Sintaxe do Português I - Conteúdo Online
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relativo possui similaridades tanto com o objeto direto como com objeto 
indireto. 
Vejamos as razões: 
Originalmente, o complemento relativo é, assim como o objeto indireto, ligado ao verbo por 
uma preposição. 
Todavia, o complemento relativo possui duas diferenças básicas, que veremos a seguir. 
São elas: 
1. Não pode ser substituído por lhe/lhes, pois somente o objeto direto o faz. Deve ser 
substituído por preposição. + outro pronome que não lhe/lhes; 
2. Pode, via de regra, perder sua preposição, por ser semanticamente esvaziada, como ocorre, 
na língua falada, com os verbos assistir, obedecer, atender etc. 
Além disso, enquanto o objeto indireto aponta para seres animados, exclusivamente, o 
complemento relativo aponta para seres tanto animados quanto inanimados, vejamos alguns 
exemplos de complemento relativo: 
Isso depende dos documentos. / Isso depende deles. 
Ela se separou do marido. / Ela se separou dele. 
Vamos assistir a um filme. / Vamos assistir a ele. 
As crianças gostam de chocolate. / As crianças gostam dele. 
Bechara (2000:420) afirma, ainda, que é quase nula a possibilidade de o complemento 
relativo e o objeto direto coexistirem e, por outro lado, há uma identidade funcional entre 
eles, uma vez que, principalmente na linguagem corrente, muitos verbos estão alternando a 
construção do complemento relativo e a do objeto direto. 
Já segundo Azeredo (2010:217), isso ocorre por conta do esvaziamento semântico dessas 
preposições na predicação em questão, veja: 
O menino assistiu ao filme. - O menino assistiu o filme. 
Ela atendeu ao chamado. - Ela atendeu o chamado. 
Ela satisfez ao marido. - Ela satisfez o marido. 
E os verbos bitransitivos ou transitivos direto e indireto? 
Mas você deve estar se perguntando: e o complemento relativo que acabamos de estudar? 
Não podemos nos esquecer dos verbos tradicionalmente chamados nas gramáticas escolares 
de bitransitivos ou transitivos direto e indireto. 
Todavia, poderíamos afirmar que tratam-se daqueles verbos que exigem dupla argumentação, 
ou dois complementos, um que não exige preposição e outro que a exige. 
É exatamente em razão dessa noção que Azeredo (2010) nos confronta com os seguintes 
verbos: 
Verbos transitivos diretos e indiretos; 
Ex.: Demos a vaga ao estrangeiro. 
 O.D O.I 
Verbos transitivos diretos e relativos; 
Ex.: Confundimos a nora com a filha. 
 O.D COMPLEMENTO RELATIVO 
Verbos birrelativos. 
Ex.: Reclamamos do garoto1 com os pais2. 
1 COMPLEMENTO RELATIVO - Reclamamos DELE com os pais. 
2 COMPLEMENTO RELATIVO - Reclamamos do garoto COM ELES. 
O Objeto Pleonástico 
Há casos na língua em que precisamos dar ênfase a determinados argumentos. 
Por causa dessa necessidade, a gramática classificou outro tipo de complemento verbal: o 
objeto pleonástico. 
E ele pode ser tanto direto como indireto, vejamos: 
Objeto Direto Pleonástico 
Ocorre quando se quer dar ênfase à ideia e o objeto direto aparece repetido na oração. 
Ex.: Essas pessoas, já as conheço. 
Objeto Indireto Pleonástico 
Ocorre quando o objeto indireto aparece duplamente na oração para se dar ênfase à ideia. 
Ex.: Aos noivos, desejemos a eles muita felicidade. 
Uma observação importante decorre do fato de que, geralmente, o objeto pleonástico aparece 
em virtude de ênfase e em orações na ordem inversa, com o objeto topicalizado, tamanha sua 
importância naquela predicação. 
AULA 4 \u2013 TERMOS DA ORAÇÃO: COMPLEMENTO RELATIVO, AGENTE DA 
PASSIVA E PREDICATIVO 
Complemento Relativo 
Rocha Lima (1972) já trata de complemento relativo. Segundo esse autor, ele \u2015[...] é o 
complemento que, ligado ao verbo por uma preposição determinada (a, com, de, em etc.), 
integra, com o valor de objeto direto, a predicação de um verbo de significação relativa.\u2016 O 
complemento relativo possui similaridades tanto com o objeto direto como com objeto 
indireto. 
