Sintaxe do Português I - Conteúdo Online
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o Sintagma Adverbial Altamente Comutável 
Outra característica no comportamento do adjunto adverbial reside no fato de que possui 
grande mobilidade dentro da oração. 
Isso significa que se trata de Sintagma Adverbial altamente comutável, ou seja, pode vir no 
início, no meio ou no fim da oração. 
Todavia, é preciso que se tenha cuidado quanto à pontuação, pois, ao invertermos a ordem 
desse sintagma na oração, devemos marcar tal mudança com a vírgula. 
Veja: 
Ontem pela manhã, meu professor viajou. 
Meu professor, ontem pela manhã, viajou. 
De acordo com norma gramatical, na ordem direta, o adjunto adverbial é posto ao fim da 
oração, não havendo necessidade de vírgulas. 
Entretanto, Henriques (2010:79) afirma que, via de regra, podemos usar a vírgula antes do 
adjunto adverbial, mesmo ao fim da oração, por razões de expressividade. 
Vamos ao exemplo dado pelo autor: 
Preciso de você todos os dias. X Preciso de você, todos os dias. 
Aposto e Vocativo 
Há dois termos que são tradicionalmente classificados em termos acessórios da oração. São 
eles: aposto e vocativo. 
\u2022 Aposto 
A palavra \u2015aposto\u2016 significa \u2015posto após\u2016. Assim, aposto é um termo acessório que permite 
ampliar, explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida num termo anterior que exerça 
qualquer função sintática. 
Veja: 
Ontem, segunda-feira, passei o dia mal-humorado. 
Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tempo ontem. 
\u2022 Vocativo 
Esse termo, tradicionalmente, é considerado termo acessório da oração, como o aposto. 
Entretanto, atualmente, alguns autores o têm dado outro tratamento. 
Complemento Nominal 
Outro termo importante da oração é o complemento nominal, formado sempre por um 
sintagma preposicionado (SPrep), uma vez que deve ser regido por uma preposição. 
Talvez, essa noção de complemento seja mais fácil de ser percebida em relação aos verbos. 
Todavia, há nomes que também necessitam de complementos para lhes assegurar o sentido, 
veja o exemplo do substantivo necessidade: 
Temos necessidade de carinho. 
O sentido da oração estaria prejudicado se não houvesse o complemento DE CARINHO para o 
substantivo necessidade. 
Dessa forma, podemos afirmar que nomes também podem precisar de complemento. 
O Complemento Nominal é um dos termos integrantes da oração e sua função é completar o 
sentido de um nome (substantivo1 ou adjetivo) ou de um advérbio, conferindo-lhe uma 
significação completa ou, ao menos, mais específica. 
1 Esse substantivo, geralmente, é cognato de num verbo, como é o caso de 
necessidade/necessitar. 
Lembre-se! 
O complemento nominal: 
\uf02d Sempre segue um nome, em geral abstrato; 
\uf02d Liga-se ao nome por meio de preposição obrigatória. 
Adjunto Adnominal 
A relação entre esse termo da oração e o nome está na própria terminologia, pois o prefixo 
\u2015ad-\u2015 significa \u2015junto de\u2016. 
Ao pé da letra, teríamos a equação: adjunto adnominal = junto, junto, junto do nome. 
Sobre o adjunto adnominal, Bechara afirma que: 
\u2015Toda expressão nominal, qualquer que seja a função exercida pelo seu núcleo, pode ser 
expandida por determinantes que têm por missão acrescer ideia acidental complementar ao 
significado desse substantivo nuclear.\u2016 
O adjunto adnominal modifica somente substantivos, pois sua definição tradicional nos diz que 
\u2015Ao núcleo substantivo, qualquer que seja a função deste, pode juntar-se um termo de VALOR 
ADJETIVO, para acrescentar-lhe um dado novo à significação\u2016. 
Nesta aula, quando conversarmos sobre o complemento nominal, vimos que ele também 
modifica adjetivos e advérbios, lembra? 
Assim, a distinção entre complemento e adjunto somente é problemática quando eles estão 
ligados a substantivos. 
De modo geral, poderíamos afirmar que adjunto adnominal é a função sintática do adjetivo, 
do pronome adjetivo e do numeral no sintagma nominal. 
Adjunto Adnominal X Aposto 
Não podemos confundir o adjunto adnominal com o aposto! 
ADJUNTO ADNOMINAL: Imprescindível; Fundamental na formação do sintagma nominal 
(sendo representado por artigo, numeral, pronome adjetivo e adjetivo). 
