrifícios. 
A repetição da ideia expressa pelo verbo se faz através de complemento da mesma família de 
palavras ou da mesma esfera de significação: 
\u2015Lidei cruas guerras. [...] 
Dormir o sono da eternidade.\u2016 
Objeto Indireto 
O objeto indireto é o complemento do verbo transitivo indireto. 
Ele é o termo que completa um VTI com mediação de uma preposição. 
Como vimos em nossas aulas de Análise Sintática no ensino médio, para reconhecer o objeto 
indireto e perceber qual é a preposição adequada, basta perguntar depois do verbo: QUE OU 
QUEM? 
Isso é o que nossas gramáticas escolares e a tradição nos falam. 
A seguir veremos o que autores como Bechara (2000) e Azeredo (2010) afirmam. 
Tanto Bechara (2000) quanto Azeredo (2010) afirmam haver diferença entre o objeto indireto 
e o complemento relativo. 
Para esses autores, o objeto indireto é o complemento verbal ligado somente pela preposição 
A e, raramente, por PARA. 
Segundo essa visão dos complementos verbais, o objeto indireto aponta para um ser animado 
e que se beneficia pela experiência comunicada pelo verbo + argumento (cf. BECHARA, 
2000:421). 
Vejamos estes exemplos: 
O professor escreveu o bilhete aos pais. 
O professor distribuiu boas notas aos alunos. 
Ainda de acordo com Bechara (2000:421-422), o objeto indireto apresenta algumas 
características formais: 
\u2022 É introduzido pela preposição A; 
\u2022 O signo léxico denota um ser animado ou concebido com o tal; 
\u2022 Expressa o significado gramatical \u2015beneficiário\u2016, \u2015destinatário\u2016; 
\u2022 É comutável pelo pronome pessoa objetivo LHE/LHES, que leva a marca de número do 
signo léxico referido, mas não a de gênero. 
Considerando os exemplos anteriores, teríamos: 
O professor escreveu o bilhete aos pais. = O professor escreveu-lhes o bilhete. 
O professor distribuiu boas notas aos alunos. = O professor distribuiu-lhes boas notas. 
Complemento Relativo 
Rocha Lima já trata de complemento relativo na década de 1970. 
Segundo esse autor (1972), ele \u2015[...] é o complemento que, ligado ao verbo por uma 
preposição determinada (a, com, de, em, etc.), integra, com o valor de objeto direto, a 
predicação de um verbo de significação relativa.\u2016 
O complemento