Originalmente, o complemento relativo é, assim como o objeto indireto, ligado ao verbo por 
uma preposição. 
Devemos lembrar, no entanto, a regência do objeto indireto, conforme Bechara (2000:421): 
\u2015Este novo argumento do predicado se chama complemento ou objeto indireto e apresenta as 
seguintes características formais e semânticas: 
a) é introduzido apenas pela preposição a (raramente para) (...).\u2016 
Conforme vimos em nossa aula 3, o complemento relativo possui duas diferenças básicas 
quando consideramos o objeto indireto: 
\uf0b7 Não pode ser substituído por lhe/lhes, pois somente o objeto indireto o faz. Deve ser 
substituído por preposição + outro pronome que não lhe/lhes; 
\uf0b7 Pode, via de regra, perder sua preposição, por ser semanticamente esvaziada, como 
ocorre, na língua falada, com os verbos assistir, obedecer, atender etc. 
Além disso, enquanto o objeto indireto aponta para seres animados, exclusivamente, o 
complemento relativo aponta para seres tanto animados quanto inanimados, vejamos alguns 
exemplos de complemento relativo: 
a) Isso depende dos documentos. / Isso depende deles. 
b) Ela se separou do marido. / Ela se separou dele. 
c) Vamos assistir a um filme. / Vamos assistir a ele. 
d) As crianças gostam de chocolate. / As crianças gostam dele. 
Bechara (2000:420) afirma, ainda, que é quase nula a possibilidade de o complemento 
relativo e o objeto direto coexistirem e, por outro lado, há uma identidade funcional entre 
eles, uma vez que, principalmente na linguagem corrente, muitos verbos estão alternando a 
construção do complemento relativo e a do objeto direto. 
Segundo Azeredo (2010:217), isso ocorre por conta do esvaziamento semântico dessas 
preposições na predicação em questão: 
O menino assistiu ao filme. O menino assistiu o filme. 
Ela atendeu ao chamado. Ela atendeu o chamado. 
Ela satisfez ao marido. Ela satisfez o marido. 
Não podemos nos esquecer dos verbos tradicionalmente chamados nas gramáticas escolares 
de bitransitivo ou transitivo direto e indireto: aqueles que exigem dupla argumentação, ou 
seja, dois complementos, um que não exige preposição e outro que a exige. 
EXEMPLOS: 
Em (a), teríamos: Demos a vaga ao estrangeiro. 
a vaga = objeto direto. 
ao estrangeiro = objeto indireto, uma vez que atende aos pré-requisitos já aqui abordados 
para o objeto indireto. 
Em (b), teríamos: Confundimos a nora com a filha. 
a nora = objeto direto. 
com a filha = complemento relativo, uma vez que atende aos pré-requisitos já aqui abordados 
para o complemente relativo, entre eles, o fato de ser regido por \u2017com\u2018. 
Em (c), teríamos: Reclamamos do garoto com os pais. 
do garoto = complemento relativo. (Reclamamos dele com os pais) 
com os pais = complemento relativo. (Reclamamos do garoto com eles) 
Agente da Passiva 
Outro complemento verbal importante é o agente da passiva: nesse caso é o agente que 
completa o verbo. A relação desse complemento com o verbo parece-nos mais de ordem 
semântica e pragmática do que meramente sintática, uma vez que sua presença/ausência 
depende diretamente das intenções comunicativas do falante. 
Ex.: As medidas socioeducativas1 foram aprovadas2 pelo diretor. 
1 Sujeito 
2 Forma Passiva do Verbo aprovar 
O Complemento Predicativo 
Por fim, vamos tratar do complemento predicativo, que pode ser predicativo do sujeito ou 
predicativo do objeto. No entanto, antes disso, vamos relembrar os verbos de ligação, 
também chamados de verbos relacionais, por expressarem uma relação entre o sujeito e as 
atribuições que ele recebe como qualidades, estados etc. através desse trecho retirado de 
Azeredo (2008), Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. 
Verbo de ligação (copulativos ou predicativos)1 
A informação contida no predicado pode resultar, ainda, da união