APOSTO: Termo acessório (quase que expletivo, ou seja, poderia faltar à oração sem grandes 
perdas de sentido); outro sintagma nominal encaixado a um SN maior; 
Veja o exemplo a seguir: 
As duas alunas dedicadas, Simone e Márcia, não vieram à aula hoje. 
AA AA AA APOSTO 
AULA 6 \u2013 CONCORDÂNCIA NOMINAL 
A Concordância Nominal 
Vamos conversar sobre concordância? 
Segundo o Professor Evanildo Bechara, em sua Moderna Gramática Portuguesa (2000:543): 
\u2015Em português, a concordância consiste em se adaptar a palavra determinante ao gênero, 
número e pessoa da palavra determinada.\u2016 
O autor nos coloca ainda que a concordância pode ser nominal ou verbal. 
Porém, nesta aula, estudaremos somente a Concordância Nominal, ou seja: 
\u2015[...] a que se verifica em gênero e número entre o adjetivo e o pronome (adjetivo), o artigo, 
o numeral ou o particípio (palavras determinantes) e o substantivo ou pronome (palavras 
determinadas a que se referem).\u2016 (p. 543). 
Concordância do Adjetivo 
Vejamos as regras: 
\uf0b7 Concordância Gramatical Rígida: núcleo único: veremos que há casos de Concordância 
Nominal em que podemos optar por um ou outro uso, sem fugirmos à prescrição. No 
entanto, há casos em que a concordância é obrigatória. 
O artigo e o adjetivo concordam com o núcleo quando ele for composto por um núcleo. 
Exemplo: As mesas azuis estão ocupadas pelas crianças. (núcleo = mesas) 
\uf0b7 Mais de um núcleo: 
1º caso \u2013 Adjetivo depois do substantivo 
a) Concordância lógica: quando os substantivos têm gêneros diferentes, o que predomina é o 
gênero masculino. 
Exemplo: Passamos por problemas e provas complicados. 
b) Concordância atrativa: o adjetivo concorda com o substantivo mais próximo. 
Exemplo: Passamos por problemas e provas complicadas. 
No entanto, se o adjetivo se refere somente a um dos substantivos, é obrigatória a 
concordância com o substantivo que qualifica. 
Exemplo: Os alunos trouxeram para a prova lápis e régua milimetrada. (Dornelles, 2002:163) 
2º caso \u2013 Adjetivo antes do substantivo: dependência da função sintática do adjetivo 
a) Predicativo de sujeito composto. 
Ex.: A água e a fruta eram impuras. (Ribeiro, 2012:293) 
Núcleos do sujeito (substantivos \u2017água\u2018 e \u2017fruta\u2018) do gênero feminino: o adjetivo vai para o 
feminino plural. 
Ex.: O campo e a montanha estavam limpos. (Ribeiro, 2012:293) 
Núcleos do sujeito de gêneros diferentes: adjetivo no masculino plural. 
Ex.: É ótimo este rapaz e aquele menino. (Ribeiro, 2012:293) 
Ex.: São ótimos este rapaz e aquele menino. (Ribeiro, 2012:293) 
Nesse caso, em que o verbo está no singular e anteposto ao sujeito composto, os gramáticos 
divergem e há duas opiniões: o adjetivo concorda com o núcleo mais próximo ou se faz a 
concordância com o todo. 
b) Predicativo do objeto direto composto. 
Nesse caso, a concordância pode acontecer de maneiras diferentes. 
\uf02d Deixe bem escondido o relógio e a aliança. (Ribeiro, 2012:293) 
\uf02d Deixe bem escondidos o relógio e a aliança. (Ribeiro, 2012:293) 
c) Adjunto adnominal de sujeito composto. 
De mesmo gênero. Adjetivo no singular ou no plural. 
Ex.: Casa e rua limpa. / Casa e rua limpas. 
De gêneros diferentes. Adjetivo concorda com o mais próximo ou fica no masculino plural. 
Ex.: Casa e teto limpo. / Casa e teto limpos. 
Como vimos, conforme Manoel Pinto Ribeiro, Gramática Aplicada da Língua Portuguesa, a 
concordância, neste caso, vai depender da função sintática do adjetivo. 
\uf0b7 Concordância Nominal Ideológica: 
Exemplo 1: V.S.a é mal-educado. 
Segundo Ribeiro (2012:295), temos uma forma feminina